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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

De profissional atleta para atleta profissional

Uau.... Com tanta coisa para contar, por onde começo esse texto? Faz tempo que não escrevo, os últimos meses foram focados nos treinos e no trabalho para poder sair de férias merecidamente.

Não sei se começo falando do Brasileiro de Maratona, na qual conquistei o título de Campeã Brasileira 2015 depois de uma dura disputa com a segunda colocada (!!!); ou se conto primeiro da Leadville Trail 100 MTB, prova de 100 milhas no Colorado (EUA) há 2 semanas, na qual conquistei um incrível 5º lugar dentre atletas olímpicas, campeã e vice-campeã Mundial (!!!); ou será que faço logo um resumo de 2015, ano especial, de colheita de frutos tanto no âmbito pessoal, profissional e também na carreira esportiva?

Foto: Fabio Piva // Site Redbull
Bem, vou contar um pouco de tudo, pois não cheguei aqui do nada. E vou por partes, pode ser?


Começo respondendo à pergunta que vários me fizeram após a vitória no título no Brasileiro:
Como você se preparou para conquistar esse título (Campeã Brasileira de MTB XCM)?
Bom, eu tenho duas verdades opostas para responder essa pergunta:

A primeira é que eu venho me preparando para esse momento desde o dia em que fiz meu primeiro treino de mountain bike, em fevereiro de 2011, na região de Morungaba (SP), quando comecei a fazer provas de aventura com a equipe Lebreiros. Todos tinham que esperar por mim, eu mal parava em cima da bike, levava muito mais comida do que eu precisava, não sabia trocar marchas e por aí vai. Mas eu olhava os mais experientes com admiração e respeito – eu queria chegar lá! Ou melhor, eu queria ir além... descobrir os limites, ou superá-los. Bem, ainda quero...

Clínica de MTB do Ravelli para iniciantes - 2011
A segunda é que, na verdade, eu não me preparei especificamente para essa prova. Quando me dei conta de que estava bem o suficiente para encarar minha profissionalização no esporte (e isso aconteceu no Brasil Ride Warm Up em Botucatu, em Junho deste ano) e enfrentar um campeonato Brasileiro, adaptei meu calendário e encaixei a ida para Picos – PI (local do Brasileiro de XCM).
Mas mesmo com essa alteração, meu foco se manteria em Leadville Trail 100 MTB, prova de 100 milhas no Colorado – EUA, com a qual venho sonhando desde minha época de corredora a pé, e que aconteceria há exatos 15 dias do Brasileiro.



Sobre a Leadville Trail 100 MTB – Colorado, EUA, Agosto de 2015
A ida para a LT100 MTB se tornou realidade no começo de 2015, quando conheci o Loris Verona Junior, meu namorado e também ciclista, que fez a corrida em 2014 e pretendia voltar para bater seu próprio tempo. Dentre todas as coisas incríveis de compartilhar a vida com alguém parecido com você, destaco que o suporte que um dá ao outro potencializa qualquer força!

Fui então atrás da uma vaga na prova, que é super concorrida. Minha equipe Specialized também é patrocinadora principal do evento, e foram eles que viabilizaram essa parte, assim como meu lugar para largar no pelotão de elite, ao lado de atletas como Annika Langvard, Sally Bigham e Katerina Nasch. Uau...!

A LT100 é uma das maiores e mais tradicionais provas de mountain bike e corrida de montanha dos EUA. Só no evento de MTB, são aproximadamente 1.800 inscritos! Isso, em uma cidade de 3 mil habitantes, localizada a cerca de 3.000 metros do nível do mar e palco de uma das maiores fontes de riqueza mineral dos EUA nos anos 1900, é um evento um tanto quanto inusitado e especial.

Pódio masculino da LT100 MTB 2015
Gente de todos os cantos dos EUA (para não dizer do mundo) se distribuem ao longo do percurso de 50 milhas para torcer para os atletas. E está aí uma curiosidade sobre a LT100: o percurso é ida e volta, e não um loop como estamos acostumados a ver em provas de MTB. Se engana quem acha que isso tira a graça da competição. No caso específico da LT100, esse é o charme, se posso falar assim.

Mas espera aí, não posso pular etapas, antes de ir para LT100, surgiu a oportunidade de ir para o Brasileiro de XCO, em Petrópolis, a convite da AOO Specialized – imperdível! A princípio iria apenas assistir, porém quando comentei com a minha treinadora Adriana Nascimento, ela me incentivou a participar da prova, pois seria um ótimo treino de intensidade para a Leadville, cabia perfeitamente na periodização. E, além do mais, já que eu estava querendo me profissionalizar, deveria começar a buscar experiências mais maduras. E lá fui eu.
Sobre o Campeonato Brasileiro de MTB XCO – Petrópolis, Julho de 2015
Cross Country não é a minha especialidade. Minha lembrança correndo essa modalidade, até então, era de uma Vivi desengonçada, ansiosa, com potencial para superar bem as partes técnicas, porém com dificuldade de se concentrar quando o coração está na boca (oposto de maratona).

