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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Relato do Caminho de Santiago de Compostela - 6ª dia - A CHEGADA!

Dia 6 - Cacabelos a Santiago de Compostela - O ÚLTIMO DIA.

25/06/2012

Acordamos, fechamos as mochilas, jogamos ítens dispensáveis no lixo (prática diária) e descemos para o melhor café da manhã de toda viagem

O hotel de Cacabelos foi provavelmente um dos melhores hotéis que ficamos

Ele ficou pronto há pouco tempo e o dono é um senhor muito dedicado que provavelmente tinha uma grana preta guardada para, ao se aposentar, realizar seu sonho de construí-lo.

Nosso quarto era gigante, com muito mais espaço do que precisávamos. Nossa "bagagem" cabia em cima da mesa.
Xuxa alongando no quarto
Uma coisa engraçada dessa viagem foi  a minha dificuldade com os chuveiros. Eles soltavam da parede e o box não era fechado.

Inundei alguns banheiros por causa disso! No final virou motivo de zoação do Xuxa comigo, dizia que eu seria expulsa do Caminho. Eu tentava acobertar as pistas, mas num tinha muita salvação.. hihi

Enfim, voltando pro café da manhã... estávamos cansados e um pouco apreensivos em relação à missão do dia.

Quando você tem 200kms de viagem e peregrinação pela frente, você assume uma posição bastante vulnerável.

Aproveitei as frutas frescas e enchi o bolso da minha Kailash Matero de cerejas. Foi meu GU da manhã.


Assim como nos outros dias, apesar do lindo sol, a temperatura não passava dos 10ºC.


Nos confortava saber que em breve íamos começar a subir (o Cebreiro) e isso esquentaria nosso corpo.


Quando você tem outras coisas importantes para se preocupar, o frio não pode te parar. Nem o calor. Lá nós convivemos com essas duas situações. Você tem que ser esperto...

Pausa para tirar o corta-vento
Ponte medieval em Villafranca del Bierzo
1ª cidade após Cacabelos.
Quando falo que o caminho nos exigiu muito mais do que força física, é desse tipo de força que me refiro.

Estar disposto a lidar com tudo que existe durante uma expedição dessas exige muita força. 
 

Da mesma forma como se faz necessária a sensibilidade
Nossos sentidos devem estar alertas. 
Se eles não estiverem, o Caminho fará seu papel de despertá-los.

E  o Caminho também irá mecher e remecher lá dentro de você recrutando sua religiosidade e toda que nem sabia possuir.

Ele te aceita, do jeito que você é.

É um imenso presente que o peregrino recebe...

O resgate do sentido, seja ele qual for.

Seja seu Deus, quem ou o que você escolheu.

O Caminho te aceita de verdade.


A missão do dia era audaciosa. Ao mesmo tempo que ela iria testar nosso limite, ela era quem ia poupá-lo.
Mais um dia de caminho talvez fosse além do que suportávamos.

200kms exigiria velocidade e resistência, mesmo assim achávamos que esta era uma opção mais compatível com nossa situação.

Seguimos rumo a subida do Cebreiro e à Galícia, provincia onde se situa a cidade de Santiago de Compostela.

Meu pensamento refletia sobre o quanto precisamos para sair de casa. Percebo a tendência em nos abastecer de artifícios para enfrentar o mundo. Quase tudo, desnecessário. Você só precisa mesmo é de você. E de mais alguém.

O Cebreiro é um lugar sensacional. Pegamos alguns trechos de asfalto, mas 90% dele é em single track.

PURO MTB!


Testamos as pernas e nossa capacidade natural de recuperação diária. Essa subida foi dura!!!


Nossos suplementos eram os alimentos que podíamos encontrar pelo caminho.
Frutas, pão, carne, sorvete, suco de laranja feito na hora e Coca-Cola.


E a maior fonte de energia que tínhamos era o próprio caminho com suas paisagens e os peregrinos que se aventuram a pé.


Alcançamos o ponto de divisa das províncias. Estávamos entrando na Galícia.


