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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Haka Race Passa Quatro - passamos muito mais que quatro...

A terceira etapa do Haka Race 2011 aconteceu no dia 3/09 em Passa Quatro, Minas Gerais. É, já faz mais de 3 semanas e só agora estou escrevendo. Este é apenas mais um caso de digestão trabalhosa! rs Eu falo mas o pessoal não leva à sério: corrida de aventura é pura terapia gente!

Um fato interessantíssimo que me impressionou é que existem 2 cidades com o mesmo nome, ou quase. Santa Rita do Passa Quatro é em São Paulo, perto de Ribeirão Preto. Passa Quatro é em Minas Gerais, pertinho de São Paulo, passando a cidade de Cruzeiros. Já viu né, quase que eu fui pra Santa Rita.. kkk

E Passa Quatro é uma delícia de cidade. Ô lugar gostoso, limpo, organizado, pessoas educadas, atendimento bom, pousada lindinha... deu vontade de voltar pra lá e fazer o pedal que perdemos por causa do corte.


O cenário...
Mas continuando, o Haka foi a 3ª das 3 provas que encarei seguidas. Primeiro o Troféu SP dia 20/08 e depois o GP Ravelli dia 28/08. Eu sabia que era muita coisa, ainda mais pro meu corpinho 2.5 semi-novo, mas quis arriscar mesmo assim. It's just too much fun!

Como em time que está ganhando não se mexe, o Fred colocou eu com o Junior novamente. Realmente tínhamos potencial: não haveria canoagem que é nosso ponto fraco. E o trekking prometia: mais de 21k percorrendo as fazendas, matas, estradas, trilhas e um rio [canyoning]! Só que o Haka é diferente: o preparo físico é apenas um quesito. A navegação, estratégia e experiência no esporte contam muito mais.


A prova
O Haka Passa Quatro largou na praça Matriz. Foi um sprint de aproximadamente 5k até o começo das trilhas. Eu e o Junior estávamos bem, em terceiro na dupla mista. Quando começou o morro, 3 equipes Lebreiros começaram a ir junto [Fred + Isa, Lis + Tarcísio e nós] e quando não tinha nem dado 1h de prova já não conseguíamos encontrar o caminho. Foram aproximadamente 1h40 rodando até perceber que tínhamos passado uma entrada e que a estrada que estávamos não tinha sido marcada no mapa. Chegamos no PC 2 como últimos colocados.

Insights...
Nesse tempo perdidos, tive uma conversa com uma dupla de Araxá muito legal... como a vida real acontece numa prova de aventura. Não se pensa em passado nem em futuro. Nem na chegada. É um estado de presença absoluta, onde as coisas que importam são apenas as essenciais para o convívio, saúde e para seguir no caminho naquele momento. é...

Seguimos para recuperar. O Junior desceu o rapel na cachoeira, eu contornei a montanha [com direito a torção no pé operado, chorinho mimimi e pé na água gelada]. Canyoning por alguns kms caçando pc's picotes e ao término desse trecho cruzamos com a Paula - Lebreira solo [e muito corajosa!].

Seguimos pra estrada e trilho do trem. Distanciamos das outras duas equipes numa corrida firme, segurando apenas nas subidas e apertando nas quase inexistentes descidas. Momento adventure 1 foi no PC picote no túnel do trem, me senti numa historinha de desenho animado... gotas pingando do teto, trilho meio quebrado e breu.

Saindo do túnel erramos um pouco a navegação, nos juntamos com 2 duplas masculinas e seguimos. Começou a piramba. Atravessamos inúmeros pastos, porteiras, cercas e boiadas. E numa caminhada forte passamos mais de 5 duplas masculinas e alguns solos.

Não adiantou muita coisa, na hora de entrar pra trilha que cruzava a montanha e nos levava ao PC 5 (transição pra bike) erramos e voltamos e nos juntamos com várias equipes. Tudo homem, só eu de mulher!

Fizemos várias tentativas, pensamos, procuramos. Eu cheguei a mencionar que deveríamos ignorar o azimute e navegar pelo colo da montanha, esse caminho nos levaria à trilha, mas acho que só eu lembrava dessa coordenada conversada na noite anterior.

Tivemos que arriscar um caminho e só mais uma dupla veio na nossa. Começou o vara-mato.

Foi meu primeiro vara mato. E foi também meu primeiro barranco interminável. Durante essa "escalamatada" no qual o Cocão [acho que esse é o apelido do amigo da dupla masculina] abria o mato pra gente, percebia a importância do planejamento de uma prova. Eu tava com tudo em ordem - líquido, comida [gel, azeitona e o principal life saver ever: porções de purê de batata], cobertor de emergência e espelinho [sim hahaha eu olhava pra cima para ver se havia abertura suficiente para que o helicóptero de resgate pudesse nos encontrar.... kkkkk].

Depois de sugerir ligar pro Leo para pedir resgate e ver a risada do Junior e dos meninos, achei melhor num falar mais nada e confiar. "Nossa gente, isso daqui tá adventure né?"... cri cri...