Então o que esperar de um Brasileiro de XCO? “Bom Vivi, já que você sabe seus pontos fracos, trabalhe eles, começando pelo psicológico. Também conheça a pista, mentalize as linhas, e escolha por não se arriscar muito nos obstáculos, pois qualquer machucado poderia estragar o sonho de Leadville” - (conversa minha comigo mesma).

Sinceramente? Fazer isso com todo suporte de uma das maiores (se não a maior) estrutura de equipe de Mountain Bike do Brasil foi moleza! O clima da casa AOO Specialized estava leve, divertido e concentrado ao mesmo tempo. Cada um com seu jeitinho agregou para isso. Raiza, Rubinho, Sofia, Zé Gabriel, Erick, Ellen, Lucas, Loris e Flávio. E me acolheram como uma irmã mais velha (já se foi a época que eu era a Caçulinha J ).

Alinhei para dar o meu melhor, pensando que um Top 7 poderia ser uma meta agressiva, que ficaria feliz se conseguisse tal colocação. Fiz uma largada conservadora deixei outras atletas mais experientes entrarem na minha frente, mas depois de algumas curvas vi que a pessoa que poderia ter como principal adversária estava mais a frente. Busquei e encaixei logo atrás.

O primeiro trecho técnico foi o rock garden. Todas escolheram o “chicken line” e eu arrisquei o obstáculo, pois tinha feito a linha durante o treino. Errei e lá se foram segundos preciosos.
Corri a pé para sair dali e na bike corri atrás do prejuízo, mas no meu ritmo, pois 5 voltas de XCO são mais de 1h30 com o coração no limiar. Dureza.

Depois de uma volta inteira consegui, cheguei naquela adversária. Em um momento em que o percurso me favorecia, subida longa, passei. Estava então em 5o lugar. Nossa!!! Que demais... “Foca Vivi, foca, você está dando o seu melhor? Isso é tudo o que você tem pra agora? Juízo, nem mais nem menos, não exagera nas descidas, cuidado. Foca!!!” – era isso o que passava na minha cabeça, o tempo todo.

Não me lembro ao certo em qual momento alcancei a 4a colocada (e uma pessoa que admiro muito), a Roberta Stopa. Só lembro que disputamos posições, e que os minutos em que andei na roda dela foram os mais legais da prova – principalmente porque ela estava dropando um obstáculo que eu ainda não tinha tido coragem de enfrentar, e, na roda dela, quando vi, já tinha ido. “Caraca, eu fui na sua roda, eu sou suicida!!!” eu falei pra ela, que vibrou junto comigo. Como é bom encontrar gente legal!!! Adversárias não precisam ser oponentes... dou muito valor a essa camaradagem.

Lembro de celebrar cada vez que cruzava a linha de chegada para abrir uma nova volta, com toda equipe Aoo Specialized gritando por mim, e o Flávio Magtaz (manager da equipe) empolgado, informando minha colocação. Não preciso nem dizer que quando terminei na 4ª colocação, foi como se eu tivesse vencido! E o time todo celebrou, tudo junto e misturado. Mágico.

Voltando para Leadville...
Largada
Embarcamos com 11 dias de antecedência. Competir em altitude exige aclimatação. Uma prova dessas merece esse investimento.
E deu tudo certo. Suplementação de ferro, alimentação bem cuidada, hidratação em dia, assessoria da Adriana Nascimento, apoio da CTS (Carmichael Training Systems), torcida organizada (amigos Brazucas e americanos estavam por lá também).
No dia 15/08/2015, às 6:30 da manhã, 10ºC, ao lado do meu namorado Loris, de Christoph Sauser, Todd Wells, Rebecca Rusch, Alban Lakata, outros(as) grandes atletas e de uma das minhas melhores amigas (também ciclista) Ally – não, não vou contar da largada. Vou contar que antes da contagem regressiva tocou uma música que adoramos, e eu e a Ally dançamos. “Shut up and dance with me!” Valia comemorar que estávamos ali, we made it here!! Isso por si só já é um grande feito. E foi dada a largada.
Singletrack legal
Sem qualquer parâmetro do que seria uma boa meta para mim, estipulei que eu poderia ficar feliz se fizesse a prova abaixo de 9 horas. E colei no meu top tube um adesivo com os tempos que deveria passar em cada apoio se fosse fazer a prova em 8:30 (abaixo de 9h, para me estimular, sabe?). Eu gosto de deixar a baliza sempre alta.
Consegui ultrapassar a primeira montanha com sucesso, sem ter que empurrar a bike (pela quantidade de pessoas, acaba afunilando), e cheguei no trecho mais plano com um grupo forte – o que garantiria boa economia de energia até a famosa montanha Columbine, de 16km, onde fazemos a volta (milha 50). Mas tinha me desgarrado do grupo das meninas, que pelos meus cálculos eram umas 10. Elas mandaram ver na primeira subida, e eu resolvi “ficar na minha” quando tudo que via estava bastante embaçado e ficando preto (capicce?).
Quando você sai para fazer uma prova de “vai e vem”, de mais de 165km, você não se apega aos números de quilometragem. As metas eram por partes: 1º apoio, 2º apoio, topo da Columbine (metade da prova), 3º apoio, 4º apoio, topo da Powerline, downhill da primeira montanha, e linha de chegada (que, mesmo com toda essa estratégia de “ir por partes”, não chega nunca!).

