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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Relato Tour de los Andes [Parte 5] - 3ª Etapa

TOUR DE LOS ANDES 2013 - 3ª ETAPA
Dos Valles - Cerro Catedral
Domingo, 17/02/2013 - 9h00 - 2°C com vento e chuvisco, frio do caramba!!!
83km, 4h15, 1.00m+, 9000m-, avarage heart rate 157 bpm

Uma etapa plana, de estradão e costelinhas, pedras, poças, estradão, "cow ribs", pedras, poças, eventualmente uma ponte, um topzinho, estradão, costelinhas de vaca, pedriscos, estradão..........


A prova começou com um trecho de asfalto e nós protegidas no pelotão, pedalando forte para ficar ali. Sabíamos que aquele era o nosso pelotão por reconhecer os rostos: eram os mesmos meninos que pedalavam ao nosso lado a todo momento durante a prova.

Vimos que logo vinha a entrada de um single e de pouco adiantou sair e tentar entrar na frente, os pelotões entravam em blocos, deixando o circuito travado e devagar. Tudo bem...

Esse single levou até um double track por onde seguimos por mais alguns kilometros. Tivemos que pular cercas, acho que foram 3. Quando chegamos na primeira ficamos meio atrapalhadas, tentando entender o que estava acontecendo. Mas nas outras 2, já atentas, encontramos uma maneira eficiente de pular e passar as bikes. Rapidin.

Nesse trecho a hermana solo da elite estava com a gente e não fizemos esforço para seguir com ela. Logo, a Marilia - Brazuca - nos passou e ficamos na torcida para que ela chegasse na Argentina. 

Eu e a Dri tínhamos um objetivo nessa prova e ele não incluia sair do nosso ritmo, por isso nem passou pela nossa cabeça perseguir as meninas.

Chegamos no tal do estradão. Nem 5 minutos nele e eu já estava procurando a entrada do próximo single track. Oo... não tem próximo single track...

Era esse estradão por mais uns belos 40, 50 ou mais kilometros.

O primeiro pelotãozinho que se formou não deu pra gente. Seguimos revezando, as duas.

Muito tempo depois uma turma chegou na gente, e ficamos com eles - por muitas vezes nós com a cara no vento.

Foram nossos companheiros por vários kms, até que quem estava puxando cansou e ninguém foi pra frente. Aproveitamos pra comer e ver o que acontecia.... cri-cri.... nada. A teacher me chamou de lado e partimos numa não-fuga sem a menor ameaça de perseguição!

Seguimos revezando.
Tinha vento de tudo quanto é lado.
Ah, e o dia estava maravilhoso. Para quem estava agasalhado.
A chuva foi pro lado oposto e o sol era de rachar (de frio).
Tínhamos que ficar espertas com o guidão, qualquer rajada de vento podia jogar a bike se não estivessemos segurando firme.

Estávamos próximas do fim do pesadelo do estradão quando avistamos um apoio e a entrada para um single track. A Dri olhou pra traz e viu aquele pelotão vindo. Caçulete, fica espera que o pelotão tá chegando. 

OKAY! Ligamos o turbo!!!

O single foi uma maravilha! Tirando as partes em que tínhamos que desclipar, subir um barranco de areião ou coisa assim, foi sucesso. Digo isso porque meus pés estavam congelados e parecia que eu pedalava com os meus joelhos. Nas horas de clipar no pedal tinha grandes dificuldades!

Ganhamos várias posições nesse single. A parte técnica (além das subidas e descidas) eram uma grande vantagem que tínhamos em relação a maioria.

Aquele pelotão se desfez e aos poucos reconhecemos alguns rostos (ou bikes) que foram chegando na gente, próximos à última e única subida da etapa, logo no final. (Acho que na trepada passamos todos eles de volta, hehehe).

Mas estávamos esgotadas. O percurso plano de estradão desgraçado, o frio de rachar, pés congelados (como dói!) e o organismo pedindo mais alimento. Escalei (trepei hehehehe) comendo para ver se passava a sensação ruim (ela só passou mesmo no quentinho do nosso quarto - santo hotel!). A Dri impôs um ritmo forte, acompanhei. (mesmo assim não sentimos calor).

