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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Relato do Caminho de Santiago de Compostela - 1ª dia

Pessoal, desculpem a demora! Prometo mais agilidade no processo daqui pra frente! :)

Começo agora a contar etapa por etapa desta jornada de 6 dias de bike pelo Caminho Francês de Santiago de Compostela.

O peregrino a pé leva em média entre 5 a 7 semanas para percorrê-lo. Nós, que levamos 6 dias, tivemos bem menos tempo para viver essa experiência tão intensa. Não havia descanso. É um trabalho mental 100% do tempo. Preocupação com logística, possíveis imprevistos, lidar com o tempo pessoal de cada um, fome, frio, calor, dores, reflexões, insights, emoções, encontros e desencontros, etc... se bobear, pedalar era a parte mais fácil!
 
A real é que é quase impossível relatar o que vivemos. Só indo e fazendo com os próprios recursos, e montando sua própria história para entender que não dá para saber do outro!

Considerando que eu dava START ao sair do hotel e STOP ao chegar na cidade de destino, sempre pausando quando saíamos do caminho para atender alguma necessidade, como almoço, loja de bike, correios etc, este é o resumo geral do Caminho (números aproximados):

ELEVAÇÃO ACUMULADA > 13.400
HORAS PEDALANDO > 50h
HORAS EM TRANSIÇÃO > mais de 65h
CALORIAS by Garmin > 20.000

Dia 1 - Saint Jean Pied de Port a Estella

20/06/2012

O Caminho de Santiago começa oficialmente ao passar pelo arco de Saint Jean Pied de Port, ao lado da entrada da Igreja. Cruzamos uma ponte e é aí que a subida começa para acabar apenas no cume dos Pirineus. Eu gostaria de saber disso na hora para ter ido mais tranquila no começo, mas a empolgação não deixou. Fomos indo...

Vista do Arco pelo lado de fora (em cima da ponte)
Ao sair da cidade entramos em uma estrada daquelas estilo Tour de France, mais estreita e de asfalto. De cara cruzamos com dezenas de peregrinos. Sozinhos, em dupla, enturmados em pelotão, quietos, falantes, animados, com mochilão, mochilinha, enfim, cada um com seu estilo e do seu jeito.


E a subida só aperta. Na hora em que se avista a saida para a trilha bate um pequeno desespero, porque não tem descanso, continua subindo em terreno mais técnico.

Single, pedras, caminho estreito e assim vai em um zig zag até alcançar a estrada novamente, para o alívio de meninas empolgadas com uma Go Pro na cabeça e mochila nas costas (sim, tem um mooonte de vídeos que vou publicar aqui, fiquem de olho!).

Dá pra ver as núvens lá atrás
Claro que a câmera num passou nem meia hora lá, arranquei tudo na pausa ao mesmo tempo em que tomava uma Coca Cola no primeiro pit-stop (existem várias "lanchonetes" pelo caminho) vendo se o enjôo e a dor de cabeça passavam. Enquanto isso também me dava conta que o tempo ali era ooooutro. Comecei na marcha errada


Nos demos conta que já estávamos acima das núvens...


Pelo caminho passamos por lugares especiais, como santuários, cruzes, fontes, lugares que convidam para uma pausa para apreciar o momento, o local, descansar por um instante.


O final da subida também é duro, um trecho em grama cheio de pedras bem técnico. E aí,  como tudo que sobe desce, o caminho nos presenteia com um belo downhill, também com trechos técnicos.

Técnico = escadaria longa (porém não muito inclinada), bosque de folhas úmidas no chão, single track em uma floresta com raizes, pontes, buracos, curvas fechadas e pedra solta. Não tudo junto né, mas um pouco de tudo isso em diversos momentos.

Quem não se sente tão a vontade em trilha pode optar pelo asfalto que cruza o caminho algumas vezes.

Nos despedimos dos Pirineus ao chegar em Roncesvalles e seguimos rumo Pamplona para almoçar.

É muito difícil se guiar pelo Caminho de Santiago em cidades grandes, pois as marcações nem sempre são óbvias e visíveis, especialmente para quem está de bike, em uma velocidade um pouco maior do que quem vai a pé.

Contamos com a ajuda de um commuter local (lá é outra história né, muito mais fácil se locomover de bicicleta pelas cidades, respeito ao ciclista, etc...) que nos salvou de uma roubada e nos guiou até o centro por um caminho mais curto e bike-friendly. O Xuxa ia batendo papo com ele e eu tentando acompanhar o pace, não ser atropelada ou atropelar, etc. rs...

Ah, um adendo: o Indurain (vencedor do Tour de 91 a 95) ainda vive em Pamplona! E quem nos contou sobre isso foi um motorista de taxi, para vocês verem como o esporte lá é forte!

A saida de Pamplona é ainda mais desafiadora, especialmente depois do almoço, no pico do calor. Depois de vencer o "labirinto", começa uma subida em trilha que te leva até as hélices de energia eólica. É uma dureza olhar aquele negócio lá em cima e não chegar nunca! O Xuxa abriu de mim em alguns momentos porque era bem técnico mesmo e eu precisei carregar a bike algumas vezes.

A descida desse morro é bem chatinha porque é muita pedra grande e solta, tem que tomar cuidado tanto quem vai a pé quanto de bike. Mas não é muito longa não. Seguimos rumo Estella para nossa primeira noite de peregrinação.

Nesse primeiro dia foram 11h40 em transição de Saint Jean até Estella.


Nos hospedamos no hotel Tximista. Durante o jantar tomamos a liberdade de fazer gelo nos joelhos enquanto comíamos. Éramos os únicos no restaurante do hotel. O joelho gritava... eu ouvia, cuidava e rezava. Ajustei o selim também (dia seguinte o joelho não doeu, constatei então que o problema realmente era esse).

E começava a dura rotina de todos os dias: banho, lavar o cabelo sem creme rinse (e depois escovar!!! - vocês tem idéia do que é isso para uma mulher???), lavar roupas, secar roupas, alongar, liberação mio-fascial com o cabo da escova de cabelo, postar fotos, pensar no dia seguinte, cuidar das partes doloridas e machucadas do corpo e capotar.

Acompanhe aqui todos os relatos do Caminho:
Dia 2
Dia 4
Lembrando que a parceria dos nossos apoiadores KAILASH, GU, GORGEOUS EVENTOS e CAÇULA DE PNEUS e a assessoria da nossa querida treinadora ADRIANA NASCIMENTO, foram fundamentais nessa jornada. Vocês tiveram muita participação no sucesso de cada etapa vencida. Obrigada!!!

4 comentários:

  1. Que saudades do Caminho de Santiago...adorei o seu relato! Parabéns aos dois.
    PS. Tenho uns equipamentos bonitos para vocês!

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    1. Obrigada Johny!!! Eu também fiquei saudosa ao ler seus relatos! Estamos ansiosos para ver esses uniformes viu!!! Bjs

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  2. Vivizinha, não entendi a parte do creme rinse. Por que não? Existem condicionadores em sachê. Pequeninos!!! 6 deles não pesariam nada na sua mochila!!! hehehe!
    Emocionante. Cicloviajar é TUDO!

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    1. Raquelzinha, adorei a visita!!!
      Então, talvez numa próxima eu faça isso, compre sachês. Mas durante o percurso, ao ter que carregar tudo, você quer se ver livre dessas mínimas coisas!! Dessa vez não dava pra levar mesmo. Foi roots! rs

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