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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

sexta-feira, 22 de março de 2013

Relato Big Biker 2013 - Itanhandú [1ª etapa]

A 1ª etapa do circuito de maratona de MTB Big Biker aconteceu no domingo passado - 19/03 - em Itanhandu, como de costume. Eu sou nova na área, mas tem gente que visita a região para essa etapa do Big há mais de vários anos - o circuito é tradicional e o que agrega novidade ao percurso é o clima e a disputa entre os atletas.

Em 2011 participei de uma prova de aventura do Haka em Passa Quatro - cidade vizinha de Itanhandu - e me apaixonei pelo lugar. Desde então faço questão de me hospedar no mesmo lugar, curtir a região montanhosa e a cidadezinha cheia de repertório.

A novidade dessa vez foi que convenci minha mãe e minha avó a irem comigo, para curtirem as atrações turísticas - como o passeio de trem - e vivenciarem um pouco do mundo das bikes. Intensivo de "legionárias" nelas!

Nossa pousada estava cheia de legionários, pelo menos uns 10! Mamãe e vovó - já famosa em nosso grupo (ela me ajuda a elaborar as brincadeiras internas quando envolve o uso do photoshop) - puderam conhecer quase todo mundo pessoalmente.
No dia da prova, "liberei" elas para dormirem até mais tarde e irem apenas para a chegada. Peguei uma carona muito especial com a Dani Genovesi até a largada (obrigada Dani!). Aqueci, alinhei, rezei, conversei com as pessoas queridas que encontrei e preparei a cabeça pra largada.

Nessa hora você já deve ter toda prova na cabeça. Não há dúvida nem questionamento. O que é, é. "O que não tem solução já tá resolvido". Sem drama, just go. E a confiança nessa hora é proporcional a todo esforço que você colocou para estar presente naquele momento.


Não sabia qual resultado esperar em relação à colocação, pois sempre competi em dupla. Em dupla tudo é diferente.

Meu objetivo não era chegar em primeiro, e sim fazer o meu melhor, usar a cabeça e obedecer meu planejamento. Isso sim poderia me trazer resultados.

No primeiro topzinho da prova um cara parou na minha frente. Eu estava desviando dele quando o fulano "cuidadosamente" desmontou da bike como quem não se importa com quem vem atrás e me deu um belo chute, desequilibrei e cai pro lado. Para o meu orgulho (e da minha mãe), não falei nenhum palavrão, lembrei que aquela brincadeira ainda tinha muuuuito chão pela frente. Segui.

Aos poucos fui alcançando as meninas que estavam na minha frente. Acompanhei cada uma delas por algum tempo. Meu ritmo foi se mostrando consistente ao passo que depois de um tempo a situação se invertia e eu acabava abrindo distância.

Acredito que era metade da prova quando avistei a Mari Carcute de longe. A Mari ganhou não apenas essa etapa de Itanhandu como o circuito Big Biker no ano passado. Pedalar ao lado dela já é um resultado incrível pra mim. Tive que ficar fria para manter a concentração.

Fui junto com a Mari durante muito tempo. Em determinado momento, próxima da área de apoio, cruzei com a Dani Genovese parada, pois tinha quebrado o câmbio traseiro de sua bike, estava todo torto!

"Caramba, será que é hoje (que eu tenho uma chance..)?" Mas eu num deixava esse pensamento passar pela minha cabeça!! A prova ia começar na subida da serra do Palmital, logo depois do apoio e ainda tinha muita coisa pela frente.

10k pra cima. E depois mais 30k socando a bota até o final. Era bom eu tomar cuidado para não danificar o equipamento, não ter um pneu furado e muito menos cair. Tinha que manter atenção com a hidratação e alimentação para não morrer na boca do gol - ou no pé da serra, no caso.

No apoio, vi que a Mari precisava reabastecer e foi nessa hora que pude tentar alguma coisa. A partir de então não tenho muito o que relatar...subi com força total e mantive o ritmo até onde pude.