Eu estava estranhando estar no meio do mato e não encontrar com nenhum bixinho se quer. Quando comentei quase fui xingada rs [era sorte, "num vai zicar a gente Vivi"].


O método de varar mato do cocão era o mais impressionante. Ele é tipo grandão, umas 4 vezes o meu tamanho. Ele ia se jogando de costas com os braços abertos. Aí depois amassava tudo no chão e a gente passava. E ele se jogava de novo e fomos fazendo isso morro acima, seguindo um brejinho.

Mas vou te contar uma coisa... o único problema de se perder e ficar mto tempo parado, navegando, é que a adrenalina dá uma baixada e com isso vem a vontade de.............................número 2! hahaha great. De repente eu tinha um novo objetivo nessa vida: um banheiro.

Fui administrando essa vontade, tentando focar no trekking mesmo não vendo fim naquele varamato vertical.


Depois de algumas horas seguindo azimute caímos em cima da trilha, certinho e em pouco tempo chegamos no PC 5 [BANHEIRO!!!!!].

Quando renasci [pós banheiro], o Junior gritava pra mim, me lembrando que a prova não tinha acabado, que tinha uma dupla mista logo na nossa frente e que tínhamos que manter o foco. Eu até tentei, mas já não conseguia mais... não por cansaço. Isso tava pegando também, mas eu tinha perdido o foco muito antes. Primeiro porque não me toquei que a prova continua mesmo depois do corte e segundo que na vontade do número 2 tinha esquecido que havia uma transição a ser feita.

Ainda tentamos um mini pulo do gato, seguindo pela trilha do trem em vez da estrada. Foi uma idéia tão ruim........ imagina 8hs de prova, escurecendo, pernas trêmulas, você numa bike num single track de pedras soltas no chão, trilho do trem de um lado e barranco da morte do outro?

É nessas horas que a gente reza pro papai do céu e fala palavrão ao mesmo tempo.

Mas deu certo. Chegamos vivos, felizes e lotados de experiência e histórias pra contar. Nossa colocação foi 6º lugar. Na hora eu achei que tivessemos chegado em 5º mas esses dias o Chris me falou que foi 6º, e sabe de uma coisa? Tudo bem, isso é um detalhe comparando ao que foi aquele dia!

Junior, MUITO obrigada pela parceria. Foi um dia e tanto! Super parceria. Valeu mesmo.

Kilometragem Total
Como a bateria do meu Garmin morreu antes de acabar a prova [é claro] - e ok, não usarei mais relógio com GPS em prova de aventura - num sei quanto deu o total, mas só de trekking foram 36 kilometros. Tá bom pra vocês?
Indo pro local da largada, na mesma rua que a nossa pousada!
Check list completado, agora é preparar pra largada!

Lebreiras repartição SP

O Chris, meu maior concorrente

Grito da Equipe - Go Lebreiros!

Momento perdidos master, unindo forças pra seguir firme
Super merecido 3º lugar do Chris com a Geni
Pós prova - logo depois
Logo depois da premiação o Junior partiu de volta pra Ribeirão Preto para encontrar com sua esposa, eles estavam com viagem de aniversário de casamento marcada pro dia seguinte!!!

E eu fiquei lá na praça curtindo, papeando com os colegas de percurso, de insights, de pirambas, de pódios [de outras provas claro], dando início ao processo de digestão de mais uma vivência priceless.

Valeu turma de Araxá [a turma do Freddy Guerra - que aliás tá me devendo várias fotos!!], ao MF, ao João Gelo, à Bia, à Dani Nagaoka, à Luli e Caco e a todos que participaram desse dia!


E um pedido dramático: Togumi, por favoooooor me fotografa algum dia!!!! Nunca tem foto minha poxavida!

:)


Pós prova - semana regenerativa
Na semana seguinte à prova não consegui correr, minha panturrilha estava muito tensa e doía demais, junto com a minha canela. Comecei a fisioterapia e me afastei da corrida por algumas semanas, fazendo apenas deep running, bike e funcional. Tive um princípio de canelite por excesso de esforço, mas já estou recuperada :) Ontem voltei a correr, primeiro na esteira. Amanhã volto pro asfalto.

As conclusões
Esse tempo afastada foi importante para constatar que não vale a pena se gastar tanto como fiz [eu já sabia disso, só fui teimosa] e que massagem não é luxo e sim fundamental para a recuperação do nosso corpo. A gente destrói ele. Concorda que ele merece carinho depois? Esse "custo" tem que entrar no pacote da prova. Essa é a minha nova postura daqui pra frente.

E a próxima aventura agora será a Meia Maratona de Amsterdã. Mas ela não é nada comparado ao que vou encarar em seguida: 6 dias de tour de bike pelo Vale do Luar sozinha. Wish me luck :)

Trecho do Vale do Luar que percorrerei
Fui!

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