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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

terça-feira, 25 de julho de 2017

Vivi garante o pódio no Brasileiro de MTB Cross Country Olímpico, no Espírito Santo

Ciclista paulistana repetiu seu melhor resultado na competição nacional, com o quarto lugar - mesma colocação de 2015 - entre as melhores atletas do Brasil na modalidade 
Vivi no Brasileiro de XCO (Foto: Thiago Lemos/CBC)
A ciclista Viviane Favery garantiu neste domingo (23) um lugar no pódio do Campeonato Brasileiro de MTB XCO, competição realizada em Domingos Martins (ES). A paulistana de 31 anos, radicada na cidade de Mogi das Cruzes (SP), completou a edição de 2017 da competição nacional em quarto lugar, enquanto a goiana Raiza Goulão foi a campeã. Completaram o pódio ainda a vice-campeã, Letícia Cândido, Erika Gramiscelli, em terceiro, e Sofia Subtil, fechando o top 5.

"A prova foi super legal e para mim meu resultado foi ótimo. Na primeira volta eu estava em terceiro lugar, porém não consegui manter um ritmo forte na descida. As meninas levaram vantagem neste trecho e acabei administrando a quarta colocação até o fim. Não foi fácil me manter nesta posição, com algumas atletas próximas a mim, então tive que batalhar intensamente até o fim", destaca Viviane Favery.

"Fato é que estou muito feliz e bem contente, depois de um bom período nas últimas semanas em que estive doente, o que me impediu de fazer treinos específicos para a disputa em Domingos Martins. Fico mais empolgada pelo o que vem pela frente, com foco no Brasileiro de Maratona MTB (XCM), em agosto, e para as provas de XCO em meu calendário na sequência", conta Vivi, ciclista da equipe alemã ROSE Vaujany fueled by ultraSPORTS.

Após a competição nacional no Espírito Santo, o foco de Viviane passa a ser o Campeonato Brasileiro de Maratona MTB, marcado para o dia 27 de agosto, em Vitória da Conquista (BA). Vivi tenta reconquistar a camisa de campeã nacional, após ter vencido a edição de 2015 do evento, em Picos (PI), ano em que se profissionalizou no esporte e ganhou projeção nacional e internacional no esporte.

Disputa masculina - Enquanto Raiza Goulão venceu seu terceiro título brasileiro de XCO, entre os homens a disputa teve um novo campeão brasileiro. Trata-se do paulistano Luiz Cocuzzi, que superou outros três concorrentes na volta final, para garantir o seu lugar no topo do pódio. Enquanto o vice-campeonato ficou com Henrique Avancini, o top 5 foi completado por Sherman Trezza, Daniel Grossi e Guilherme Muller.

Os equipamentos - Viviane Favery competiu no Campeonato Brasileiro de MTB XCO, em Domingos Martins, com sua Psycho Path da Rose Bikes, uma bike hard tail (rígida) aro 27,5. A bicicleta é equipada com suspensão DT Swiss e relação SRAM de 12 velocidades, além de ter pneus da Continental. Para conhecer mais sobre a bike, de origem alemã, acesse: www.rosebikes.com.

Mais informações sobre o ciclista Viviane Favery:
Site: http://www.vivifavery.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/viviaventuraas
Instagram: www.instagram.com/vivianefavery
Twitter: https://twitter.com/vivianefavery
YouTube: https://www.youtube.com/user/vivianefavery

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Viviane Favery disputa o Brasileiro de Cross Country Olímpico (XCO) no Espírito Santo

Ciclista radicada em Mogi das Cruzes (SP), Vivi compete neste domingo (23) a edição de 2017 do torneio nacional, no município de Domingos Martins
Vivi em prova na Europa

A ciclista Viviane Favery tem neste fim de semana um importante desafio na atual temporada. A paulistana radicada em Mogi das Cruzes disputará em Domingos Martins, no Espirito Santo, o Campeonato Brasileiro de Mountain Bike XCO 2017. Esta será a terceira vez que Vivi disputa a competição, após ter se profissionalizado no esporte em 2015, ano em que garantiu destaque no MTB nacional, com os títulos do Brasileiro de Maratona MTB e da ultramaratona Brasil Ride.

"Este será meu terceiro ano competindo o Campeonato Brasileiro de Mountain Bike XCO. Em 2015, tive um resultado surpreendente, ficando em quarto lugar, sem ter experiência em XCO. Já no ano passado, na minha equipe ROSE Vaujany fueled by ultraSPORTS, disputei a competição após competir etapas da Copa do Mundo de XCO e Pan-Americano da modalidade. A expectativa era grande e fiquei muito nervosa e ansiosa, acabei com um desempenho abaixo do que eu queria, fora do pódio", relembra Viviane Favery.

"Neste ano, a princípio eu iria me preparar para a prova, porém, no começo de julho fiquei muito doente e tive que tirar o pé naqueles 15 dias que teria focada apenas na preparação para o Brasileiro de XCO. Estou indo sem expectativas de resultado, simplesmente para aproveitar a oportunidade de pedalar ao lado das principais mountain bikers do País, o que é um grande privilégio. Meu foco mesmo é o Brasileiro de Maratona MTB, logo em seguida, apesar de eu ter me especializado mais no XCO nos últimos três anos. Já fui campeã em 2015 de Maratona e quero ter a camisa de volta, porque é algo bem especial e uma honra muito grande", complementa Vivi.

Vivi chegou ao Espírito Santo nesta quarta-feira (19) e já teve a oportunidade de treinar no circuito em Domingos Martins. A pista capixaba foi montada com percurso de 4,4 quilômetros e irá contar com dois pontos de apoio mecânico e hidratação. A Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), organizadora do evento ao lado da Federação Espirito Santense de Ciclismo (FESC), espera reunir cerca de 300 atletas, distribuídos em 19 categorias oficiais.