A boa notícia é que eu estava conseguindo bater exatamente os tempos para quem faz a prova em 8:30, e cheguei no pé da Columbine prontíssima para encarar aquela escalada – ela que foi, depois percebi, a melhor da minha vida.

Pelotão rumo Columbine
Nela eu ultrapassei dezenas de homens (que tinham me passado naquela primeira serra), e sabia que deveria estar entre as 8 primeiras colocadas. Quando cheguei no 3º apoio, já na volta, alguém me informou que eu estava na 5ª posição.
 
E começou a passar pela minha cabeça tudo o que aquilo significava. Uau.... Mas, mais uma vez, aquela conversa comigo mesma “Foco Vivi, foco. Concentra, ritmo, passo, come, bebe água, foco, concentra, vamos chegar até o próximo apoio defendendo essa colocação”.
Não aconteceu. Pouco antes do 4º apoio fui ultrapassada por uma atleta da Trek em um ritmo excelente. Eu queria ter pulado na roda dela, aproveitado algum vácuo (já estava andando sozinha há horas), mas não deu certo, e vi ela desaparecer na minha frente.

Diferente de outras competições, isso não me abalou. Não é possível encarar Leadville como uma prova normal. Não conseguia enxergar aquela atleta como minha adversária. O cansaço, a falta de ar, a dor nas pernas, nos braços, esses eram meus adversários.

Até 6h de prova eu estava até sorridente. Depois disso foi sobrevivência. Lembrei que encontraria com meu amigo Nat Ross e a estrutura da Oakley na subida da Powerline, e essa passou a ser minha nova meta, chegar lá, sorrir pra eles. E quando cheguei, foi mágico! Foi uma linha de chegada, e uma nova etapa da prova a seguir, com mais 1h de subida íngreme.


O Nat me acompanhou por alguns metros, conversou comigo, palavras de força e motivação. Eu agradeci muito – ele mandou eu ficar quieta, relaxar os ombros, recuperar o máximo possível antes dos 20 e poucos porcento de inclinação – mas eu quis mostrar para ele que tinha colocado seu nome no adesivo especial que fiz para olhar nos momentos difíceis. Ele me chamou de sister. E me deu um último empurrão para aquela subida, ele fez tudo o que ele podia, o resto era comigo. Simbora. Não consegui zerar, tive que caminhar em um pequeno trecho de degraus e pedra, mas logo mais adiante ultrapassei a atleta da Trek (ela empurrando a bike) e nunca mais a vi.

Vento contra e sozinha
5º lugar em Leadville, será que eu vou chegar em 5º lugar? Será que foi isso que o universo preparou para mim hoje? Me belisca? Eu sei que mereço, mas, 5º lugar e bom demais! Não Vivi, foco!!! Foco... foco. Cuidado com o pneu, mantenha-se em cima da bike, solta o freio mas não muito, cair agora não pode. Pedala forte Vivi, não para, mantém o ritmo. Z3 Vivi, Z3... Depois você pensa na colocação.”

Voltando no singletrack legal
A descida da primeira serra foi talvez a descida mais esperada da minha vida. Algo nela que faz  a gente amadurecer. A gente muda depois dela... e o trecho entre ela e a linha de chegada foram as 10 milhas mais longas que já fiz. De tudo dessa prova, a subida da Poweline foi o trecho mais dolorido, mas essas 10 milhas foram ainda piores. É quando você quer acabar, você quer chegar, você quer andar mais pra chegar logo, mas não há nada a fazer além de simplesmente manter o ritmo e “esperar” chegar. Eu olhava para trás com medo de alguém chegar, não via adversárias, mas e se alguém aparecesse esprintando? E se alguém me atacasse? Eu não vou conseguir reagir!!! Cadê a chegada? Será que está depois dessa curva? Asfalto. Curva, subida. Essa é a última subida? Melhor acreditar que não. Meu Deus, é sim, é a última subida. Meu Deus, estou na reta final. MEU DEUS, estão anunciando meu nome, “and in 8 hours and 21minutes, the Brazilian Boom-Boom Viviane Favery Costa, from São Paulo – Brasil”, meu Deus......

Cheguei!

Lembro de abraçar os donos da prova e não querer largar mais. Lembro de receber os cumprimentos do Dave Wiens, lembro do meu pé latejar, doer para pisar no chão, das lágrimas escorrendo, das pessoas me olhando e me parabenizando. Eu era a 5ª colocada, atrás apenas de atletas olímpicas e da campeã e vice campeã mundial.


Sentei e chorei, arranquei as sapatilhas, agradeci a Deus, a minha família, a mim mesma... agradeci por ter sido corajosa, por ter superado os momentos difíceis da vida, por ter me perdoado e aos outros também, porque isso faz parte de todo processo.

Agradeci a minha vida, a minha história, aos meus antepassados. Agradeci ao meu namorado, a toda equipe da Specialized, aos amigos que transformaram essa simples competição em uma experiência de vida inesquecível. Lembrei e agradeci mentalmente a todos que participaram dessa trajetória, desde quando eu era uma menina perdida, buscando rumo na vida.