A chuva que castigou a maioria dos atletas e deixou a descida da serra extremamente técnica me pegou nos kilometros finais. O paralelepípedo da cidade estava um sabão, me obrigando a sossegar o facho ao me aproximar do fim da prova.

Entre careta e outra, cruzei a linha de chegada segurando o choro. Logo vi minha mãe e minha avó pulando de alegria ao me ver! Minha vó estava comemorando meu 2º lugar!!! Até que a Dri explicou que, na minha categoria, eu era a 1º!! Ela ficou maluca! Foi uma delícia comemorar com as duas!! Ou melhor, foi uma delícia comemorar com todo mundo, todos que ficaram felizes por mim, não tem preço compartilhar essa alegria. Obrigada pessoal!!!!

 

Só não consigo ficar mais empolgada agora, pois estou me recuperando de uma fratura - e cirurgia - no V metacarpo da mão esquerda. Sofri uma queda boba no trilho do trem no giro leve de sábado lá em Passa Quatro. Na hora parecia não ser nada e decidi largar na prova. Assim que a contagem regressiva começou e meu corpo se esbaldou em endorfina, toda dor passou. Ela só começou a dar as caras nas descidas, principalmente nos 2 downhills depois da subida da Serra do Palmital. Nesse ponto eu já não me permitia outra opção a não ser aguentar a dor e terminar a prova, defendendo minha posição o máximo possível. Na volta a SP passei no pronto-socorro para ver o que era, achando se tratava de um ligamento estirado. Fiquei chocada quando vi a imagem abaixo...



É nessas horas que você vê o coração das pessoas. Não consigo ficar triste, pois o apoio que tive - e estou tendo - da minha família e dos amigos (obrigada Zé por tudo!!) não tem preço. Eu me emociono toda vez que olho pra cara do meu médico (coitado, já tá achando que é pessoal) pois por algum motivo a figura dele me faz perceber o quanto estou cercada de amor, carinho e cuidado. Não dá pra dizer que algo ruim aconteceu...

Agradeço toda minha família e amigos por todo suporte que me deram. Daqui a pouco estou zero bala, nada que uma boa funilaria não resolva :-) Valeu!!!

Agradeço também meus apoiadores Caçula de Pneus, Kailash e GU / Honey Stinger por todo suporte e parceria, OBRIGADA!!!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Adventure Camp 2012 - O filme!

Em dezembro participei de um treinamento especial da minha treinadora Adriana Nascimento e fui com ela e mais duas alunas - Grazi e Carlinha - para a última etapa do Adventure Camp, circuito de corrida de aventura, que aconteceu na praia da Baleia - São Sebastião - SP.

Esse "treino chique" em quarteto feminino foi para nos expor a situações adversas, nos tirar da zona de conforto e ver como nos comportamos nessas condições. Tivemos que aprender a conviver com as famosas catecolaminas - substância do medo - e ter domínio das nossas reações.

Conto tudo sobre essa experiência AQUI, relato que fiz logo depois da corrida.

O legal foi que levamos conosco o Duane Rios, cinegrafista do Portal Armário Feminino, onde trabalho e sou colunista. Ele foi sem roteiro, com a liberdade de criar o que quisesse. O resultado disso foi esse filme lindo e emocionante, um presente para todas nós! Assista aqui:

lalala

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da mulher - divagando sobre o assunto...