 "O circuito tem obstáculos técnicos, além de trechos fechados e bem úmidos. Dei uma volta lá e achei legal que a pista é no centro da cidade, ou seja, vai ter bastante público. É basicamente uma subida bem grande técnica, com algumas variações de inclinação, e depois começa a descer e a descida tem subidas que exigem potência. Haverá trocas de marcha, curvas e a necessidade de fluidez. A previsão é de chuva. Se molhar, aí muda bastante", conta a ciclista.

"Fiz um set-up prévio na minha bike, com um pneu dianteiro com um pouco mais de aderência e vou de hard tail (bicicleta rígida), a minha Psycho Path da Rose Bikes. Bike super arisca e rápida. Me encaixei bem nela, com suspensão DT Swiss e relação SRAM de 12 velocidades. Estou mais animada ainda porque vou passar a semana com duas amigas, Raiza Goulão e Roberta Stopa. Concorrentes na pista, mas com amizade total fora", finaliza Vivi.

Mais informações sobre o ciclista Viviane Favery:
Site: http://www.vivifavery.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/viviaventuraas
Instagram: www.instagram.com/vivianefavery
Twitter: https://twitter.com/vivianefavery
YouTube: https://www.youtube.com/user/vivianefavery

Assessoria de Imprensa:
Gustavo Coelho
E-mail: gustavo.cbcoelho2@gmail.com
Celular: 11 9.9178-4055

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Relato de 2016

2016 deve estar sendo o ano mais importante da minha vida. Pude me dedicar 100% à carreira de atleta em uma equipe profissional internacional, realizando algo que nunca imaginei ser possível, ainda mais aos 30 anos.

Acho que vai levar um tempo para eu compreender tudo e poder destacar momentos mais importantes, ou os principais aprendizados. Por enquanto, preciso descansar o corpo e a mente e curtir minhas duas semanas de férias para poder voltar “fresh” e traçar os objetivos de 2017. E nada como escrever, para compartilhar com você que está lendo, e também fazer um favor pra mim mesma, de colocar no papel essa história.

Desde o momento em que assinei o contrato com a ROSE Vaujany fueled by ultraSPORTS, em Dezembro de 2015, meu comprometimento com os treinos foram absolutos e eu estive assim até agora.
Fizemos uma campanha teaser nas redes sociais para anunciar a novidade
Minha primeira competição foi a Costa Blanca Bike Race, na Espanha em Janeiro, uma prova de 4 dias que fiz com a Nathi (Nathalie Schneitter, companheira de equipe) e ficamos em 2º.
Depois disso, meu foco dos treinos seria o mundial de Maratona, mas a equipe me propôs a experiência de participar de World Cups de XCO, algo que me traria uma bagagem sem preço, mas seria um desafio muito duro.


Também vale ressaltar que na filosofia “super pro”, o que conta são as 5 últimas semanas de treino antes de uma prova, essa é a memória do corpo. E eu teria tempo suficiente antes do mundial de XCM para me recuperar das provas de XCO e fazer esse bloco de 5 semana. Abracei.
Para me preparar pras WC´s, fiz a CIMTB em Araxá e o Panamericano na Argentina. Os treinos passaram a contar com intervalos em trilha, seguidos de descidas técnicas para treinar a pilotagem em alta frequência cardíaca/desgaste total.

Panamericano em Catamarca - Argentina
Minha performance no XCO está longe da desenvoltura que tenho no XCM, nunca fiz uma base nessa modalidade, e não posso falar que tive algum resultado nessas provas.

Em Albstadt, na Alemanha, uma pista pouco técnica comparada com as outras (mas acredite, é técnica), minha força ajudou e mesmo com alguns erros de pilotagem, não fui a última (iupiiiiii). Lá, 86 atletas largaram, 76 terminaram e eu fiquei em 72!

WC Albstadt
WC Albstadt
WC Albstadt
Em La Bresse na França, meu Deus, preciso de um texto pra falar só dessa prova. Foi o dia de trabalho mais difícil na minha vida. A pista de lá é basicamente uma subida longa e uma descida. Só que essa descida é tipo um campo de guerra de obstáculos, você tem que vencê-los pra poder fechar a volta e repetir tudo de novo. Com a chuva da madrugada, trechos do percurso ficaram lisos e cheios de lama. Eu só lembro de ter pernas para subir com outras meninas, mas de na hora de descer, ficar completamente atrapalhada com a sequência de obstáculos, mesmo tendo zerado tudo nos treinos. Na terceira volta, cai de cabeça muito feio na aterrizagem de um drop (roda dianteira bateu numa pedra) e depois disso não consegui mais pedalar. Fechei a volta praticamente empurrando. Eu estava dignamente brigando pela penúltima posição, mas depois desse capote não teve jeito. Fechei em último e com uma torcida mais incrível, surreal. As pessoas gritavam meu nome! Arrisco dizer que torceram mais pra mim, a última colocada com cara aterrorizada mas ainda puxando algum sorriso emocionado, do que pro Absalon!

Momento emocionante: percorrendo o percurso a pé com a torcida gritando meu nome e aplaudindo.
Depois de La Bresse, com o psicológico abalado e algumas marcas no corpo, passei uma semana em Aalen - Alemanha, onde fica a base da equipe com o Steffen (chefe) e o Simon, recuperando e me preparando para o bloco de treinos do mundial de maratona.

Depois a Nathi me buscou e fomos pra casa dela, em Solothurn - Suiça. Lá foi o lugar eleito para o sofrimento, pra botar o TSS nas alturas, pra fazer tiro de 4min e falhar ao tentar chegar no mesmo lugar no tiro seguinte, pra subir montanha e mais montanha depois dos intervalados, com frio e chuva. Pra andar com as meninas “top 10”, tomar na cabeça já nos treinos, e poder tomar um pouco menos na prova. E muito mais coisas.