E sai correndo para esperar a Ally chegar e torcer para ela nos metros finais da corrida. Quando ela chegou, corri junto o quanto deu. Só acabou depois que pude abraça-la e saber que estava tudo bem.

  
  
Agora, rumo ao Brasileiro de maratona!
Sobre o Campeonato Brasileiro de MTB XCM - Picos, Piauí, Agosto de 2015
Só quando passou Leadville que conseguimos planejar a ida para Picos, no Piauí, para o Brasileiro de maratona. O primeiro passo era não sair da altitude, pois ao baixar para mais próximo do nível do mar, em um primeiro momento viria uma sensação boa, de alta performance, mas em um segundo momento, estaria sujeita a uma “baixa”, cansaço e perda de performance. Para postergar essa “baixa”, ficamos o máximo possível a 3.000mts de altitude e voltamos para o Brasil há 4 dias de viajar pro Piauí. O lado ruim é obvio: cansaço, correria.

Domingo, dia 24 de Agosto iniciamos a volta para casa. Mas só consegui mesmo chegar em casa na madrugada de segunda pra terça feira.

Entre terça e quinta precisei lidar com o jetlag da viagem, arrumar a casa, lavar roupa e fazer outra mala, rever familiares e, sinceramente, não sobrou tempo para treinar.

Sexta-feira, 28 de Agosto às 3h da manhã iniciamos a ida de São Paulo até Picos, no Piauí. Chegamos no hotel às 12h30. Exaustão!!!

Sábado fiz meu primeiro treino em 8 das, 1h30 na roda do Loris para acordar as pernas. Foi bom, fizemos o reconhecimento da primeira serra da prova. Pernas pesadas, mas me sentindo bem. É bom puxar o ar e sentir que ele te “abastece” de oxigênio (diferente da sensação em altitude).

O plano para a os 96km do campeonato Brasileiro de MTB Marathon era dar o meu melhor, e ver o que seria.

O calor de 40ºC e a areia seriam os maiores adversários. Bom para mim: tenho uma boa experiência com esse “combo” pelas duas Brasil Rides que tenha na bagagem.

Caprichei no protetor solar (sempre coloco uma camada de protetor com base embaixo do filtro de alto FPS no rosto), e, sabendo dos trechos de empurra bike nos areiões, também besuntei meus pés de Bepantol.

Estava sem quem fizesse apoio, e optei por utilizar isso ao meu favor: estou acostumada a andar autossuficiente, então “vou levar tudo o que preciso, e assim não precisarei parar em momento algum. Será ruim subir a serra com tanto peso, mas a maior serra é bem no começo da prova, pode dar tempo de recuperar nos planos e descidas.”

Na largada percebi que minhas principais adversárias estavam com estratégia oposta (sem camel back, apenas caramanhola na bike), e pensei “ou meu plano vai dar muito certo e eu terei vantagem, ou será o contrário”.

Largamos 1 minuto atrás da elite masculina, e a prova começou mesmo depois do deslocamento de 5km até a estrada de terra. Em um primeiro momento me posicionei atrás das principais atletas do pelotão, Tânia Pickler (campeã Brasileira 2014) e Ana Panini. Mas ao perceber o movimento do pelotão da Sub23 que largou logo atrás, me encaixei e aproveitei o embalo. Depois de um tempo vi que a Tânia me seguiu, e andamos juntas até o início da serra.

Sabendo que subidas são o maior ponto forte dela, abri para que colocasse seu ritmo e tentei acompanhar o quanto pude. Me senti pesada e fazendo mais esforço do que poderia, e tive que diminuir o passo. Aos poucos ela desapareceu da minha frente, parecia que tinha uma âncora me segurando. Tudo bem, vamos em frente, “Vivi, concentra na sua prova, faça seu ritmo. ”

Depois da serra, um singletrack gostoso e fluido até o primeiro trecho de estradão plano. Assim que entrei na estrada percebi a Tânia há uns 300mts. Percebi que meu passo no plano era bom e que poderia alcança-la.

Quietinha cheguei e tentei abrir vantagem. Ela reagiu. Vamos revezar? Ela topou. Fomos uma dupla até a segunda serra (e novamente me vejo disputando posição com alguém que admiro, e que preferiria de fato formar uma dupla do que disputar uma posição!). Na subida, o previsível: lá se foi ela, num giro lindo, voando serra acima. Me contentei com meu ritmo. Dessa vez tentei apenas não perdê-la de vista.

Ao fim da segunda serra, novamente a busca para fechar o gap. Consegui e, logo antes da entrada de um singletrack, dei tudo o que tinha para tentar alguma vantagem. E desse momento até a linha de chegada, foi uma fuga dolorida tentando manter a posição conquistada. Passei batida em todos os apoios, aproveitei o máximo da posição aerodinâmica em cima da minha S-Works Era e dei tudo o que tinha nas subidas. Olhei para trás a cada minuto, e, mesmo na reta final, mal podia acreditar que tinha conseguido manter-me na frente.

