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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Eu e o XCO – uma relação de amor e ódio!

Como o próprio nome já diz, o Cross Country Olímpico é a modalidade olímpica do Mountain Bike, que consiste em dar voltas em um circuito fechado e técnico, cheio de obstáculos, subidas e descidas. Ganha quem chega primeiro.

Diferente de maratonas/ultra-maratonas, o XCO atrai grande público, já que os atletas passam várias vezes no mesmo lugar. O público também pode circular pela pista e ver a corrida de diversos “ângulos” durante o evento (geralmente até no máximo 1h45min) – o que é bem divertido até pra quem assiste.

Essa modalidade é pra mim a mais dura de todas do mountain bike. É muito difícil pilotar em competição acirrada no circuito super técnico e manter a concentração total em si mesmo, isso tudo com o coração na boca – e, diga-se de passagem, com a comida também voltando pra boca (eca!! – pelo menos é o que acontece comigo rs).

Talvez seja difícil pra mim por eu treinar para longas distâncias e muitas horas de selim. Mas a verdade é que nunca fui fã de contra-relógios / corridas explosivas.

Tudo bem que nada se compara com um XCO, mas quando fiz minha melhor meia maratona (a pé) depois de muito treino, lembro de terminar estressada. Quando fiz um short de triathlon, foi  a mesma coisa – cruzei a linha em 4º e xingando o cara que inventou a modalidade.

Esse negócio de largar, perseguir e ser perseguida, e simplesmente ter que andar o mais rápido possível, no limiar o tempo todo, sempre me esgotou. Sou encantada pelas provas longas, que dá tempo de pensar estrategicamente, planejar e curtir certos momentos.

“Mas então qual é a graça Vivi? Por que você se atreveria a fazer XCO?”
Porque além da trilha técnica e da torcida (eu amo as duas coisas), estou sempre em busca de melhorar e desenvolver minhas fraquezas. Por isso me inscrevi no Circuito Pague Menos by Ravelli, que foi no último domingo em Nova Odessa.

Além disso, todos os aspectos de uma prova de XCO agregam muito ao treino: a explosão, a pilotagem/técnica, competitividade, foco, estratégia, concentração... Por isso, sempre que possível, encaixo uma prova dessa modalidade no meu calendário.

O percurso, montado pelo próprio mestre Ravelli, estava impecável. Quase toda em singletrack, descidas fluidas, subidas técnicas, obstáculos difíceis e desafiadores.

Como eu fui? Bem! Consegui segurar a 5ª colocação (yeeeeey!!!) e fazer parte de um super pódio com as principais atletas do país! Mas eu parecia uma desgovernada na trilha. Aleatoriamente a cada volta eu acertava obstáculos que depois eu errava, e vice-versa, e assim foi até o fim.  Ficou muito claro que o que controla uma prova dessas é o pensamento. Qualquer lasquinha de pensamento fora do foco de onde você tem que ir te atrapalha – e isso é algo que eu preciso treinar.

O que ficou? Além de uma tatuagem nova após um tombaço na ultima volta, ficou claro cada ponto de fraqueza, cada detalhe que posso trabalhar para melhorar. Ficou claro que tenho muito que evoluir e que ao mesmo tempo já dei um salto imenso desde quando comecei.

Ficou um aprendizado e a vontade de seguir colhendo lições, e essa é a minha relação de amor e ódio com o Cross Country Olímpico!


J

Crédito das fotos do evento: SportStock





Crédito: Eduardo Rodrigues

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Relato Brasil Ride 2014

A Brasil Ride acabou sábado passado, mas só ontem retornei da Chapada Diamantina, após merecidas férias.

[Crédito das fotos: Sportograf / Brasil Ride]

Vista da Cachoeira da Fumaça, que estava seca.
Realmente a região é especial. Além das paisagens espetaculares, da comida deliciosa, dos rios e cachoeiras, das cidades curiosas e cheias de história, possui as melhores trilhas que já pedalei.

Pelas ruas de Igatu, cidade de 300 habitantes (foto arquivo pessoal)
Trecho do Downhill de Igatu (Trilha do Capa Bode) - (foto arquivo pessoal)
Lençóis (foto arquivo pessoal)
Demora uns dias para se acostumar às pedras e areia (e pedras com areia em cima que deixa tudo mais escorregadio), mas depois de rodar o prólogo e acelerar na largada da prova, a pedalada flui e é um tal de sobe e desce pedra muito bom - para quem curte trilha, é claro.

Prólogo
Minha Specialized Woman Era S-Works 29" full suspension significou mais do que uma conquista na minha carreira de atleta, pois eu tinha em mão simplesmente a melhor ferramenta possível para o que iria enfrentar. Uma máquina maravilhosa que tirou sorriso do meu rosto mesmo nos momentos mais difíceis.