Sobre o mundial de cross country maratona 
Enfim, o preparo foi bom, e depois, analisando o desempenho no mundial, percebi que tinha sido bom mesmo. Não tínhamos traçado meta de resultado, apenas dar o meu melhor, e ver o que vinha. Mas em nenhum momento imaginávamos a possibilidade de andar top 40.


Fiz uma excelente largada, me mantendo no meio do pelotão na primeira subida. Quando entramos no primeiro descidão, vi que estava bem posicionada em um grupo de meninas que andavam bem, “não saio daqui”. Só que.... minha corrente caiu e enrolou nela mesma, e minha pausa pra consertar custou todas as posições. Lembrei do Steffen me falando que nada era motivo para não pensar positivo, e que eu deveria apenas: pensar coisas boas. Esse “ensinamento” foi meu mantra. Passei grupos quando possível, mantive bom ritmo e cuidei pra não cometer erros.


Quando passei no ponto de apoio, o mecânico me deu minha posição: 30. “Oi???!!!”. Eu JURO que eu pensei que o Steffen tinha combinado isso com o Tom, para me fazer ir além. Fiquei p da vida! Rs. Mas deu certo – mesmo que fosse coisa da minha cabeça! Dei o que tinha, segui firme no meu passo para fechar top 30, sem economizar.


Passei mais um grupo de meninas, e pelos meus cálculos, andei na 25ª posição. Como era esperado, a última subida (até postei um vídeo dela no face quando fiz o reconhecimento) foi cruel, e voltei pra 30ª posição. Depois veio o ultimo downhill, uma trilha fluida pela floresta, longa, um lugar paradisíaco para qualquer mountain biker! Eu estava exausta e tinha que cuidar pra não fazer erros estúpidos. Estava tudo impecável, até eu tomar um capote há 5 metros de chegar no estradão que ligava ao fim da prova. Há 3k da chegada. Tinha uma enorme poça de lama, precisava controlar a velocidade para passar pelo canto e meu dedo indicador simplesmente não alcançou a manete do freio (!!??). Eu não consegui frear, estava no ar, cai, tomei um belo capote. A bike não quebrou (completamente), nem eu, e pude terminar. Enquanto estava levantando do chão, mais uma me passou, e eu cruzei a linha em 31º. Ok, MUITO BOM!

Steffen, Nathi, eu e Remi
Sobre o mundial de cross country olímpico
No dia seguinte voltamos de Laissac – França (local do mundial XCM), para Aalen – Alemanha. Dormimos uma noite e seguimos viagem para Nove Mesto na Morave – República Tcheca. (Olhe no mapa e vai perceber que em dois dias eu praticamente cruzei a Europa de Oeste pra Leste!)
O Simon (companheiro de equipe) foi bronze no XC Eliminator ano passado, e era um dos favoritos para esse ano. A corrida dele era na 4ª feira e nós estávamos lá para dar todo apoio necessário.
Minha função na equipe era a mais graciosa: cuidar da baby Nora (filha do chefe). O Loris ficou responsável por segurar o Simon na largada, a Kerstin (esposa do chefe) cuidava de dar a suplementação do Simon assim que ele terminasse as baterias e certificar que ele tinha tudo que ele precisava o tempo todo. E o Steffen olhava a linha dos outros atletas na pista e fazia o check up mecânico depois de cada toda volta.
Simon conquistou uma merecidíssma PRATA, e o trabalho em equipe foi muito comemorado.
Agora era hora de eu me preparar pra minha prova no sábado. Ainda sentindo o cansaço do mundial de XCM, reconheci devagarinho o percurso com ajuda dos meninos, defini minhas linhas, me senti confiante nas decidas hiper técnicas, raízes e rock mega-gardens.
Na largada eu estava super bem posicionada, tão bem que fiquei atrás da Gun Rita quando ela caiu após ser empurrada por outra atleta. Isso me custou vários watts e não teve chance de não ficar entre as últimas na primeira subida. Lutei pela penúltima colocação mais uma vez, mas na 4ª volta rasguei o pneu traseiro descendo o rock garden, e tive que andar metade da pista até o apoio para seguir até o ponto de corte.


Fiquei super triste com esse rasgo, pois depois do pouco de experiência que tive em XCO, é na 4ª volta que começo a me sentir bem e evoluir na prova, sem contar que aquele percurso de Nove Mesto é incrível e eu queria poder “curtir” mais um pouco daquilo.
Sempre que lembro, dou muita risada da piada que um amigo (muy amigo rs) fez: se eu fui a última colocada no campeonato mundial de XCO, então eu sou a pior do mundo! kkkkkkkkk Mas olha só, alguém tem que dar a cara e ser a última colocada de uma prova, não é mesmo? Eu me orgulho da minha coragem e disposição.
Meu irmão pilota carros, kart, e minha família entende do assunto. Para explicar pra eles o que eu estava fazendo correndo XCO, usei uma analogia que acredito ajudar a entender a “roubada”: imagina um piloto de rally participar de algumas etapas do GP de F1 sem nunca ter pilotado nem Kart. Faz sentido?

De volta ao Brasil, o foco era defender minha camisa de campeã Brasileira de Maratona.
Sabia que não seria uma tarefa fácil. Tive uma experiência fantástica de 2 meses na Europa e um desempenho ótimo no mundial, mas estava tentando passar por cima de um cansaço mental (mais do que físico) para me manter firme na disputa.
No dia da prova, não teve briga pelo ouro, mas a prata chegou perto, ficou a 30 segundos de mim por 20 kilometros! Um probleminha mecânico e um erro técnico mataram os últimos watts que eu tinha estocado para atacar, e o Bronze foi muito comemorado.