Durante 50km da prova, para manter minha motivação, pensava em como eu gostaria de cruzar a linha de chegada, se seria com os braços levantados, se daria um grito, se caminharia com a bike levantada. Mas na hora que isso realmente aconteceu, não consegui segurar o choro, a emoção tomou conta, e eu estava completamente anestesiada.

O abraço apertado do namorado coroou o fim de um grande dia em cima da bike.

Foto: Dasaev Barbosa
Foto: Dasaev Barbosa
Foto: Picos Pró Race

E agora? Brasil Ride!!!
Ainda com os sentimentos a flor da pele (gratidão!!!), preciso me organizar após esse mês de férias, apresentar meu lindo troféu de campeã Brasileira para os colegas do trabalho e me recuperar de todo cansaço.

Tenho 6 semanas até a Brasil Ride, e não consigo segurar o sorriso no rosto toda vez que penso que fiz minha parceira orgulhosa. Eu e a Raiza poderemos usar o uniforme igual, de campeãs Brasileiras. Mal posso esperar para alinhar na largada do prólogo ao lado da minha amiga, e não medir esforços para ajudá-la a conquistar pontos preciosos para representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio 2016!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Matéria Site Specialized Brasil

Imagina como eu fico quando me vejo na homepage do site da Specialized Brasil?
Feliz? Na verdade, é muito mais do que isso... 
É a realização de um sonho, o de ser o que eu faço. 
Quando as coisas se alinham: ser, pensar, agir. Sabe?
A parceria com a Specialized tem sua importante parcela de responsabilidade nisso tudo, no meu ser. 
Tão profundo assim... louco né? 
Eu realmente confio e me identifico com seus valores.
Quando uso aquela rashtag #YourRideYourRules, é porque ela realmente me representa.
Obrigada Specialized por me apoiar sendo o meu melhor eu! 
Sendo assim, sei que posso (e quero) ir muito além.
Que este seja apenas o começo de uma duradoura jornada juntos.
Cheers! 
-Vivi

OBS - clique na imagem para acessar a matéria na íntegra


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Downhill da Vida



Duvido que um piloto de downhill tire as mãos do guidão em plena descida, a milhão por hora. Bom, pelo menos não de propósito, certo?

Então, essa é a sensação que estou neste exato momento, enquanto lhes (me) escrevo este post.

Estou tendo que tirar uma mão do guidão em plena descida, a milhão! Uaaaaaaaaaaa!!!

Com tanta coisa pra fazer, parar para escrever é como se eu tivesse correndo o risco de perder o controle, ou tendo que desacelerar... Mas eu amo escrever, então neste meu paralelo, vamos supor que eu fiz uma pausa no downhill para ligar pra alguém querido... pode ser?

Enfim... A astrologia deve explicar! Alguma formação dos astros alinhados de maneira XPTO e a energia daqui está no auge. Nunca tive que equilibrar tantos pratinhos! Nunca tanta coisa me aconteceu! Nunca tudo tanto fluiu.

Não, não me entenda mal! Eu busquei por isso! Eu sempre quis isso! Não sou eu uma amante de aventuras? Repórter intrépida? Em busca de descobrir e expandir meus limites? Uau... só nunca imaginei que seria dessa forma, conciliando a carreira como atleta, a carreira da atleta (veja bem, são 2 coisas diferentes) e gerente de marketing.

Não cheguei no topo dessa montanha de teleférico não.... nem de carro. Com certeza não foi por nada motorizado!

Também não tinha rota explicando o caminho. Foi no faro – não o meu melhor sentido, já que demorei para aprender o que é um bom cheiro. Quantas bifurcações erradas... só eu e Deus sabemos. Caminhei demais, mas também conheci lugares novos, aprendi muito sobre várias coisas. Que gosto e que muitas que não gosto.

Se foi de bicicleta que cheguei no alto dela, dessa montanha que estou tendo o prazer de descer, também não foi dessas levinhas, com várias marchas. Estaria mais para uma single speed enferrujada de 30kg, de pneus carecas. Que eu carreguei quando não pude pedalar. Que eu concertei quando ela quebrou. Que me ajudou a escolher novos caminhos, que me protegeu de chuvas de granizo, que passou por tantas incertezas comigo que até ela duvidou de mim. Na verdade, demorei para aprender a usá-la...

Aí, quando conquistei o cume – e que visual lá do topo do mundo hein... E como eu esperei por isso! Eu dancei, me emocionei, cantarolei, sorri muito, gargalhei, agradeci, e dancei mais.


Pisgah Stage Race
A descida começou fluida, gostosa, com curvas em swich backs, campo de flores, céu azul, borboletas, canto de pássaros.

Minha criança interior é a mais feliz dessa história toda! Que criança espuleta que não gosta de um downhill? A minha se delicia!

Aos poucos a trilha foi ficando mais técnica, mais íngreme, com algumas pedras. Nada que eu não domine! Eu adoro isso... ter que buscar a linha, ter que criar uma... só não posso tirar o olho da trilha, o corpo tem que relaxar, mas relaxar o corpo é um exercício intenso, que exige concentração. Não posso esquecer de me hidratar, comer. Mas nada de enrolar, o tempo pode virar, eu preciso seguir.