Uma pedra marca esse ponto. E este moço simpático fazia uso da única sombra do local. Ele estava com o joelho debilitado.


A temperatura nesse dia chegou a 35ºC no período da tarde.


Depois de subir tudo que tinha para subir, chegou o momento tão esperado do famoso downhill que o Xuxa tanto falava.

16km de trilha, tudo para baixo!!! Vejam o vídeo abaixo de um dos trechos.




Durante a descida alguma coisa entrou no olho do Xuxa e um menino oriental muito simpático que estava ao nosso lado no momento deu um colírio para ele! "Tears" ele falava!

Nessa altura do campeonato eu chorava só de alguém olhar pra mim com um sorriso.



Que lugar!!!

E depois do Cebreiro tínhamos muito mais do incerto pela frente.


Trilhas, pueblos, florestas encantadas, cidades especiais... vivenciamos de tudo!



Sempre que possível carimbávamos nossos passaportes.

Cuidávamos para não passar batido por lugares como este.


O combinado entre nós era de não fazer nenhuma pausa longa para não perder o pique e dar aquela moleza pós almoço, por exemplo.

Peregrinos ciclistas da alemanha
A solução foi comer sanduiches em paradas curtas, de no máximo 25-30min. Dá-lhe cheeseburger.


E sempre que achávamos que as subidas tinham acabado, chegava mais uma de surpresa.


Passamos por uma região de fazendas (com um cheiro característico bem forte).

Algumas vezes tínhamos que desviar do gado pastando, atravessando as ruelas.



Quando já estávamos em um estágio maior de concentração (cansaço), avistamos de longe uma bandeira do Brasil na mochila de um peregrino. "Olha Xu, é um brasileiro!".


Chegamos perto dele e começamos a conversar! Este encontro com a gente com certeza era algo que ele não esperava!

Quando ele se virou, uma grande surpresa: ele estava todo equipado de KAILASH, da cabeça aos pés!!! Que demais!

Papeamos por uns 5 minutos, ouvimos sua história, ele começou o caminho de um ponto ainda mais distante do que nós na França e caminhava 30-40km por dia. Que pique!!! 

Ele é do interior de São Paulo. De Franca, se não me engano. 


Definitivamente um encontro especial e muito marcante. Gostaria de me lembrar do nome dele.

Seguimos.



Ah, tenho que contar uma passagem memorável (para não dizer inesquecível) sobre parte... estávamos nessa floresta encantada (foto abaixo), maravilhados com o local, exaustos, vivendo uma verdadeira CATARSE


Não estávamos indo rápido, mas eu estava no vácuo do Xuxa, por algum motivo. Aí, sabe quando você é surpreendido por algo beeeeeeeeeeeeeeeem chato? Sabe quando você está em paz caminhando pela rua e um passarinho faz cocô em você?

Então imagina quando você é completamente bombardeado de cocô (de cavalo ou boi - ainda não consigo distinguir assim tb né..) ECAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, infinitamente ECA!

O Xuxa passou por cima e o pneu de trás dele fez o trabalho de espalhar BEM aquela m.... fresca. Tava mole. ECAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Meeeeeeu que frustração!!!!!!!!!!!!! Nóis lava a cabelera com sabonete, ok. Nóis usa a mesma roupa todo dia, ok. Nóis divide desodorante, ok. Nóis come m..... NÃO É OK!
Bom, assim que chegamos na cidade mais próxima eu mergulhei na fonte de água e depois, quando paramos para o último lanche do dia eu fui obrigada a me despedir da jersey da assessoria (Adri, desculpa, mas tive que dar um fim nela...) e a salvação foi a Dry Fit da Kailash que é fresca, protege do sol e é de manga comprida. Aí sim dá pra continuar.

Seguimos.



Depois de quase 11hs de pedal, 13h30 em transição e 172kms percorridos, a bateria do meu Garmin acabou

Ainda faltavam aproximadamente 30kms para a Catedral de Santiago de Compostela e muitos topzinhos ardidos (que fomos descobrindo ao longo do caminho, pois desconhecíamos essa altimetria final).