A vitória no Big Biker veio como um bônus no fim da temporada. Correr em Santo Antônio do Pinhal é como correr em casa pra mim, e não podia deixar de estar lá. Minha cabeça já estava em outro lugar, na renegociação do contrato com a equipe, nos projetos de 2017, mas alinhei para fazer o que eu melhor sei fazer: uma prova de maratona. A vitória aconteceu no sprint, na última subida, e fiquei muito, muito feliz! Com ela, levei o título do circuito! Que coisa boa!!!

E assim fechei o ciclo de competições,com a sensação de que não economizei energia para me recuperar de cada “tapa” ou tombo, e poder me expor novamente (para levar outro), e assim sucessivamente.
Lembrança da Costa Blanca com a Nathi
Olhando pra trás, nem me lembro quando foi meu último descanso. Depois que venci a Brasil Ride com a Raiza, minha vida virou de ponta cabeça – ou melhor, ela virou pro lado certo - e eu não quis perder nenhuma oportunidade de evoluir, aprender, expandir minha rede de relacionamentos e aprofundar meu conhecimento (principalmente de mim mesma).

Nesse período, perdi casamentos, aniversários, nascimentos, viagens em família, estive 100% focada em meu desenvolvimento profissional.

Agora é hora de colocar tudo na balança e decidir se eu encontro um novo hobby ou se pego o meu de volta.

Janeiro
Agosto
Setembro
Obrigada a todos vocês que torcem, acompanham, vibram, apoiam, incentivam.
Agradeço as minhas amigas que ainda não desistiram de mim apesar da minha ausência, dos meus familiares e do meu noivo que fez tudo o que pode para me acompanhar nessa rotina maluca.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

De profissional atleta para atleta profissional

Uau.... Com tanta coisa para contar, por onde começo esse texto? Faz tempo que não escrevo, os últimos meses foram focados nos treinos e no trabalho para poder sair de férias merecidamente.

Não sei se começo falando do Brasileiro de Maratona, na qual conquistei o título de Campeã Brasileira 2015 depois de uma dura disputa com a segunda colocada (!!!); ou se conto primeiro da Leadville Trail 100 MTB, prova de 100 milhas no Colorado (EUA) há 2 semanas, na qual conquistei um incrível 5º lugar dentre atletas olímpicas, campeã e vice-campeã Mundial (!!!); ou será que faço logo um resumo de 2015, ano especial, de colheita de frutos tanto no âmbito pessoal, profissional e também na carreira esportiva?

Foto: Fabio Piva // Site Redbull
Bem, vou contar um pouco de tudo, pois não cheguei aqui do nada. E vou por partes, pode ser?


Começo respondendo à pergunta que vários me fizeram após a vitória no título no Brasileiro:
Como você se preparou para conquistar esse título (Campeã Brasileira de MTB XCM)?
Bom, eu tenho duas verdades opostas para responder essa pergunta:

A primeira é que eu venho me preparando para esse momento desde o dia em que fiz meu primeiro treino de mountain bike, em fevereiro de 2011, na região de Morungaba (SP), quando comecei a fazer provas de aventura com a equipe Lebreiros. Todos tinham que esperar por mim, eu mal parava em cima da bike, levava muito mais comida do que eu precisava, não sabia trocar marchas e por aí vai. Mas eu olhava os mais experientes com admiração e respeito – eu queria chegar lá! Ou melhor, eu queria ir além... descobrir os limites, ou superá-los. Bem, ainda quero...

Clínica de MTB do Ravelli para iniciantes - 2011
A segunda é que, na verdade, eu não me preparei especificamente para essa prova. Quando me dei conta de que estava bem o suficiente para encarar minha profissionalização no esporte (e isso aconteceu no Brasil Ride Warm Up em Botucatu, em Junho deste ano) e enfrentar um campeonato Brasileiro, adaptei meu calendário e encaixei a ida para Picos – PI (local do Brasileiro de XCM).
Mas mesmo com essa alteração, meu foco se manteria em Leadville Trail 100 MTB, prova de 100 milhas no Colorado – EUA, com a qual venho sonhando desde minha época de corredora a pé, e que aconteceria há exatos 15 dias do Brasileiro.



Sobre a Leadville Trail 100 MTB – Colorado, EUA, Agosto de 2015
A ida para a LT100 MTB se tornou realidade no começo de 2015, quando conheci o Loris Verona Junior, meu namorado e também ciclista, que fez a corrida em 2014 e pretendia voltar para bater seu próprio tempo. Dentre todas as coisas incríveis de compartilhar a vida com alguém parecido com você, destaco que o suporte que um dá ao outro potencializa qualquer força!

Fui então atrás da uma vaga na prova, que é super concorrida. Minha equipe Specialized também é patrocinadora principal do evento, e foram eles que viabilizaram essa parte, assim como meu lugar para largar no pelotão de elite, ao lado de atletas como Annika Langvard, Sally Bigham e Katerina Nasch. Uau...!

A LT100 é uma das maiores e mais tradicionais provas de mountain bike e corrida de montanha dos EUA. Só no evento de MTB, são aproximadamente 1.800 inscritos! Isso, em uma cidade de 3 mil habitantes, localizada a cerca de 3.000 metros do nível do mar e palco de uma das maiores fontes de riqueza mineral dos EUA nos anos 1900, é um evento um tanto quanto inusitado e especial.

Pódio masculino da LT100 MTB 2015
Gente de todos os cantos dos EUA (para não dizer do mundo) se distribuem ao longo do percurso de 50 milhas para torcer para os atletas. E está aí uma curiosidade sobre a LT100: o percurso é ida e volta, e não um loop como estamos acostumados a ver em provas de MTB. Se engana quem acha que isso tira a graça da competição. No caso específico da LT100, esse é o charme, se posso falar assim.