A vida está assim. Estou em um downhill alucinante, o downhill da minha vida. Um presente divino, depois de tanto esforço e dedicação.

Gratidão imensa, não trocaria esse downhill por nada. Cada esforço para subir, compensado em adrenalina, em diversão, em sorrisos, agora.

Me desculpem a minha ausência no blog – eu só não quero perder nenhum instante deste momento tão mágico. Eu quero pilotar, tirar foto, e cantar, tudo ao mesmo tempo. Sou uma criança adulta em pleno trabalho de surfar uma boa onda.

Nada mais paradoxal do que isso, mas é assim que é, não é? 

Entre uma montanha e outra, cada um tem o downhill que merece!

Desejo apenas que Mandela esteja certo em sua frase “after climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb”- que eu possa de fato esperar pela próxima grande subida :D

Foto Bike Amparo - Big SLP 15
PS: Do que eu estou falando? Bem, entre várias coisas bacanas que acontecem, ontem conquistei minha 5ª vitória do ano no Big Biker São Luis do Paraitinga! Neste ano venci o Brasil Ride Warm Up, batendo record da pista, também teve quebra de tempo no Big Biker Taubaté, e fui campeã da primeira etapa do GP Ravelli e do 4Seasons MTB. Nos EUA fiquei em 4º lugar na Pisgah Stage Race (com direito a uma segunda colocação em uma etada de Enduro) e fui vice no Desafio da Mantiqueira. Agora me preparo para o Brasileiro de XCO, Brasileiro de Maratona, Leadville Trail 100 MTB nos EUA, e Brasil Ride. Torçam por mim!!!

Vice campeã na etapa de Enduro na Pisgah

terça-feira, 23 de junho de 2015

Entrevista Rádio Mundial com Cesar Romão

No dia 21/06/15 estive no programa do Cesar Romão, na Rádio Mundial 95.7FM para falar de Caçula de Pneus e, de quebra, um pouco da Vivi Atleta.

Segue entrevista na íntegra!

Obrigada Cesar!

domingo, 10 de maio de 2015

A vida tem propósito

“To see the world, things dangerous to come to, to see behind walls, draw closer, to find each other, and to feel. That is the purpose of life.” 
― James Thurber

"Para ver o mundo, as coisas perigosas que virão, para ver por trás dos muros, se aproximar, para encontrar o outro, e para sentir. Esse é o sentido da vida."

Já tinha sido impactada pela frase. Me tocou. E ontem fui apresentada ao filme - The secret life of Walter Mitty - recomendo, altamente inspirador...

Então o exercício de hoje envolveu analisar minha real entrega ao meu sonho e aos perigos riscos da vida.

Um dia de muito frio e lama no Haka MTB de 2012
Meu senso crítico apurado e a recente confirmação de que já não sou mais criança, me fazem crer que posso confiar na minha auto avaliação.

Nota 9. Porque sempre tem o que melhorar.

Mas também porque tenho feito um excelente trabalho. 

Onde tudo começou, meia maratona da Disney em 2010
Tem dias muito difíceis, tem semanas que me sinto em uma "Brasil Ride" (referência de sofrimento absoluto), lutando pela sobrevivência na marra, teimosa que sou...

Nos momentos em que dá vontade de parar, largar tudo, desistir: respirar, e, mesmo cambaleando, continuar andando. "Vamos sair daqui, e vai ser indo pra frente".

Eu sei desistir, mas eu também sei seguir. FORWARD.

Saindo do famoso "vietnam" na etapa rainha da Brasil Ride 2014. Não estava indo tudo bem.
Tem reclamações, mas sempre com bom humor. Uma ranzinza alegre, costumo estar assim nos meus dias de trabalho. Um jeito meu de fazer a tal da "limonada".

Para muitos, e para o Walter Mitty, essa frase significou sair da zona de conforto da vida pacata de "casa - trabalho - casa" e partir para uma aventura no mundo.

A chegada de um caminho incerto é como um milagre
Cicloviagem SOLA de 4 dias pelo Vale do Loire, na França, em 2011
Pra mim, perigo é correr o risco de ficar presa em uma gaiola, em um conceito, em um título. É depender de elevador para chegar na minha casa, é viver encaixotada em uma selva de concreto, é perder tempo no trânsito todos os dias. É não ter escudos para me defender da agressão pseudo invisível dos mais desencontrados, de tão enfraquecida que fico. 

E eu preciso controlar o meu desejo - se não impulso - de sair me aventurando. De fugir dessa loucura, ir pro incerto, para onde eu mais me sinto a vontade. De ser quem eu sou. ser livre para CRIAR.
Pelas ciclovias de NYC
Prefiro estar ao lado de uma excelente companhia, mas não dependo disso. O caminho também cria relações.


Toda essa vontade, porém, não está sendo desperdiçada. Ela está se me transformando, e eu quero muito, muito viver para ver onde ela vai me levar.

Ceci N'est Pas Un Vélo - isso não é uma bicicleta (é a Vida)
Finalmente, tudo está mais claro, as ideias estão alinhadas com o sentimento, com os gestos. Na verdade não é "finalmente", me sinto no começo.