E..... quando avistamos o pórtico e tudo que nos separava dele era uma reta....... tcharammmmmm uma voltinha pela montanha de Cerro Catedral!!!! Um último topzinho e uma ultima descidinhaaaaa que delicia!!! rsrsrs Mas a gente gosta de sofrer, quanto pior melhor e a etapa estava se superando nesse quesito!

Descida com direito a obstáculo perigoso no meio: na diagonal, uma vala seguida de lomada - não quis nem saber, fui com td e consegui pular!! weheeeeee

E chegamos! Concluímos!! Atingimos nosso objetivo! E vencemos!!!!!!

Emocionante... muito mais do que vencer, crescer!
Cruzar o pórtico de chegada foi como atravessar um portal para uma nova fase, foi a conclusão de um processo, um novo começo...
Foi isso, em parceria com uma das - se não a - pessoa mais iluminada que eu conheço.
Obrigada Dri por tudo, mais uma vez te agradeço pela oportunidade de ser sua aluna, conviver com você e ter sido sua parceira. Obrigada!!!


Agradeço também ao nosso patrocinador nessa empreitada, a rede de lojas Caçula de Pneus.

E aos meus apoiadores Kailash (bermuda de ciclismo testada e aprovadíssima), GU (sachês de Gu Brew e GU2O são meus melhores amigos) e Gorgeous Eventos: VALEU!!!


E um "gracias" muito especial à equipe do Club de Corredores, pela atenção e cuidado com a gente. Obrigada Valentina!

A Tour de los Andes foi uma experiência inesquecível pra mim por motivos pessoais, mas o cenário, o percurso escolhido e preparado com muito carinho, o clima do evento, a festividade e as pessoas que celebram essa prova foram também responsáveis pelo sucesso e qualidade desse meu desafio.

Recomendo a prova a todos que buscam um desafio fora de SP, mas ao mesmo tempo perto de casa; duro mas ao mesmo tempo cheio de recompensas, sério mas leve!

E para quem curte o perrengue de estar submetido ao clima "patagônico" bi-polar: fique nas barracas! rs. Se você prefere mais conforto e um belo bife amilasena, sugiro se hospedar em Cerro Catedral e almoçar e jantar todos os dias no restaurante do hotel Knapp.

É uma prova ideal para levar a família e aproveitar para passear depois.


Dri, aguardando a premiação com um amigo!


Time Brasil! Marilia, Dani, Cris, Dri e eu

Obrigada por me acompanhar,  ler meus relatos, comentar e mandar boas energias. Talvez você não saiba, mas me acompanha em cada desafio. :-) Até a próxima!!!

Vídeo da etapa!


Relato Tour de los Andes - Parte 4 - 2ª Etapa

TOUR DE LOS ANDES 2013 - 2ª ETAPA

Camping Suizo - Dos Valles
Sábado, 16/02/2013 - 9h15 - 4°C
42km, 3h, 1.500m+, 1.360m-, avarage heart rate 159 bpm

Largada Dos Valles
Às 7h em ponto estávamos sentadas dentro do "calorzinho" da van aguardando os outros atletas chegarem. 

O combinado era sair às 7h, e foi aí que começamos a constatar que nossos hermanos não são nem tão preocupados em cumprir horário, nem estão incomodados com quem acredita que horário combinado vai (e deve) ser cumprido.

Estávamos tanto assustadas com o descuidados dos amigos quanto preocupadas com a hora da largada que era às 8h (assim achávamos).


Depois de um "chamado" da Dri - que entrou no hotel deles para dar um ultimato (eles ainda estavam se vestindo e iam tomar café da manhã) - ficamos sabendo que a largada tinha mudado pras 9h.

Esperamos mais um pouco e partimos todos juntos e felizes para o Camping Suizo, próximo ao lago Gutierrez. Pertinho.

O clima lá era, bom, primeiro de muito frio e vento ameaçando chuva (4ºC), e segundo de uma comunidade de bikers que curte o que faz, não se importa em passar um perrengue e está pronta pro que der e vier! O pessoal vai pra essa prova em turma, leva a família, é um ambiente gostoso. Muito provavelmente eu era a Caçulinha por lá também.