Mas espera aí, não posso pular etapas, antes de ir para LT100, surgiu a oportunidade de ir para o Brasileiro de XCO, em Petrópolis, a convite da AOO Specialized – imperdível! A princípio iria apenas assistir, porém quando comentei com a minha treinadora Adriana Nascimento, ela me incentivou a participar da prova, pois seria um ótimo treino de intensidade para a Leadville, cabia perfeitamente na periodização. E, além do mais, já que eu estava querendo me profissionalizar, deveria começar a buscar experiências mais maduras. E lá fui eu.
Sobre o Campeonato Brasileiro de MTB XCO – Petrópolis, Julho de 2015
Cross Country não é a minha especialidade. Minha lembrança correndo essa modalidade, até então, era de uma Vivi desengonçada, ansiosa, com potencial para superar bem as partes técnicas, porém com dificuldade de se concentrar quando o coração está na boca (oposto de maratona).

Então o que esperar de um Brasileiro de XCO? “Bom Vivi, já que você sabe seus pontos fracos, trabalhe eles, começando pelo psicológico. Também conheça a pista, mentalize as linhas, e escolha por não se arriscar muito nos obstáculos, pois qualquer machucado poderia estragar o sonho de Leadville” - (conversa minha comigo mesma).

Sinceramente? Fazer isso com todo suporte de uma das maiores (se não a maior) estrutura de equipe de Mountain Bike do Brasil foi moleza! O clima da casa AOO Specialized estava leve, divertido e concentrado ao mesmo tempo. Cada um com seu jeitinho agregou para isso. Raiza, Rubinho, Sofia, Zé Gabriel, Erick, Ellen, Lucas, Loris e Flávio. E me acolheram como uma irmã mais velha (já se foi a época que eu era a Caçulinha J ).

Alinhei para dar o meu melhor, pensando que um Top 7 poderia ser uma meta agressiva, que ficaria feliz se conseguisse tal colocação. Fiz uma largada conservadora deixei outras atletas mais experientes entrarem na minha frente, mas depois de algumas curvas vi que a pessoa que poderia ter como principal adversária estava mais a frente. Busquei e encaixei logo atrás.

O primeiro trecho técnico foi o rock garden. Todas escolheram o “chicken line” e eu arrisquei o obstáculo, pois tinha feito a linha durante o treino. Errei e lá se foram segundos preciosos.
Corri a pé para sair dali e na bike corri atrás do prejuízo, mas no meu ritmo, pois 5 voltas de XCO são mais de 1h30 com o coração no limiar. Dureza.

Depois de uma volta inteira consegui, cheguei naquela adversária. Em um momento em que o percurso me favorecia, subida longa, passei. Estava então em 5o lugar. Nossa!!! Que demais... “Foca Vivi, foca, você está dando o seu melhor? Isso é tudo o que você tem pra agora? Juízo, nem mais nem menos, não exagera nas descidas, cuidado. Foca!!!” – era isso o que passava na minha cabeça, o tempo todo.

Não me lembro ao certo em qual momento alcancei a 4a colocada (e uma pessoa que admiro muito), a Roberta Stopa. Só lembro que disputamos posições, e que os minutos em que andei na roda dela foram os mais legais da prova – principalmente porque ela estava dropando um obstáculo que eu ainda não tinha tido coragem de enfrentar, e, na roda dela, quando vi, já tinha ido. “Caraca, eu fui na sua roda, eu sou suicida!!!” eu falei pra ela, que vibrou junto comigo. Como é bom encontrar gente legal!!! Adversárias não precisam ser oponentes... dou muito valor a essa camaradagem.

Lembro de celebrar cada vez que cruzava a linha de chegada para abrir uma nova volta, com toda equipe Aoo Specialized gritando por mim, e o Flávio Magtaz (manager da equipe) empolgado, informando minha colocação. Não preciso nem dizer que quando terminei na 4ª colocação, foi como se eu tivesse vencido! E o time todo celebrou, tudo junto e misturado. Mágico.

Voltando para Leadville...
Largada
Embarcamos com 11 dias de antecedência. Competir em altitude exige aclimatação. Uma prova dessas merece esse investimento.
E deu tudo certo. Suplementação de ferro, alimentação bem cuidada, hidratação em dia, assessoria da Adriana Nascimento, apoio da CTS (Carmichael Training Systems), torcida organizada (amigos Brazucas e americanos estavam por lá também).
No dia 15/08/2015, às 6:30 da manhã, 10ºC, ao lado do meu namorado Loris, de Christoph Sauser, Todd Wells, Rebecca Rusch, Alban Lakata, outros(as) grandes atletas e de uma das minhas melhores amigas (também ciclista) Ally – não, não vou contar da largada. Vou contar que antes da contagem regressiva tocou uma música que adoramos, e eu e a Ally dançamos. “Shut up and dance with me!” Valia comemorar que estávamos ali, we made it here!! Isso por si só já é um grande feito. E foi dada a largada.
Singletrack legal
Sem qualquer parâmetro do que seria uma boa meta para mim, estipulei que eu poderia ficar feliz se fizesse a prova abaixo de 9 horas. E colei no meu top tube um adesivo com os tempos que deveria passar em cada apoio se fosse fazer a prova em 8:30 (abaixo de 9h, para me estimular, sabe?). Eu gosto de deixar a baliza sempre alta.
Consegui ultrapassar a primeira montanha com sucesso, sem ter que empurrar a bike (pela quantidade de pessoas, acaba afunilando), e cheguei no trecho mais plano com um grupo forte – o que garantiria boa economia de energia até a famosa montanha Columbine, de 16km, onde fazemos a volta (milha 50). Mas tinha me desgarrado do grupo das meninas, que pelos meus cálculos eram umas 10. Elas mandaram ver na primeira subida, e eu resolvi “ficar na minha” quando tudo que via estava bastante embaçado e ficando preto (capicce?).
Quando você sai para fazer uma prova de “vai e vem”, de mais de 165km, você não se apega aos números de quilometragem. As metas eram por partes: 1º apoio, 2º apoio, topo da Columbine (metade da prova), 3º apoio, 4º apoio, topo da Powerline, downhill da primeira montanha, e linha de chegada (que, mesmo com toda essa estratégia de “ir por partes”, não chega nunca!).