(foto arquivo pessoal)
Quem acompanhou a prova pelo facebook, insta e afins, com certeza soube que esse ano tinha muito mais areia que no passado, deixando os percursos mais "pesados". Não posso reclamar disso, acho que meu peso ajudou a passar os areiões :)   - mas que tem muita areia... isso tem!!!


Quando decidi que ia fazer a Brasil Ride nesse ano, coloquei como pré requisito ter uma dupla que, antes de mais nada, fosse uma pessoa com quem tivesse muito respeito e amizade.

Queria formar uma parceria forte, pois sei que em uma prova como essas - uma das mais difíceis do mundo -, nossos limites são testados e nossas fragilidades são escancaradas, ficamos vulneráveis.

Eu não queria compartilhar isso com qualquer pessoa - e também não queria ter grandes surpresas em relação ao meu parceiro no meio da competição.

Foi baseado nisso que propus ao Mandetta a parceria. Além de ser um grande amigo e parceiro de treinos, nosso nível técnico é muito parecido e ele estava cada vez mais focado e forte na bike.


Foi muito especial poder correr com um amigo, compartilhar as dificuldades e conquistas. E no meio disso, um pouco de diversão. 

Infelizmente meu parceiro não teve dias muito bons na bike, sofreu brutalmente com o calor do 2º dia, e acabou tendo um desempenho geral aquém do que era capaz. 


Mesmo assim tivemos momentos de muita força juntos. Um deles, em que o "Mandetta foi o Mandetta", foi na 6ª etapa, voltando de Rio de Contas pra Mucugê. 

Começamos a etapa muito devagar, com cuidado para ter energia até o fim. De repente, por volta do km 70 o "Pag" despertou e disparou montanha acima, me largando pra trás.

Depois de uma conversa acertamos o ritmo da dupla e seguimos recuperando uma boa parte do "tempo perdido" no início da etapa.


A TAL DA 2ª ETAPA (Mucugê X Rio de Contas)

Também tivemos um pouco de falta de sorte com problemas mecânicos, principalmente na 2ª etapa.

Antes de entrar no Vietnam, o Mandetta - já sofrendo com o calor - teve problemas com o freio traseiro, e removemos as pastilhas. Até aí tudo bem.

O problema é que essa etapa da Brasil Ride exige toda e mais um pouco de treino e reserva de energia que temos e isso, somado ao calor que estava, atrapalha qualquer planejamento.

Um dos problemas de pedalar cansado e se sentindo mal em trilhas é que fica quinhentas vezes mais difícil de pilotar a bike. 

Qualquer obstáculo se torna um obstáculo de verdade... em um trecho que não deveria oferecer nenhum perigo, o Mandetta acabou se enroscando em uma bike que foi deixada muito perto da trilha, e nessa queda boba machucou feio o antebraço (depois teve que levar 15 pontos!!).

Entrada do Vietnam
Mais pra frente, tive um chain suck BIZARRO, a corrente prendeu em três lugares diferentes (chain master fuck), e levamos por volta de 1h para resolver o problema, entre soltar a corrente, ver que não era suficiente, afrouxar/soltar a coroa, perder um parafuso na areia, tentar prender a corrente no calor e desespero, querendo sair daquele lugar o quanto antes.

Na correria e adrenalina para não perder o corte - as longas pausas pro Mandetta se refrescar na água nos deixaram sem margem para problemas mecânicos - acabei dando uma porrada no disco traseiro em uma descida de pedra bem técnica no final do Vietnam - o que me custou uma roda 95% travada. Não tínhamos tempo e resolvi seguir com a roda presa mesmo, até onde desse.

Saída do Vietnam
Depois do Vietnam, subimos mais um pouco e descemos muuuuuuuuuito, uma descida íngreme em estradinha e muita areia. Fui embora achando que ele estava na minha roda, já subi a outra rampa tentando usufruir de algum momentum. Tinha uma respiração atras de mim e achei que era ele, mas quando cheguei no topo e olhei, não reconheci nenhum dos rostos. E tampouco ele estava por perto. Comecei a voltar e depois de um tempo nos encontramos, ele teve que descer a pé, pois não tinha mais freio dianteiro.

A essa altura eu já sabia que a nossa linha de chegada não seria em Rio de Contas, e sim no corte de Arapiranga. O Mandetta - acho que por conta do cansaço - não estava compreendendo nossa situação e tinha certeza que chegaríamos em Rio de Contas pedalando. (Confesso que eu já nem tinha mais pique pra isso).

Arrumamos o freio dele e depois o meu. E seguimos para Arapiranga.