Pegamos nossas bikes no bike park, estavam limpinhas com a chuva que despencou a noite toda. Só precisou de um óleo na corrente.

Nos acolhemos em um ponto de ônibus abrigado próximo ao pórtico com outras equipes, pessoal muito simpático e calorento! Sem pernito, manguito.. tá louco... Ficamos lá, pedindo pro sol dar as caras, esperando...

Como o dia era de trepada (uhuuu) optamos por largar sem corta vento, e caso houvesse necessidade, pararíamos para vestir antes da descida.

O percurso do dia nos levaria ao topo da mesma montanha por 3 caminhos/lados diferentes e depois por 3 descidas animalescas maravilhosas insanas com vistas do tipo quero descer pra sempre muito legais.

Alinhamos na frente e começamos a 2a etapa do Tour de los Andes. Como vai ser hoje? Veremos... (literalmente, não sabíamos ao certo quanto subia, a kilometragem da etapa, pra onde iríamos... rsrs o percurso mudou e como não estávamos no briefing na noite anterior, não sei se foi ou não em cima da hora que ocorreu essa mudança - e quando achávamos que tínhamos a informação correta, na largada um moço nos confirmou que estávamos erradas - mas não deu tempo de saber o que era certo! Péeee, largou!).


O início da serra testou nosso equilíbrio num single em subida estreito. Com concentração, confiança e alguns "chega pra lá", consegui manter a linha atrás da Dri.

Já me sentia uma pessoa muito melhor do que a do dia anterior (por inteiro, não to falando só de força, maturidade ou concentração, não.. to falando de tudo junto mesmo). Uau...

Ainda estávamos aquecendo no ínicio de prova, só no começo da serra quando a atleta elite solo nos passou, dando um comprimeito "amigavel". Foi uma questão de tempo e inclinação para, em nosso ritmo, passarmos ela e nunca mais vê-la. Subida é a nossa praia :-)
[e essa história de trepadoras num sai da minha cabeça kkkkk]

Como tudo que sobe desce, cada "trepada" era compensada com um donwhill emocionante, um mais sensacional que o outro. Num deles tivemos a oportunidade de descer numa pista de downhill, com drops, bumps (e chicken ways rs).

Esse downhill me rendeu a primeira bronca do dia. Eu sabia que a Dri estava se divertindo atrás de mim, mas sabia que ela estava quase dormindo com a minha velocidade tb! Quando acabou e começamos a subir novamente - a terceira e última subidona da etapa -  comentei que estava me sentindo com culpa e mal de ter ido na frente dela, de a ter privado do deleite de voar morro abaixo. O recado dela foi simples, direto e claro: sentimento proibido, somos uma dupla! Ooooops... ain. Uau...


A ultima descida foi pelo mesmo lugar da 1ª subida, uma estrada cheia de cotovelos, era a hora de botar em prática a técnica de fazer curva direito. Nota 10! Congelamos mas estava no fim.

A chegada a Dos Valles foi por um bosque lindo, de filme! Era uma plantação de árvores de natal! Tentei compartilhar esse pensamento com a Dri, mas minhas bochechas não mechiam e ela não conseguiu entender nada.

E com 3h de prova, felizes e satisfeitas, cruzamos a linha de chegada! A Caçulete tá virando mocinha, disse a teacher! Que orgulho :-)

Fomos as primeiras mulheres a cruzar a linha de chegada! :-)


Sem pensar duas vezes corremos pra dentro da van para colocar uma roupa seca antes de atacar a macarronada de almoço com aquela carne deliciosa na tenda da organização. yumi...



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Relato Tour de los Andes - PARTE 3 [1ª etapa]

TOUR DE LOS ANDES 2013 - 1ª ETAPA

Cerro Catedral - Camping Suizo
Sexta-feira, 15/02/2013 - 9h30 - 14°C
49km, 2h19, 753m+, 984m-, avarage heart rate 164 bpm

Saco plástico no pé, por fora da meia e por dentro do pernito. Hace frio!
Há exatos 30 segundos da largada do Tour de los Andes 2013 resolvi tirar meu corta-vento, uma boa escolha considerando que os primeiros 5 kilômetros de prova eram de escalada (quero dizer, trepada - no mais correto espanhol) em uma via de esqui do Cerro Catedral.