Sim, estou completamente entregue ao sonho, trabalhando em força total para concretizá-lo.

Mãos em "carne-viva". O desgaste faz parte do processo.
E assim realizo partes dele a cada dia, mesmo nos dias em que acordo com a sensação de ter dormido abraçada a uma kryptonita.

Esses dias são muito difíceis, mas eu escolho continuar seguindo em frente.

Dias como hoje nascem, os frutos chegam.

A vida tem propósito.

"Eu sou, porque nós somos"


Brasil Ride 2012
Meia maratona do Rio Julho 2011
Short de Triathlon em Santos Dezembro 2011

terça-feira, 28 de abril de 2015

Vice no Desafio da Mantiqueira 2015

Atletas Specialized chegam ao pódio no Desafio da Mantiqueira - Os paulistas Sofia Subtil (AOO Specialized), Viviane Favery e Orlando Alves (ambos do Specialized Factory Team) terminaram no pódio o Desafio da Mantiqueira, realizado neste domingo em Campos do Jordão (SP), com 55 quilômetros. 

Viviane ficou com o vice-campeonato na elite feminina, enquanto Sofia terminou em quarto. Já Orlando foi o quinto colocado na elite masculina.

Segundo Viviane, a experiência adquirida na Pisgah Stage Race, disputada recentemente nos Estados Unidos, ajudou-a na prova deste domingo. Além disso, a ciclista destacou a tecnologia Brain, responsável por aumentar a performance da suspensão traseira de sua bike Specialized S-Works Era.

"Escolhi usar uma calibragem de suspensão diferente da utilizada na Pisgah, e decidi deixar minha suspensão traseira um pouco mais rígida, porque essa prova (Desafio da Mantiqueira) tinha muitas subidas. Deixei o Brain um pouco aberto, e funcionou muito bem com essa calibragem", analisou Viviane.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

John Muir Knew How to Live

“Thousands of tired, nerve-shaken, over-civilized people are beginning to find out that going to the mountains is going home; that wildness is a necessity” 
― John MuirOur National Parks


VIVIANE FAVERY TERMINA EM QUARTO EM PROVA DE CINCO DIAS NOS ESTADOS UNIDOS

VIVIANE FAVERY TERMINA EM QUARTO EM PROVA DE CINCO DIAS NOS ESTADOS UNIDOS

A atleta do Specialized Factory Team concluiu a Pisgah Stage Race, na Carolina do Norte, entre as melhores

São Paulo - A paulistana Viviane Favery retornou dos Estados Unidos nesta semana após conseguir concluir as cinco etapas da Pisgah Stage Race, competição disputada na Pisgah National Forest (Carolina do Norte) com a participação de atletas de ponta do Mountain Bike mundial. A ciclista de 29 anos fechou os 220 quilômetros da prova, divididos em cinco etapas, na quarta colocação geral, atrás de algumas das principais ciclistas de MTB dos Estados Unidos: Sarah Sheets, Kaysee Armstrong (campeã da edição 2014) e Ally Stacher. O melhor resultado da paulistana foi conquistado na quarta etapa, na sexta-feira (17), quando Viviane terminou na segunda colocação.

"Foi uma experiência super agregadora. Ganhar de atletas com mais experiência (na quarta etapa) foi minha grande conquista. Treinei muito bem, direitinho, a ponto de chegar lá e deixá-las preocupadas. Mantive o foco o tempo todo, e isso permitiu que eu eu evoluísse muito do primeiro ao quinto dia", comemorou.

Viviane recomendou a prova, ainda pouco conhecida. "Não tenho dúvida de que muda a vida das pessoas, o gosto delas pelo esporte. A região de Pisgah ainda é pouco conhecida, mas muitos atletas profissionais estão se mudando para lá, porque é uma prova (Pisgah Stage Race) que faz toda a diferença no preparo para a temporada. Ouvi de muitos atletas que é um dos lugares mais técnicos dos Estados Unidos para fazer Mountain Bike", avaliou Viviane.

Os seis mil metros de subidas, quase sempre íngremes e exigentes, foram vencidos não apenas com o preparo da atleta paulistana, mas também devido à qualidade de sua bike: a Specialized S-Works Era. Além disso, Viviane também utilizou um corta-vento da Specialized, equipamento que a ajudou a superar o frio e a chuva durante os cinco dias de competição.

"A bike foi maravilhosa, fez toda a diferença. Era visível que eu estava menos destruída que as outras meninas, é notável o que ela (S-Works Era) faz para uma pessoa. As outras meninas estavam com bikes boas, mas não específicas para mulheres. A S-Works é uma bike muito versátil para Cross Country, e o fato de só ter câmbio traseiro foi ótimo, porque era uma coisa a menos para eu pensar", elogiou Viviane.

As características da bike ajudaram a ciclista tanto nas subidas quanto nas descidas. "Não tive de me preocupar em mudar a calibragem da suspensão nas descidas. Isso fez muita diferença, senti muito prazer em cima da bike. Isso (bom resultado) só foi possível por eu estar com o melhor equipamento do mundo".