Já era tarde, perto das 21h.

Esse sobe e desce final foi MUITO PUNK.

A dor não era muscular, a dor era de desconforto... 

Não aguentava mais ficar com aquela roupa úmida

As partes íntimas já estavam calejadas, mas utilizávamos qualquer desculpa para pedalar em pé na bike.

Andamos mais um tanto e chegamos neste ponto.


Quando avistamos esta placa escrita SANTIAGO mal acreditávamos, estávamos perto!!!

Mas "perto" era muito mais longe do que pensávamos. Esses 25km restantes significavam pelo menos mais 1h30.


Esse pedal final foi duro e inesquecível. Não sei se é pela carga emocional ou se ele realmente é assim, um dos lugares mais mágicos que existem.

Levamos um choque quando saimos da floresta encantada e entramos na cidade. Santiago de Compostela é uma cidade grande, cheia de carros, ônibus, avenidas largas, barulho...

Íamos com cuidado, procurando as últimas conchas que guiam os pelegrinos até a Catedral, tentando não errar o caminho.

Paramos para pedir informações algumas vezes.

Entramos no Centro Histórico.

O coração bate mais forte. Dá umas pulsadas que parece que vai pular pela boca.

A cada curva as pernas adormecem mais.

A voz começa a sair trêmula.

Um filme passa pela cabeça enquanto passamos pelo labirinto do centro.

Dá para ver a torre da Catedral.

Percebo que estou sorrindo.

Um sorriso humilde e tímido.

Ouvimos um batuque diferente, seguimos ele.

Ao lado da Catedral, em uma escadaria que leva para a entrada principal uma dupla toca. Um casal ouve. Pergunto as horas. 11:00pm. Peço uma foto.


Chegamos.

Só emoção. Palavras são dispensáveis.

Gratidão.



Certificado de conclusão do Caminho Francês de Santiago de Compostela
Acompanhe aqui todos os relatos do Caminho:
Dia 4
Dia 5
Quando acaba a peregrinação
A Missa do Peregrino

Lembrando que a parceria dos nossos apoiadores KAILASH, GU, GORGEOUS EVENTOS e CAÇULA DE PNEUS e a assessoria da nossa querida treinadora ADRIANA NASCIMENTO, foram fundamentais nessa jornada. Vocês tiveram muita participação no sucesso de cada etapa vencida. Obrigada!!!  

Deep Running

Pessoal, este é o DEEP RUNNING que eu tanto falo!



Foi o DEEP RUNNING com a Robertinha que me permitiu continuar treinando para a Meia Maratona de Amsterdã no ano passado mesmo estando lesionada, com uma bela contratura nas panturrilhas.

Foram 4 semanas correndo apenas na água. O fisioterapeuta me liberou para correr na rua 7 dias antes da corrida, ou seja, deu só pra sentir que não estava mais doendo, porque não tinha mais treino pra fazer!

Fui pra prova sem saber muito o que esperar, se seria possível manter a expectativa de resultado que tinha antes e no final a verdade é que consegui superá-las!

O Deep Running me poupou de um stress físico e acabou complementando minha base na corrida, possibilitando desenvolver o potencial.

O resultado foi fenomenal, 3 minutos abaixo do esperado. Completei a prova com 1h42.

Recomendo a todos que gostam de correr mas tem algum problema de joelho, para quem está lesionado e não quer parar, para atletas grávidas ou simplesmente para quem curte uma atividade diferente!

O Deep é a salvação dos corredores!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bike Fit

É difícil escrever sobre o Bike Fit sem estudo sobre o tema, pois se trata de um assunto muito técnico e que, por possuir diversas escolas e linhas de conduta, pode ser causar discórdia e polêmica.

Mas o fato é que independente da linha de pensamento do profissional de Bike Fit, fazê-lo pode ser um divisor de águas no relacionamento entre você e sua bike. É quase como comprar uma nova, de tão bom!

