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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Relato do Caminho de Santiago de Compostela - 5º dia

Dia 5 - León a Cacabelos

24/06/2012

Fazia 9ºC às 7h da manhã de domingo em León - Espanha quando abriu o portão do elevador de carros do Hotel Paris, no centro histórico da cidade.

Conforme seguimos pela ruela rumo a rua principal, percebemos que a noite lá é uma criança e que muitos baladeiros ainda procuravam o rumo de casa.


Não foi difícil achar o Caminho, a luz dos primeiros raios de sol nos guiou.


E nos levou a cenários como este acima. E abaixo.

Monastério na praça principal
E partimos para mais um dia intenso de peregrinação.


Ainda sem saber se ele seria ou não o penúltimo dia.


 E eu apreensiva com o que poderia ser a tal subida da Cruz de Ferro.


Nosso pelote de dois era uma boa estratégia para aquecer, fazer passar o frio do começo e lidar com os desconfortos do dia, descobrir qual era a "dor da vez".

Era também uma forma de andarmos em um ritmo compatível aos dois (eu atrás dele).


Não me lembro ao certo quanto tempo demorou até encontrarmos com o Orbea* e seus seguidores (é, a turma aumentou!), acredito ter andando um bom tempo na roda do Xuxa numa estradinha plana saindo de León.

*Se você não sabe quem é o Orbea, leia o relato anterior aqui!


Encontrar agregados é sempre uma ótima experiência. Além da descontração, é um momento que nos tira do nosso próprio caminho, nos coloca numa rota paralela, simultânea.

Ao mesmo tempo percorremos o caminho deles. E o nosso, só que de outro ponto de vista.

Pausa para "bocadillos" e afins
Seguimos juntos por uns 40km. Tivemos um momento marcado pela brincadeira dos machos, que se trata de ver quem é mais forte.

O teste foi uma subida de asfalto, quem consegue chegar antes??? E nunca é culpa do Xuxa né... tsctsc.

Eu acabei entrando na onda e indo junto, só que quietinha, na minha lá atrás. O Orbea que começou puxando o pelotão ao lado do Xuxa.

Logo no começo um mocinho ficou e em seguida o amigo legal do Orbea. Eu fiquei na roda dele (Orbea).

Deu um tempinho e o Orbea foi pra roda do Xuxa. Com certeza aquela bagagem estava atrapalhando os planos dele de se tornar o Rei da Montanha.

Nesse momento o agregado novo, um moço legal (só lembro dele dizer que é de uma cidade na costa leste e é a cidade das Palmeiras) de Cannondale, tomou a frenteira e começou uma fuga.

Wow! Começou a brincadeira. O Xuxa partiu atrás e o Orbea começou a ficar. Para seu desespero viu uma meio metro brasileña ultrapassá-lo. hehe

Os meninos estavam arretados e me deram uma canceira, fiquei na roda do Xuxa esperando o jogo acabar.

Uma hora o Xuxa começou a olhar lá atrás, me procurando. Não me via. O moço legal da Cannondale das Palmeiras percebeu e mandou a frase do dia:
- "la chica es fuerte!"
hahahaha o Japa num sabia que eu tava atrás dele.
Yeah baby.

Chegamos em Astorga.

Catedral de Astorga - bora carimbar os passaportes!
Os meninos iam fazer uma pausa longa para lanchar e nós aproveitamos o momento para zarpar logo e não correr o risco de subir a Cruz de Ferro em ritmo de competição!


Enquanto o Xuxa carimbava os passaportes na catedral, esperei na praça, pensando, admirando o local e agradecendo por ter a possibilidade de locomoção, de poder utilizar meu corpo como ferramenta e potência para experiências físicas que proporcionam tanto à alma.


Temos que ser gratos pelas nossas pernas, nossas principais parceiras. Devemos cuidar delas. E de nós.

Partimos.

Durante a subida encontramos algumas cruzes que não era a Cruz de Ferro.


Iniciamos uma parte do Caminho de Santiago de Compostela que é marcada pelo mau cheiro do esterco acumulado nas fazendas.


E também passamos por locais particulares, como este.


Depois de muito subir, parte por trilha e parte por asfalto chegamos finalmente neste local, a Cruz de Ferro.


Um local sagrado, onde muitos peregrinos deixam pertences, fazem pedidos, rezam, agradecem, refletem.. enfim, uma passagem especial.


Ao lado desse lugar há uma capela onde é guardado um cálice que, segundo a lenda, pode ser o Santo Graal.

Dizem também que um milagre aconteceu ali há milhares de anos quando óstea e água se transformaram em pão e vinho durante uma missa rezada a apenas um peregrino que enfrentara a dura subida no maior frio do inverno europeu.


Nos despedimos da cruz e seguimos ladeira abaixo.

(Fizemos vídeos do downhill incrível, irei postar no blog posteriormente, fiquem de olho!)

No final da decida chegamos numa cidade que acreditávamos ser Ponferrada. Era onde iríamos almoçar, eeee.


Olha que lindo...


Vamos comer!

Quando cheguei no restaurante questionei sobre onde estávamos. Disse ao Xuxa que ali não era Ponferrada não, mas ele afirmou que era sim. Ok, entramos.

Almoço merecido em Riego de Ambros
Esse almoço entrou pra história. Por dois motivos: primeiro provei pro Japa que eu sei me localizar (hip hip uhaaa) e segundo porque ele teve a brilhante idéia de matar a sede com vinho! Imagina no que deu.. hehe. aiaiai, crianças... rsrs


E no maior calor dos calores (e ressaca das ressacas), continuamos nosso pedal depois do almoço para, às 16h30, chegar em Cacabelos.

Foram 9h21 de transição para percorrer os 120km que separavam o ponto de partida ao destino do dia.

Fomos recebidos por fofuras como esta:

Casa medieval em Cacabelos
E gravei um vídeo que diz tudo:






Nada como o Google Maps para achar o hotel onde o Xuxa se hospedou com o Rodrigo no ano passado.

Ficamos o check in, banho, roupas pra lavanderia, alongamento, auto-massagem com escova de cabelo e fomos pessear pela cidade escolher o point do jantar. Mas antes o lanche da tarde. Haja fome!

O assunto era sobre a possível investida do dia seguinte: ele seria ou não o último de nossa peregrinação?

Isso me deixou pensativa. Poxa, mas já? Será que estou preparada pra chegar em Santiago?


Pude começar a fazer algumas constatações... a fé e a religiosidade haviam tocado minha alma. Ceticismo já não existe mais em mim.

Percebi que poderia estar fazendo a viagem mais dura e romântica da minha vida.

E que talvez no dia seguinte eu fosse pedalar 200km, mas eu só ia descobrir chegando lá.

Acompanhe aqui todos os relatos do Caminho:
Dia 4
Dia 6

Lembrando que a parceria dos nossos apoiadores KAILASH, GU, GORGEOUS EVENTOS e CAÇULA DE PNEUS e a assessoria da nossa querida treinadora ADRIANA NASCIMENTO, foram fundamentais nessa jornada. Vocês tiveram muita participação no sucesso de cada etapa vencida. Obrigada!!!  

4 comentários:

  1. Oi Vivi,
    há pouco vi sua publicação no face e resolvi fazer uma visita ao blog. Achei demais sua aventura e o compartilhamento das experiências.
    Parabéns! É inspirador.

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    Respostas
    1. Oi querida, que delícia sua visita, fiquei muito contente!!! Muito obrigada
      :)
      Beijo grande

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  2. Adorei a carona, hehe, só fiquei um pouco tonta...kkk
    bjs

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