Cautela foi chave para o sucesso de Viviane - As condições do circuito, desafiadoras por si só, foram dificultadas pela chuva que caiu na região durante o período de competição - entre terça-feira e sábado passados. Para alcançar seu objetivo pessoal (terminar a prova fisicamente inteira), Viviane adotou uma postura cautelosa.

"A trilha estava super difícil: travada, pesada, escorregadia. Muita gente caiu. Eu fui muito cuidadosa, porque sei que, nessas condições, tenho menos experiência que outras atletas. Impus meu próprio ritmo do começo ao fim, e fui adquirindo auto-confiança. Consegui acompanhar as principais ciclistas durante um longo trecho. No último dia, fiquei bem perto das atletas profissionais", explicou.

Além dos perigos da trilha, a localização do circuito também foi levada em conta para Viviane manter a cautela. "A prova passou por lugares bem remotos, muito afastados da cidade, o que deixa tudo mais perigoso. Um dos meus desafios foi manter a concentração e controlar a ansiedade para não me acidentar. Na maior parte da prova, a atleta que sofresse um acidente sério precisaria ser resgatada de helicóptero".

Sobre a Specialized - A Specialized foi fundada em 1974 por ciclistas, para ciclistas. Com base no norte da Califórnia, tem o foco nas necessidades dos praticantes, produzindo produtos funcionais e tecnicamente avançados, que fornecem um benefício de desempenho.

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Vitor Dalseno / Doro Jr. - Mtb 13209
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Pisgah Stage Race (o que ficou)


My spirit was still mountain biking even when the race was over


A PisgahStage Race já acabou há 3 dias, mas quando eu fecho os olhos pra dormir, percebo que meu espírito ainda está nas trilhas, mirando a próxima curva, calculando o equilíbrio do corpo, o toque (ou não) nos freios, o jogo de quadril, a marcha correta... É uma espécie de jetlag, um PisgahLeg. É um desejo incontrolável de voltar. É minha alma expressando seu instinto de preservação. “Por favor Viviane, não me tire daqui”. Nos meus sonhos, eu vou mais rápido, eu sinto o vento no rosto, eu faço uma curva sem diminuir a velocidade, e jogo a traseira com meu corpo para endireitar a bike no novo sentido... nos meus sonhos eu sou incrível!

Assumo, não segurei a onda. A volta pra casa foi chorosa. Não de manha, mas de emoção, de alegria e dor. O paradoxo da condição humana. Voltar pra casa é voltar pro batente, pra rotina cheia de pessoas e muito solitária ao mesmo tempo.



Compartilhar as histórias da Pisgah com meus amigos Brazucas será o próximo passo dessa experiência. É o que vai fechar o círculo da viagem. É o que vai acalmar meu coração ansioso. Contar o que vi e vivi, o que senti, o que encontrei e superei, e explicar pra eles que na Pisgah, eles podem descobrir o melhor de si.

A Pisgah Stage Race é um evento que reúne a essência do MTB:

·      A dificuldade técnica (e aquele frio na barriga de superar os obstáculos perigosos e divertidos),
·      As subidas longas e intermináveis (teve dia que passamos mais de 1h subindo trilha e estradas de pedrinhas)
·      A diversão dos downhills – todo dia tinha um trecho de “enduro”, uma descida na qual o tempo era computado e havia premiação especial pros top 3 masculino e feminino. Teve um dia que tivemos duas sessões de downhill! Todos viram crianças alegres e sapecas nessa parte da prova.
·      A competição – tanto no masculino quanto no feminino, o drama da competição estava no ar. O top 5 foi super disputado até o fim. Não teve dia em que o resultado foi repetido. Cada dia, cada percurso beneficiou um ou outros atleta, e a disputa foi intensa.
·      O percurso ideal: distância ideal para exigência ideal. Nenhum dia acabei a prova com aquela sensação de ter passado do limite, de exagero, de ter pedalado pela minha sobrevivência. O oposto também não aconteceu. Todos os dias foram difíceis, exigentes, divertidos e com alguma trilha que deixou tudo mais “épico”.
·      A camaradagem. Talvez o fato de uma cervejaria patrocinar o evento colabore para esse quesito! Rs
·      A festa! A comunidade do MTB não tem barreiras de idioma ou território. As palavras chaves são: Uhuuu, Yeeeah, Wooooooow, Whoa e o sorriso no rosto. As vezes entra um “Oh Shit” nisso aí rs.

Enfim, colegas, a Carolina do Norte é muito mais do que um estado do Bible Belt. A região de Pisgah (que compreende as cidades de Brevard e Asheville) é um dos melhores lugares para fazer Mountain Bike dos EUA (comparam apenas com Oregon).

As trilhas cheias de pedras e raízes nas montanhas da Pisgah National Forest atraem atletas profissionais e fanfarrões amadores de todos os cantos dos EUA.

Pra mim, o que mais vai ficar marcado dessa experiência são as pessoas que conheci – ganhei uma família de amigos! E aquele sorriso no rosto, mesmo quando estava sozinha na floresta, enfrentando um dos maiores desafios da minha carreira de atleta vida.







Fui vice campeã do Enduro da quarta etapa - o dia mais técnico!!! :)