Legionárias
Marilia, Cris e Dani
Avistamos algumas concorrentes e isso era importante apenas para saber onde estavam, pois o foco tinha que estar em nós, na nossa estratégia e em como estávamos nos sentindo.


Contagem regressiva e lá fomos nós, no pelotão da frente. Em menos de 500mts começamos a subir e a Dri impôs um ritmo agressivo. Ali não era possível pensar em mais nada a não ser controlar a respiração, manter a cadência e transformar a ardência das pernas em energia positiva.

O solo era traiçoeiro algumas vezes, com trechos de areião e pedra solta.

O fim da escalada foi marcado por um topzinho estreito. Minha caçulice manteve meu olhar para o chão e para a Dri, o que não permitiu antecipar algum movimento que favorecesse minha passagem por aquele ponto. O cara da minha frente caiu e eu tive que reduzir. Perdi o equilíbrio e tive que correr o restinho do trecho. Perdemos tempo - essas coisas fazem diferença numa prova. Subi na vassoura e soltei o freio, bora pra baixo.

Era um switchback em estrada, terreno similar à escalada. Minha ansiedade me levou ao extremo de duas curvas seguidas. Sem perder o controle (nivel mínimo de maturidade exigida para a situação!) consegui corrigir e a Dri me deu os toques necessários. E esse erro nunca mais foi repetido. 45 minutos de prova: 2 lições computadas.

A segunda parte da prova foi replata de presentes: singles recém construidos em falsos planos, diversão pura!


Entre um single e outro, estradas e pelotões.

Ganhamos algumas posições (tanto na descida quanto nos singles) e sempre que necessário a Dri ia na minha frente dando uma aula particular de pilotagem. Sem contar a beleza de assistir de camarote a destreza da nossa mestra.


Vimos algumas coisas engraçadas, como uma poça gigante com uma opção de caminho "livre" pela esquerda - bastava olhar procurando alternativas. Mesmo assim encontramos corredores e bikes nadando na poça... (há 1 ano atrás eu estaria dentro da poça certeza!rsrs).

Próximo do final da prova comprei meu primeiro e único terreninho da Patagônia. Conforme expliquei a um amigo que tentou tirar uma onda (por eu ser detentora oficial do título "Rainha do Capote 2012" e ser forte concorrente para sua defesa em 2013), se trata de uma kitnet simples no qual só cabe uma "caçulice" portanto ninguém poderá usufruir! rs
Foi um escorregão na trilha, olhei pra frente demais e esqueci de fazer a curva, a roda da frente bateu num toco e quando consegui pensar em uma reação, já estava no chão. Chacoalhei e subi na vassoura novamente.

Passamos por um trecho de estrada saindo da trilha cheio de torcedores, familiares e locais acompanhando a nossa passagem, que foi vibrada de uma maneira muito forte, algo que nunca vivi antes (só um parêntesis: adoro meu nome... tantos trocadilhos...)! 

Tanta gente torcendo por mim, por nós!! De arrepiar... a alma sorri, a saúde agradece.

Percebemos que éramos as primeiras mulheres a passar por ali.

Mais uma trilha e em uma curva a grande surpresa: o pórtico!

CHEGAMOS!!!

Um milagre... isso realmente está acontecendo comigo? Estou em uma prova de mountain bike na patagônia argentina correndo em dupla com a Dri? Chegamos? Ganhamos? Nos saimos bem?

Caramba....

Tarde da noite nosso desempenho foi confirmado, o resultado oficial foi publicado no site: Legionárias Adri Nascimento 1ª colocação damas, 1as mulheres a cruzarem a linha de chegada, 8º lugar das duplas masculinas. Uau...

Relato Tour de los Andes - PARTE 2

O Tour de los Andes começou muito antes da largada. Não falo nem dos treinos, mas sim da logística, de entender a prova, de reservar hotéis, traslados, trechos aéreos, acertar patrocínio, fazer as camisetas, testar a bike, etc.

Eu e a Dri tivemos tempo de pedalar juntas apenas no final de semana anterior à viagem (se bobear esse foi o único "treino" que ela fez - monstra). 