A boa notícia é que eu estava conseguindo bater exatamente os tempos para quem faz a prova em 8:30, e cheguei no pé da Columbine prontíssima para encarar aquela escalada – ela que foi, depois percebi, a melhor da minha vida.

Pelotão rumo Columbine
Nela eu ultrapassei dezenas de homens (que tinham me passado naquela primeira serra), e sabia que deveria estar entre as 8 primeiras colocadas. Quando cheguei no 3º apoio, já na volta, alguém me informou que eu estava na 5ª posição.
 
E começou a passar pela minha cabeça tudo o que aquilo significava. Uau.... Mas, mais uma vez, aquela conversa comigo mesma “Foco Vivi, foco. Concentra, ritmo, passo, come, bebe água, foco, concentra, vamos chegar até o próximo apoio defendendo essa colocação”.
Não aconteceu. Pouco antes do 4º apoio fui ultrapassada por uma atleta da Trek em um ritmo excelente. Eu queria ter pulado na roda dela, aproveitado algum vácuo (já estava andando sozinha há horas), mas não deu certo, e vi ela desaparecer na minha frente.

Diferente de outras competições, isso não me abalou. Não é possível encarar Leadville como uma prova normal. Não conseguia enxergar aquela atleta como minha adversária. O cansaço, a falta de ar, a dor nas pernas, nos braços, esses eram meus adversários.

Até 6h de prova eu estava até sorridente. Depois disso foi sobrevivência. Lembrei que encontraria com meu amigo Nat Ross e a estrutura da Oakley na subida da Powerline, e essa passou a ser minha nova meta, chegar lá, sorrir pra eles. E quando cheguei, foi mágico! Foi uma linha de chegada, e uma nova etapa da prova a seguir, com mais 1h de subida íngreme.


O Nat me acompanhou por alguns metros, conversou comigo, palavras de força e motivação. Eu agradeci muito – ele mandou eu ficar quieta, relaxar os ombros, recuperar o máximo possível antes dos 20 e poucos porcento de inclinação – mas eu quis mostrar para ele que tinha colocado seu nome no adesivo especial que fiz para olhar nos momentos difíceis. Ele me chamou de sister. E me deu um último empurrão para aquela subida, ele fez tudo o que ele podia, o resto era comigo. Simbora. Não consegui zerar, tive que caminhar em um pequeno trecho de degraus e pedra, mas logo mais adiante ultrapassei a atleta da Trek (ela empurrando a bike) e nunca mais a vi.

Vento contra e sozinha
5º lugar em Leadville, será que eu vou chegar em 5º lugar? Será que foi isso que o universo preparou para mim hoje? Me belisca? Eu sei que mereço, mas, 5º lugar e bom demais! Não Vivi, foco!!! Foco... foco. Cuidado com o pneu, mantenha-se em cima da bike, solta o freio mas não muito, cair agora não pode. Pedala forte Vivi, não para, mantém o ritmo. Z3 Vivi, Z3... Depois você pensa na colocação.”

Voltando no singletrack legal
A descida da primeira serra foi talvez a descida mais esperada da minha vida. Algo nela que faz  a gente amadurecer. A gente muda depois dela... e o trecho entre ela e a linha de chegada foram as 10 milhas mais longas que já fiz. De tudo dessa prova, a subida da Poweline foi o trecho mais dolorido, mas essas 10 milhas foram ainda piores. É quando você quer acabar, você quer chegar, você quer andar mais pra chegar logo, mas não há nada a fazer além de simplesmente manter o ritmo e “esperar” chegar. Eu olhava para trás com medo de alguém chegar, não via adversárias, mas e se alguém aparecesse esprintando? E se alguém me atacasse? Eu não vou conseguir reagir!!! Cadê a chegada? Será que está depois dessa curva? Asfalto. Curva, subida. Essa é a última subida? Melhor acreditar que não. Meu Deus, é sim, é a última subida. Meu Deus, estou na reta final. MEU DEUS, estão anunciando meu nome, “and in 8 hours and 21minutes, the Brazilian Boom-Boom Viviane Favery Costa, from São Paulo – Brasil”, meu Deus......

Cheguei!

Lembro de abraçar os donos da prova e não querer largar mais. Lembro de receber os cumprimentos do Dave Wiens, lembro do meu pé latejar, doer para pisar no chão, das lágrimas escorrendo, das pessoas me olhando e me parabenizando. Eu era a 5ª colocada, atrás apenas de atletas olímpicas e da campeã e vice campeã mundial.


Sentei e chorei, arranquei as sapatilhas, agradeci a Deus, a minha família, a mim mesma... agradeci por ter sido corajosa, por ter superado os momentos difíceis da vida, por ter me perdoado e aos outros também, porque isso faz parte de todo processo.

Agradeci a minha vida, a minha história, aos meus antepassados. Agradeci ao meu namorado, a toda equipe da Specialized, aos amigos que transformaram essa simples competição em uma experiência de vida inesquecível. Lembrei e agradeci mentalmente a todos que participaram dessa trajetória, desde quando eu era uma menina perdida, buscando rumo na vida.

E sai correndo para esperar a Ally chegar e torcer para ela nos metros finais da corrida. Quando ela chegou, corri junto o quanto deu. Só acabou depois que pude abraça-la e saber que estava tudo bem.