Não foi tanto frustração que eu tive, e sim raiva, estava brava. Tínhamos 100% de condições de terminar a etapa e com um bom tempo. Eu tinha que ter sido mais firme e puxado meu parceiro para fora do Vietnam o quanto antes possível. Não fosse tanta curtição da água (e eu de certa forma passiva - não queria ser chata) não teria tido chain fuck e nem me enrolado na pedra depois. Teríamos tempo para arrumar o freio dianteiro e passar do corte.

Quando chegamos em Arapiranga eu já tinha deixado pra traz minha braveza e estava tentando extrair alguma lição. Me juntei as outras meninas divertidas que também ficaram no corte e começamos a compartilhar nossas histórias e fazer piadas. Pudemos dividir o gosto amargo de ficar no corte e não concluir uma etapa. Tinha muita gente lá, mais de 50 pessoas com certeza.
Acho que essa foto foi tirada pelo celular da Pamela!
O Mandetta se juntou aos outros meninos legionários também cortados, todos tentando compreender o que deu errado - e outros apenas sobrevivendo, ainda passando muito mal pela desidratação.

Mais tarde - se não apenas no dia seguinte pela manhã - ficamos sabendo que todos que ficaram no corte de Arapiranga continuavam na competição com uma penalização de 5 horas.

Por causa da desclassificação do dia anterior, tinha me preparado para fazer o circuito do Cross Country (3ª etapa) a tarde, quando a pista estivesse vazia, para poder curtir. Com a notícia, me arrumei correndo e fui pra largada. Acabei alinhando lá atrás, o que me custou caro pois tenho certeza que um bom local na largada me garantiria a 4ª volta. Eu acabei dando 3 e o Mandetta 2 voltas - ele aproveitou o dia para recuperar.
Etapa XC
A 4ª etapa foi talvez a melhor de todas. Tivemos um desempenho regular e me diverti muito no downhill do Kamikaze. Nos trechos mais quentes da prova tive o luxo de beber água super gelada do meu camel back que começava a descongelar. Apesar da nossa diferença de ritmo na subida, meu parceiro manteve-se constante e chegamos muito bem em Rio de Contas. Acho que foi nossa melhor colocação na prova.

A 5ª etapa começava com uma subida pouco íngreme, primeiro em estrada depois em trilha com muita areia. Depois seguiríamos em trilha por um bom tempo. Fizemos uma largada forte com o intuito de ficar no pelotão do meio e conseguir chegar bem nas trilhas - onde teríamos potencial para andar bem e ganhar um tempo.
Um pneu furado no começo da descida em trilha roubou muito tempo e nossa largada forte garantiu apenas que não ficássemos muito pra trás. Conseguimos recuperar apenas um pouco do tempo que perdemos.

Já dei uma pincelada de como foi a 6ª etapa, retorno de Rio de Contas pra Mucugê acima. Foi nossa melhor etapa como dupla, a partir do KM 70 entramos em um ótimo ritmo e assim seguimos até o final.
Trilha sensacional na 6ª etapa
O último dia foi para fechar com chave de ouro uma prova sem quedas sérias e curtindo as trilhas de Mucugê. Foram quase 4hs em despedida e conclusão desse grande desafio que é a Brasil Ride. Os treinos, o cansaço, a dificuldade de conciliar o trabalho com a bike, as inseguranças sobre condição física e etc... a resposta de tudo estava ali - eu consegui! É possível / FOI possível.



Foi muito diferente do que eu esperava, uma batalha mais de cabeça do que de perna, mas isso me ajudou a determinar melhor meus objetivos na bike, deu mais consistência aos meus valores e, de uma vez por todas, fez eu acreditar em mim mesma.

O que fica agora é mais e muita vontade de pedalar e superar meus limites. Não vejo a hora de subir na bike e começar um novo ciclo. Que venha 2015 e novos grandes projetos!

Valeu super pag amigão Mandetta! Essa ficou pra história!

Obrigada a todos que me apoiaram e tornaram essa missão possível: Família, namorado, amigos e todos os colegas de trabalho. Sei que é estranho e difícil compreender e conviver com essa minha vida minha dupla (e meu stress na véspera de prova que tb é duro!). MUITO OBRIGADA, amo vocês.

Aos meus parceiros e apoiadores, imensa gratidão: Caçula de Pneus, Specialized, Pedal Urbano, Mr. Tuff (NUUN, Honey Stinger, Optimun Nutrition), Adriana Nascimento, Marcos Maitrejean (Movimento Funcional).

Um muito obrigada especial à equipe Pedal Urbano (Guto, Renato, Zé Mecanico, Pimpolho, Dani, e toda turma) que me deram um apoio profissional essencial para fazer uma Brasil Ride tranquila e com prazer de subir na bike limpa, lubrificada, calibrada e regulada a cada dia. Sem contar com a torcida e risadas! Valeu pessoal!

Mudando de modalidade, competição fervorosa! rs (foto @verdeciclista)
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