Aproveitamos esse pedal juntas para fazer algumas fotos:




E também fazer o vídeo que já postei no blog, AQUI.

Depois disso fizemos a última revisão nas bikes (acerto de pneus, freios, pastilhas, câmbio, calibragem de suspensão e detalhes assim) e as embalamos, um serviço delicado que exige experiência e conhecimento no assunto. A Dri é profissional nesse assunto tb! Se não fosse ela acho que eu acabava embalada dentro do mala-bike junto com a bicicleta!

Gambiarra: utilizamos tapwares presos nas rodas para proteger os rotores de freio
Na mala, além das roupas básicas e do equipamento de bike, as ferramentas que precisam estar em dia para a hora do perrengue.

conferindo se tem alguma câmera de ar furada
Antes de fechar a mala é sempre bom dar uma segunda conferida na previsão do tempo. Ainda não sabíamos que San Pedro de Bariloche era bipolar... A sorte foi que um amigo nos avisou que fazia frio em Cerro Catedral. Graças a ele inclui manguitos, pernito, faixa de orelha e luva de frio na mala. Frio de verão é sussa... (vai achando...)


O Tour de los Andes acontece nas redondezas da cidade de San Carlos de Bariloche, famosa por sua estação de esqui. 

Bariloche, como é conhecida, fica próxima à Cordilheira dos Andes, fazendo divisa com o Chile. É rodeada por lagos formados por água de degelo e por montanhas, como o Cerro Tronador (2.254m de altitude) e Cerro Catedral (2.050m de altitude).

Chegada em Cerro Catedral


A subidinha da largada do 1º dia é logo ali...
Segundo o nosso motorista-guia da van, o principal lago da região - Nahuel Huapi - possui mais de 700mts de profundidade (ainda não confirmados). Ou seja, ali embaixo existe um vale gigante, talvez tão grande quanto a montanha Cerro Catedral que vemos à sua margem!

Outra curiosidade que perguntamos a ele foi sobre o motivo do nome Catedral ao cerro e ele confirmou a suspeita da Dri: é possivel ver em seu pico formas estruturais que lembram ao de uma catedral. Fato!

São Carlos de Bariloche lembra um pouco a estrutura de Campos do Jordão: cidade rodeada por montanhas que quintuplica sua população durante a temporada de inverno, vive do turismo e possui um centrinho comercial bacana, cheio de restaurantes e lojas legais. 
*DICA: Restaurante em Bariloche BOLICHE DO ALBERTO - carne deliciosa e empanadas inesquecíveis!

Cerro Catedral, onde fica a estação de esqui e onde foi a largada da primeira etapa e chegada da 3ª, fica a aproximadamente 25 minutos do centro de Bariloche. Durante o verão, ônibus fazem esse traslado a cada 1h30 por um valor bem acessível.

Também nessa estação, alguns restaurantes e estabelecimentos comerciais permanecem em funcionamento e os preços de hospedagem são acessíveis, o que permitiu que nos hospedássemos lá durante a prova.

Arrumando os joelhos da Brujita!

O que sobrou da minha "marmita" - Rotores intactos!!!
Optamos por não ficar nos acampamentos da prova porque vimos que a 2ª e 3ª etapa largavam próximas a Cerro Catedral (Camping Suizo - próximo ao Lago Gutierrez - 15min de CC e Dos Valles, um pouco depois do Lago Gutierrez, 30min de CC) e assim poderíamos evitar possíveis perrengues caso chovesse ou fizesse muito frio.

Uma coisa que quem for deve ficar atento é que poucos estabelecimentos estão aceitando cartão de crédito e apesar do Peso Argentino ser desvalorizado em relação ao Real, as coisas lá são caras.

Logo na chegada sentimos o friozinho. Super suportável! Até bom! (vai achando...). Seguimos para a retirada do kit.



CHIQUÉÉÉÉÉÉÉRRIMO, EQUIPE 2!!!
Encontramos com nossas amigas Brazucas fanfarronas Dani Nagaoka, Cris e Marilia. A Dani e a Cris dominaram o El Cruce (corrida de montanha a pé de 3 dias organizada pela mesma estrutura do Tour de los Andes no fim de semana anterior) e que não satisfeitas resolveram defender o título lá! A cia delas foi diversão garantida!