No Ativo.com achei uma matéria completa e objetiva sobre Bike Fit que vai matar a dúvida de quem ainda desconfia do procedimento, de sua funcionalidade e relevância. AQUI.

Vou relatar minha experiência.

Quando comprei a Brujita fiz um Bike Fit completo que me permitiu encarar as trilhas, treinos e provas com a segurança de que ela estava ajustada a mim.

Mas por ainda ter poucas "horas de vôo" acumuladas como biker, não tinha como identificar possíveis melhoras e desconfortos gerados pela posição na bike.

Sempre havia um excesso de informações captadas a cada treino que eu cuidadosamente tentava absorver. Muitas vezes esses inputs vinham em forma de belos tombos!

Ao longo deste ano fiz um intensivo e mergulhei nesse aprendizado. Horas de treino e dedicação, leituras, conversas e investimento.

Agora começo a colher alguns frutos de todo esse esforço. Tem sido possível obter mais clareza e fluidez na experiência. Estou me entendendo com o esporte!

Com isso veio a necessidade de refazer o Bike Fit - sim, o bike fit deve ser refeito/reavaliado de tempos em tempos, pois  a tecnologia evolui, os estudos se aprofundam, nós mudamos, nosso corpo muda e nossos objetivos e demandas também.

Marquei com o querido colega de treino Erick Azzi, mestre em Bike Fit, na Pedal Urbano, que possui uma salinha somente para isso (mas ele tb atende em domicílio), sabendo que ia preencher toda minha tarde.


O Erick é praticamente um terapeuta de ciclista! Ele simplesmente conserta seu relacionamento com a bike!

Trabalha com todos os tipos de problemas: suspensão, mesa, selim, guidão... ou mesmo melhorias onde nem sabia precisá-las, como prevenção de lesões.

Tudo começa com uma entrevista / anamnese sobre hábitos, estilo de vida, envolvimento com esporte, objetivos, etc.

Depois faz uma avaliação física de alongamento, utiliza algumas ferramentas específicas, faz algumas medidas e tudo é anotado na minha ficha.

Papeamos muito durante todo esse processo, aproveito para fazer perguntas, matar dúvidas, contar das últimas aventuras etc.


Depois de alguns procedimentos, o Erick confere a posição dos meus taquinhos (vergonha, estava cheio de terra!), faz algumas medidas e mais um ajuste é feito.

Conversamos sobre palmilhas, necessidade ou não de utilizá-las, formas de posicionar os pés sobre o pedal, teorias e etc. 

Vamos pra bike e os reparos acontecem por partes. Selim: altura, ângulo, tamanho, largura etc. Invertemos a mesa. Corrigimos a posição do manete, pensamos em manoplas melhores, regulamos o ângulo do trocador.

Calibramos a suspensão.

Detalhes. Muito detalhes. A soma deles faz uma bela diferença...

Funciona tanto que eu saí de lá reapaixonada pela Brujita, inspirada para cair na trilha e com a sensação de que eu e ela somos uma dupla perfeita!

Além da parte técnica, o Erick me ensinou tudo que eu ainda não tinha entendido sobre a suspensão da bike, calibragem e ajustes. Foi uma bela aula, professor!

Nesse final de semana fui pedalar na M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A Serra da Bocaina (divisa dos estados de SP e RJ) e pude estar o fit, ver estava tudo certo.


Minha maior queixa era uma dor muito forte no trapézio, que sumiu!

Ganhei também mais conforto no selim e nas palma das mãos que eram sobrecarregadas.

Todos os ajustes feitos e esse tempo investido pensando na minha relação com a bike se converteram em confiança e melhora da minha performance nas trilhas, downhils e afins.

Trilha no Parque Nacional da Serra da Bocaina
Ah se eu tivesse ido lá antes de encarar Compostela ...

Mas é tudo válido.. é a preparação para o Brasil Ride, que não vai ser fácil.


Obrigada Erick!

E fica a dica para quem curte pedalar, independente de levar ou não o esporte a sério: faça o Bike Fit, entenda a sua bike e faça com que ela se ajuste a você. Será possível aproveitar melhor o Caminho...