Ando meio dramática, mas não acho justo deixar de escrever por causa disso. Afinal, somos todas assim, temos nossas fases. Não é questão de ser forte ou fraca, é uma simples questão de ser complexa! Nossos sentimentos muitas vezes nos comandam, independente do que a razão nos diz. Me considero uma mulher prática, mas só de ser mulher.. ok, talvez não seja tão prática assim. Eu vivo o processo! A maioria deles nem tem idéia do que é o processo. Precisam resolver o problema! A gente deixa o problema ser resolvido... A maioria deles não acompanha nosso desenvolvimento emocional. Gostamos de conversar, de se entender de deixar esclarecido. Eles até conversam, mas assimilam apenas até a letra B. Depois disso, com todo respeito, meninos, o tico e teco desconecta! A gente se desentende, mas continua se amando. E seguimos tentando se comunicar de algum jeito. Não é porque a gente tem mais facilidade com os sentimentos que temos que cobrar isso deles. Eis uma constatação difícil. Mas duro mesmo é assumir uma postura firme, quando tudo o que queremos é um abraço moldado. Que mulher não sabe do que estou falando? É quando o instinto de preservação da nossa auto-estima é acionado e a gente lembra que precisamos, antes de mais nada, cuidar de nós mesmas (eles judiam da gente!). É fundamental! Não apenas no look, o cuidado com as unhas, cabelos, pele, a dolorida depilação... mas principalmente na estética interna. Temos que preencher a alma de cores e luz. A gente tem que ficar muito bem. Precisamos de descanso, paz, tranquilidade e sossego (e muitas vezes, infelizmente, temos que buscar isso longe deles!). Alegria e felicidade brotam daí. Haja força. 
Enfim... acredito que esse nosso dia seja uma celebração justa, um reconhecimento da complexidade da natureza feminina, delicada e tão bruta. Nossa força sustenta a vida humana. Nossas rugas não vem à toa...

terça-feira, 5 de março de 2013

Saudades da dor

Quem compete sabe do que estou falando. Não se trata de uma dor expecífica que sentimos durante uma prova ou treino, e sim da soma de diversos fatores internos e externos, dores que são tanto físicas quanto emocionais. Te dou exemplos: o esforço extremo, a concentração máxima, o controle da ansiedade, o clima, a pressão para obter os melhores resultados, obstáculos pelo caminho, todas as coisas que abrimos mão para poder estar ali, etc... tudo isso causa desconforto e quando é tudo junto, dói!

Para superar um desafio e/ou atingir um objetivo no esporte (e na vida) precisamos lidar com a dor, ter condições e recursos de suportá-la.

Nós treinamos para condicionar o corpo, melhorar a performance e também para nos acostumarmos com o desconforto. Nossos limites se expendem, criamos novas referências do que é sofrer. Tem pessoas que sofrem com um simples corte na pele. Para uma biker, sofrimento é acontecer algo que a afaste da bicicleta.

Mas não me entenda mal, não menosprezo pequenos machucados. A questão é que adiquirimos controle dos sentimentos, sabemos o que fazer quando algo acontece e assim seguir sem grandes "dramas". Aprendemos a priorizar as coisas, resolver uma de cada vez, deixar o que pode esperar para depois. E pode ter certeza que não vamos desistir de um desafio que foi tão batalhado por algo que é suportável.

Mas ter saudade dessas dores? Sim... quando valeu a pena conviver com ela, quando ela fez parte de uma experiência de superação, de crescimento, da realização de algo extraordinário na sua vida, a saudade daquele momento de sofrimento aparece.

Sinto saudades de me sentir tão forte, de estar realizando algo que planejei por meses, de estar de corpo e alma presentes apenas naquilo: no percurso, na parceria, nas pedaladas, na respiração, nos batimentos cardíacos, na preparação para o caminho incerto que tem pela frente...

No Yoga isso tem um nome: meditação. Funciona em outra posição, tem um mantra, possui um ambiente apropriado, enfim, é completamente diferente, mas pra mim o propósito é mesmo: um encontro com o divino.

E é disso que eu tenho saudades. Esse momento que descrevi acima me conecta com o universo, com a nossa condição humana, com a vida e a morte, o certo e o incerto. Me sinto parte da paisagem, pertenço àquele solo, eu e a montanha somos um time. A dor vem junto com a paz e a felicidade plena.

E é profundo assim.

Caminho na direção de novos desafios, de mais dores e sofrimentos, de mais conquistas grandiosas, sabendo que a chegada não é o maior triunfo, pois as recordações e lições que temos dessas experiências são, em sua maioria, de tudo o que vivemos enquanto estamos no caminho até a linha de chegada.

Faz sentido pra vocês?

Pra mim isso tudo dá mais sentido pra vida...

Bom dia a todos :-)