  
  
Agora, rumo ao Brasileiro de maratona!
Sobre o Campeonato Brasileiro de MTB XCM - Picos, Piauí, Agosto de 2015
Só quando passou Leadville que conseguimos planejar a ida para Picos, no Piauí, para o Brasileiro de maratona. O primeiro passo era não sair da altitude, pois ao baixar para mais próximo do nível do mar, em um primeiro momento viria uma sensação boa, de alta performance, mas em um segundo momento, estaria sujeita a uma “baixa”, cansaço e perda de performance. Para postergar essa “baixa”, ficamos o máximo possível a 3.000mts de altitude e voltamos para o Brasil há 4 dias de viajar pro Piauí. O lado ruim é obvio: cansaço, correria.

Domingo, dia 24 de Agosto iniciamos a volta para casa. Mas só consegui mesmo chegar em casa na madrugada de segunda pra terça feira.

Entre terça e quinta precisei lidar com o jetlag da viagem, arrumar a casa, lavar roupa e fazer outra mala, rever familiares e, sinceramente, não sobrou tempo para treinar.

Sexta-feira, 28 de Agosto às 3h da manhã iniciamos a ida de São Paulo até Picos, no Piauí. Chegamos no hotel às 12h30. Exaustão!!!

Sábado fiz meu primeiro treino em 8 das, 1h30 na roda do Loris para acordar as pernas. Foi bom, fizemos o reconhecimento da primeira serra da prova. Pernas pesadas, mas me sentindo bem. É bom puxar o ar e sentir que ele te “abastece” de oxigênio (diferente da sensação em altitude).

O plano para a os 96km do campeonato Brasileiro de MTB Marathon era dar o meu melhor, e ver o que seria.

O calor de 40ºC e a areia seriam os maiores adversários. Bom para mim: tenho uma boa experiência com esse “combo” pelas duas Brasil Rides que tenha na bagagem.

Caprichei no protetor solar (sempre coloco uma camada de protetor com base embaixo do filtro de alto FPS no rosto), e, sabendo dos trechos de empurra bike nos areiões, também besuntei meus pés de Bepantol.

Estava sem quem fizesse apoio, e optei por utilizar isso ao meu favor: estou acostumada a andar autossuficiente, então “vou levar tudo o que preciso, e assim não precisarei parar em momento algum. Será ruim subir a serra com tanto peso, mas a maior serra é bem no começo da prova, pode dar tempo de recuperar nos planos e descidas.”

Na largada percebi que minhas principais adversárias estavam com estratégia oposta (sem camel back, apenas caramanhola na bike), e pensei “ou meu plano vai dar muito certo e eu terei vantagem, ou será o contrário”.

Largamos 1 minuto atrás da elite masculina, e a prova começou mesmo depois do deslocamento de 5km até a estrada de terra. Em um primeiro momento me posicionei atrás das principais atletas do pelotão, Tânia Pickler (campeã Brasileira 2014) e Ana Panini. Mas ao perceber o movimento do pelotão da Sub23 que largou logo atrás, me encaixei e aproveitei o embalo. Depois de um tempo vi que a Tânia me seguiu, e andamos juntas até o início da serra.

Sabendo que subidas são o maior ponto forte dela, abri para que colocasse seu ritmo e tentei acompanhar o quanto pude. Me senti pesada e fazendo mais esforço do que poderia, e tive que diminuir o passo. Aos poucos ela desapareceu da minha frente, parecia que tinha uma âncora me segurando. Tudo bem, vamos em frente, “Vivi, concentra na sua prova, faça seu ritmo. ”

Depois da serra, um singletrack gostoso e fluido até o primeiro trecho de estradão plano. Assim que entrei na estrada percebi a Tânia há uns 300mts. Percebi que meu passo no plano era bom e que poderia alcança-la.

Quietinha cheguei e tentei abrir vantagem. Ela reagiu. Vamos revezar? Ela topou. Fomos uma dupla até a segunda serra (e novamente me vejo disputando posição com alguém que admiro, e que preferiria de fato formar uma dupla do que disputar uma posição!). Na subida, o previsível: lá se foi ela, num giro lindo, voando serra acima. Me contentei com meu ritmo. Dessa vez tentei apenas não perdê-la de vista.

Ao fim da segunda serra, novamente a busca para fechar o gap. Consegui e, logo antes da entrada de um singletrack, dei tudo o que tinha para tentar alguma vantagem. E desse momento até a linha de chegada, foi uma fuga dolorida tentando manter a posição conquistada. Passei batida em todos os apoios, aproveitei o máximo da posição aerodinâmica em cima da minha S-Works Era e dei tudo o que tinha nas subidas. Olhei para trás a cada minuto, e, mesmo na reta final, mal podia acreditar que tinha conseguido manter-me na frente.

Durante 50km da prova, para manter minha motivação, pensava em como eu gostaria de cruzar a linha de chegada, se seria com os braços levantados, se daria um grito, se caminharia com a bike levantada. Mas na hora que isso realmente aconteceu, não consegui segurar o choro, a emoção tomou conta, e eu estava completamente anestesiada.

O abraço apertado do namorado coroou o fim de um grande dia em cima da bike.

Foto: Dasaev Barbosa
Foto: Dasaev Barbosa
Foto: Picos Pró Race

E agora? Brasil Ride!!!
Ainda com os sentimentos a flor da pele (gratidão!!!), preciso me organizar após esse mês de férias, apresentar meu lindo troféu de campeã Brasileira para os colegas do trabalho e me recuperar de todo cansaço.