Contato do Erick: erickazzi@hotmail.com

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Perfil VO2max Agosto 2012

O mais legal de tudo é quando suas histórias interessam a outras pessoas.

Eu vejo isso aqui no blog, com a audiência e os comentários feitos aqui ou pessoalmente.
Sempre fico muito feliz. É algo que flui naturalmente, que tenho amor em fazer, que acontece.
Ter esse retorno me dá a maior sensação de satisfação e realização.

Para premiar essa fase com chave de ouro, tive a felicidade de ser escolhida pela redação da revista VO2max como perfil da edição de agosto.

Aí vai a matéria!

DICA: para conseguir abrir a imagem em tamanho que dê leitura, clicar segurando o botão SHIFT que ela abrirá em outra tela na qual será possível dar um zoom.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Relato do Caminho de Santiago de Compostela - 5º dia

Dia 5 - León a Cacabelos

24/06/2012

Fazia 9ºC às 7h da manhã de domingo em León - Espanha quando abriu o portão do elevador de carros do Hotel Paris, no centro histórico da cidade.

Conforme seguimos pela ruela rumo a rua principal, percebemos que a noite lá é uma criança e que muitos baladeiros ainda procuravam o rumo de casa.


Não foi difícil achar o Caminho, a luz dos primeiros raios de sol nos guiou.


E nos levou a cenários como este acima. E abaixo.

Monastério na praça principal
E partimos para mais um dia intenso de peregrinação.


Ainda sem saber se ele seria ou não o penúltimo dia.


 E eu apreensiva com o que poderia ser a tal subida da Cruz de Ferro.


Nosso pelote de dois era uma boa estratégia para aquecer, fazer passar o frio do começo e lidar com os desconfortos do dia, descobrir qual era a "dor da vez".

Era também uma forma de andarmos em um ritmo compatível aos dois (eu atrás dele).


Não me lembro ao certo quanto tempo demorou até encontrarmos com o Orbea* e seus seguidores (é, a turma aumentou!), acredito ter andando um bom tempo na roda do Xuxa numa estradinha plana saindo de León.

*Se você não sabe quem é o Orbea, leia o relato anterior aqui!


Encontrar agregados é sempre uma ótima experiência. Além da descontração, é um momento que nos tira do nosso próprio caminho, nos coloca numa rota paralela, simultânea.

Ao mesmo tempo percorremos o caminho deles. E o nosso, só que de outro ponto de vista.

Pausa para "bocadillos" e afins
Seguimos juntos por uns 40km. Tivemos um momento marcado pela brincadeira dos machos, que se trata de ver quem é mais forte.

O teste foi uma subida de asfalto, quem consegue chegar antes??? E nunca é culpa do Xuxa né... tsctsc.

Eu acabei entrando na onda e indo junto, só que quietinha, na minha lá atrás. O Orbea que começou puxando o pelotão ao lado do Xuxa.

Logo no começo um mocinho ficou e em seguida o amigo legal do Orbea. Eu fiquei na roda dele (Orbea).

Deu um tempinho e o Orbea foi pra roda do Xuxa. Com certeza aquela bagagem estava atrapalhando os planos dele de se tornar o Rei da Montanha.

Nesse momento o agregado novo, um moço legal (só lembro dele dizer que é de uma cidade na costa leste e é a cidade das Palmeiras) de Cannondale, tomou a frenteira e começou uma fuga.

Wow! Começou a brincadeira. O Xuxa partiu atrás e o Orbea começou a ficar. Para seu desespero viu uma meio metro brasileña ultrapassá-lo. hehe

Os meninos estavam arretados e me deram uma canceira, fiquei na roda do Xuxa esperando o jogo acabar.

Uma hora o Xuxa começou a olhar lá atrás, me procurando. Não me via. O moço legal da Cannondale das Palmeiras percebeu e mandou a frase do dia:
- "la chica es fuerte!"
hahahaha o Japa num sabia que eu tava atrás dele.
Yeah baby.