E partimos para um giro, teste das roupas no frio e das bikes.

Lago Gutierrez
Adri
Vista Lago Gutierrez -  Sem querer, fomos na subida do percurso da 3ª etapa

A sexta-feira amanheceu com um clima duvidoso, e nossa desconfiança em San Pedro começou (ainda nada que desse dica do que estava por vir).

"to be continued" - continuação saindo do forno!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Relato Tour de los Andes 2013 - PARTE 1


O mais legal de viajar para uma prova com a minha treinadora é que eu fui obrigada a reconhecer minhas caçulisses... Elas incluem: 

1) Levar bronca da comissária de bordo por estar tirando foto das cordilheiras durante o pouso 

 

2) Acabar com a energia do hotel tentando plugar um benjamim quebrado na tomada 

3) Preparar a bebida isotônica na noite anterior achando que estaria agilizando alguma coisa (isso se faz o mais próximo possível da prova..) 

4) e o prêmio Caçulisse 2013: sair para a última etapa do Tour sem capa de chuva só porque dizem que lá é verão, mesmo quando tudo indica o oposto... Montanhas cheias de neve, vento acima de 60km/h e temperatura na casa dos 0•C. OK? (Conto desse episódio mais pra frente).

Vista do hotel: Cerro Catedral com neve no topo
Mas o que aprendi de verdade é que as minhas "caçulisses" tem pouco a ver com minhas atrapalhadas... e tudo a ver com a minha forma de direcionar o pensamento, agir e, assim, de estar no esporte.

Muitos podem pensar que o mais legal de correr em dupla com a Dri é a força e o potencial da equipe em termos de performance. 

Claro que isso também, quem é competitivo sabe o quanto é bom ganhar! Mas não é por aí..

Tê-la como parceira nesse desafio foi um banho de aprendizagem, de auto conhecimento e controle. Lições para toda vida, coisas muito mais importantes do que vencer a corrida.

Durante 2012 investi nos treinos, me dediquei, levantei dos tombos focada em corrigir os erros, estive disposta a abrir a cabeça e perder o medo...

Ganhei técnica e força, mas faltava saber utilizar tudo isso com sabedoria e maturidade.

Procurei nessa experiência com a Dri a consistência: descobrir qual é meu ritmo, o que é e como é ser inteligente no esporte.
Largada 1ª etapa
Foram 3 etapas/dias de prova, ou seja, 3 oportunidades novas de colocar em prática as lições da teacher.

Largada 2ª etapa
A cada dia me senti melhor, mais realizada e com a sensação de estar no caminho certo.
Fui me dando conta de que ser inteligente é ser eficiente. Coisa tão óbvia... tão difícil de praticar...

Chegada Cerro Catedral
Entendi que ser eficiente significa poder extrair o melhor do esporte. É estar inteiro e leve.

Começo e final da prova em Cerro Catedral - Bariloche
E apesar do cansaço, foi como me senti ao longo dos três dias, cada vez mais inteira... e apesar da comilança, eu era pura leveza.

Cerro Catedral - subida do 1º dia
Foi fantástico sentir as mudanças dentro de mim durante cada etapa, os sentimentos encaixando-se no lugar certo, a razão agindo com sentido, sabedoria.
Não gostamos de ser turistas, gostamos de ser bikers.
Ver meu foco guiar meus gestos, minha visão, a respiração, a escolha..
Momento inesquecível, emocionante.
Na verdade, o aprendizado continua. Celebro essa conquista consciente de que tem muito mais pela frente...
Pódium DAMAS
Teacher, Caçulona, bruxa mãe, monstra: MUITO OBRIGADA!!!

Esse meu sentimento de gratidão me lembra o que senti quando cheguei na Catedral de Santiago de Compostela...

Brasileiras vitoriosas
E agradeço também a todos que nos acompanharam, torceram, mandaram mensagens, curtiram, comentaram, mandaram boas energias... OBRIGADA PESSOAL!

Brasileiras vitoriosas e felizes
Aguardem, em breve publico o relato completo da prova com mais imagens e boas histórias. :-)

RELATO
vídeo pré viagem
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5