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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

terça-feira, 5 de março de 2013

Saudades da dor

Quem compete sabe do que estou falando. Não se trata de uma dor expecífica que sentimos durante uma prova ou treino, e sim da soma de diversos fatores internos e externos, dores que são tanto físicas quanto emocionais. Te dou exemplos: o esforço extremo, a concentração máxima, o controle da ansiedade, o clima, a pressão para obter os melhores resultados, obstáculos pelo caminho, todas as coisas que abrimos mão para poder estar ali, etc... tudo isso causa desconforto e quando é tudo junto, dói!

Para superar um desafio e/ou atingir um objetivo no esporte (e na vida) precisamos lidar com a dor, ter condições e recursos de suportá-la.

Nós treinamos para condicionar o corpo, melhorar a performance e também para nos acostumarmos com o desconforto. Nossos limites se expendem, criamos novas referências do que é sofrer. Tem pessoas que sofrem com um simples corte na pele. Para uma biker, sofrimento é acontecer algo que a afaste da bicicleta.

Mas não me entenda mal, não menosprezo pequenos machucados. A questão é que adiquirimos controle dos sentimentos, sabemos o que fazer quando algo acontece e assim seguir sem grandes "dramas". Aprendemos a priorizar as coisas, resolver uma de cada vez, deixar o que pode esperar para depois. E pode ter certeza que não vamos desistir de um desafio que foi tão batalhado por algo que é suportável.

Mas ter saudade dessas dores? Sim... quando valeu a pena conviver com ela, quando ela fez parte de uma experiência de superação, de crescimento, da realização de algo extraordinário na sua vida, a saudade daquele momento de sofrimento aparece.

Sinto saudades de me sentir tão forte, de estar realizando algo que planejei por meses, de estar de corpo e alma presentes apenas naquilo: no percurso, na parceria, nas pedaladas, na respiração, nos batimentos cardíacos, na preparação para o caminho incerto que tem pela frente...

No Yoga isso tem um nome: meditação. Funciona em outra posição, tem um mantra, possui um ambiente apropriado, enfim, é completamente diferente, mas pra mim o propósito é mesmo: um encontro com o divino.

E é disso que eu tenho saudades. Esse momento que descrevi acima me conecta com o universo, com a nossa condição humana, com a vida e a morte, o certo e o incerto. Me sinto parte da paisagem, pertenço àquele solo, eu e a montanha somos um time. A dor vem junto com a paz e a felicidade plena.

E é profundo assim.

Caminho na direção de novos desafios, de mais dores e sofrimentos, de mais conquistas grandiosas, sabendo que a chegada não é o maior triunfo, pois as recordações e lições que temos dessas experiências são, em sua maioria, de tudo o que vivemos enquanto estamos no caminho até a linha de chegada.

Faz sentido pra vocês?

Pra mim isso tudo dá mais sentido pra vida...

Bom dia a todos :-)

  

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