Chegamos em Astorga.

Catedral de Astorga - bora carimbar os passaportes!
Os meninos iam fazer uma pausa longa para lanchar e nós aproveitamos o momento para zarpar logo e não correr o risco de subir a Cruz de Ferro em ritmo de competição!


Enquanto o Xuxa carimbava os passaportes na catedral, esperei na praça, pensando, admirando o local e agradecendo por ter a possibilidade de locomoção, de poder utilizar meu corpo como ferramenta e potência para experiências físicas que proporcionam tanto à alma.


Temos que ser gratos pelas nossas pernas, nossas principais parceiras. Devemos cuidar delas. E de nós.

Partimos.

Durante a subida encontramos algumas cruzes que não era a Cruz de Ferro.


Iniciamos uma parte do Caminho de Santiago de Compostela que é marcada pelo mau cheiro do esterco acumulado nas fazendas.


E também passamos por locais particulares, como este.


Depois de muito subir, parte por trilha e parte por asfalto chegamos finalmente neste local, a Cruz de Ferro.


Um local sagrado, onde muitos peregrinos deixam pertences, fazem pedidos, rezam, agradecem, refletem.. enfim, uma passagem especial.


Ao lado desse lugar há uma capela onde é guardado um cálice que, segundo a lenda, pode ser o Santo Graal.

Dizem também que um milagre aconteceu ali há milhares de anos quando óstea e água se transformaram em pão e vinho durante uma missa rezada a apenas um peregrino que enfrentara a dura subida no maior frio do inverno europeu.


Nos despedimos da cruz e seguimos ladeira abaixo.

(Fizemos vídeos do downhill incrível, irei postar no blog posteriormente, fiquem de olho!)

No final da decida chegamos numa cidade que acreditávamos ser Ponferrada. Era onde iríamos almoçar, eeee.


Olha que lindo...


Vamos comer!

Quando cheguei no restaurante questionei sobre onde estávamos. Disse ao Xuxa que ali não era Ponferrada não, mas ele afirmou que era sim. Ok, entramos.

Almoço merecido em Riego de Ambros
Esse almoço entrou pra história. Por dois motivos: primeiro provei pro Japa que eu sei me localizar (hip hip uhaaa) e segundo porque ele teve a brilhante idéia de matar a sede com vinho! Imagina no que deu.. hehe. aiaiai, crianças... rsrs


E no maior calor dos calores (e ressaca das ressacas), continuamos nosso pedal depois do almoço para, às 16h30, chegar em Cacabelos.

Foram 9h21 de transição para percorrer os 120km que separavam o ponto de partida ao destino do dia.

Fomos recebidos por fofuras como esta:

Casa medieval em Cacabelos
E gravei um vídeo que diz tudo:






Nada como o Google Maps para achar o hotel onde o Xuxa se hospedou com o Rodrigo no ano passado.

Ficamos o check in, banho, roupas pra lavanderia, alongamento, auto-massagem com escova de cabelo e fomos pessear pela cidade escolher o point do jantar. Mas antes o lanche da tarde. Haja fome!

O assunto era sobre a possível investida do dia seguinte: ele seria ou não o último de nossa peregrinação?

Isso me deixou pensativa. Poxa, mas já? Será que estou preparada pra chegar em Santiago?


Pude começar a fazer algumas constatações... a fé e a religiosidade haviam tocado minha alma. Ceticismo já não existe mais em mim.

Percebi que poderia estar fazendo a viagem mais dura e romântica da minha vida.

E que talvez no dia seguinte eu fosse pedalar 200km, mas eu só ia descobrir chegando lá.

Acompanhe aqui todos os relatos do Caminho:
Dia 4
Dia 6

Lembrando que a parceria dos nossos apoiadores KAILASH, GU, GORGEOUS EVENTOS e CAÇULA DE PNEUS e a assessoria da nossa querida treinadora ADRIANA NASCIMENTO, foram fundamentais nessa jornada. Vocês tiveram muita participação no sucesso de cada etapa vencida. Obrigada!!!