Tenho 6 semanas até a Brasil Ride, e não consigo segurar o sorriso no rosto toda vez que penso que fiz minha parceira orgulhosa. Eu e a Raiza poderemos usar o uniforme igual, de campeãs Brasileiras. Mal posso esperar para alinhar na largada do prólogo ao lado da minha amiga, e não medir esforços para ajudá-la a conquistar pontos preciosos para representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio 2016!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Matéria Site Specialized Brasil

Imagina como eu fico quando me vejo na homepage do site da Specialized Brasil?
Feliz? Na verdade, é muito mais do que isso... 
É a realização de um sonho, o de ser o que eu faço. 
Quando as coisas se alinham: ser, pensar, agir. Sabe?
A parceria com a Specialized tem sua importante parcela de responsabilidade nisso tudo, no meu ser. 
Tão profundo assim... louco né? 
Eu realmente confio e me identifico com seus valores.
Quando uso aquela rashtag #YourRideYourRules, é porque ela realmente me representa.
Obrigada Specialized por me apoiar sendo o meu melhor eu! 
Sendo assim, sei que posso (e quero) ir muito além.
Que este seja apenas o começo de uma duradoura jornada juntos.
Cheers! 
-Vivi

OBS - clique na imagem para acessar a matéria na íntegra


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Downhill da Vida



Duvido que um piloto de downhill tire as mãos do guidão em plena descida, a milhão por hora. Bom, pelo menos não de propósito, certo?

Então, essa é a sensação que estou neste exato momento, enquanto lhes (me) escrevo este post.

Estou tendo que tirar uma mão do guidão em plena descida, a milhão! Uaaaaaaaaaaa!!!

Com tanta coisa pra fazer, parar para escrever é como se eu tivesse correndo o risco de perder o controle, ou tendo que desacelerar... Mas eu amo escrever, então neste meu paralelo, vamos supor que eu fiz uma pausa no downhill para ligar pra alguém querido... pode ser?

Enfim... A astrologia deve explicar! Alguma formação dos astros alinhados de maneira XPTO e a energia daqui está no auge. Nunca tive que equilibrar tantos pratinhos! Nunca tanta coisa me aconteceu! Nunca tudo tanto fluiu.

Não, não me entenda mal! Eu busquei por isso! Eu sempre quis isso! Não sou eu uma amante de aventuras? Repórter intrépida? Em busca de descobrir e expandir meus limites? Uau... só nunca imaginei que seria dessa forma, conciliando a carreira como atleta, a carreira da atleta (veja bem, são 2 coisas diferentes) e gerente de marketing.

Não cheguei no topo dessa montanha de teleférico não.... nem de carro. Com certeza não foi por nada motorizado!

Também não tinha rota explicando o caminho. Foi no faro – não o meu melhor sentido, já que demorei para aprender o que é um bom cheiro. Quantas bifurcações erradas... só eu e Deus sabemos. Caminhei demais, mas também conheci lugares novos, aprendi muito sobre várias coisas. Que gosto e que muitas que não gosto.

Se foi de bicicleta que cheguei no alto dela, dessa montanha que estou tendo o prazer de descer, também não foi dessas levinhas, com várias marchas. Estaria mais para uma single speed enferrujada de 30kg, de pneus carecas. Que eu carreguei quando não pude pedalar. Que eu concertei quando ela quebrou. Que me ajudou a escolher novos caminhos, que me protegeu de chuvas de granizo, que passou por tantas incertezas comigo que até ela duvidou de mim. Na verdade, demorei para aprender a usá-la...

Aí, quando conquistei o cume – e que visual lá do topo do mundo hein... E como eu esperei por isso! Eu dancei, me emocionei, cantarolei, sorri muito, gargalhei, agradeci, e dancei mais.


Pisgah Stage Race
A descida começou fluida, gostosa, com curvas em swich backs, campo de flores, céu azul, borboletas, canto de pássaros.

Minha criança interior é a mais feliz dessa história toda! Que criança espuleta que não gosta de um downhill? A minha se delicia!

Aos poucos a trilha foi ficando mais técnica, mais íngreme, com algumas pedras. Nada que eu não domine! Eu adoro isso... ter que buscar a linha, ter que criar uma... só não posso tirar o olho da trilha, o corpo tem que relaxar, mas relaxar o corpo é um exercício intenso, que exige concentração. Não posso esquecer de me hidratar, comer. Mas nada de enrolar, o tempo pode virar, eu preciso seguir.

A vida está assim. Estou em um downhill alucinante, o downhill da minha vida. Um presente divino, depois de tanto esforço e dedicação.

Gratidão imensa, não trocaria esse downhill por nada. Cada esforço para subir, compensado em adrenalina, em diversão, em sorrisos, agora.

Me desculpem a minha ausência no blog – eu só não quero perder nenhum instante deste momento tão mágico. Eu quero pilotar, tirar foto, e cantar, tudo ao mesmo tempo. Sou uma criança adulta em pleno trabalho de surfar uma boa onda.

Nada mais paradoxal do que isso, mas é assim que é, não é? 

Entre uma montanha e outra, cada um tem o downhill que merece!

Desejo apenas que Mandela esteja certo em sua frase “after climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb”- que eu possa de fato esperar pela próxima grande subida :D

Foto Bike Amparo - Big SLP 15
PS: Do que eu estou falando? Bem, entre várias coisas bacanas que acontecem, ontem conquistei minha 5ª vitória do ano no Big Biker São Luis do Paraitinga! Neste ano venci o Brasil Ride Warm Up, batendo record da pista, também teve quebra de tempo no Big Biker Taubaté, e fui campeã da primeira etapa do GP Ravelli e do 4Seasons MTB. Nos EUA fiquei em 4º lugar na Pisgah Stage Race (com direito a uma segunda colocação em uma etada de Enduro) e fui vice no Desafio da Mantiqueira. Agora me preparo para o Brasileiro de XCO, Brasileiro de Maratona, Leadville Trail 100 MTB nos EUA, e Brasil Ride. Torçam por mim!!!

Vice campeã na etapa de Enduro na Pisgah

terça-feira, 23 de junho de 2015

Entrevista Rádio Mundial com Cesar Romão

No dia 21/06/15 estive no programa do Cesar Romão, na Rádio Mundial 95.7FM para falar de Caçula de Pneus e, de quebra, um pouco da Vivi Atleta.

Segue entrevista na íntegra!

Obrigada Cesar!