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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

segunda-feira, 23 de março de 2015

As vezes é preciso dar um passo atrás

Foto: Leo Cavalini
Eu não tenho medo de compartilhar meus fracassos. 
Não sou de esconder minhas fraquezas. 
A humanidade liberta... 

Já estive presa no sufoco da imagem, sei o quanto é ruim (viver com a corda no pescoço, sem chão, sem si).

Parte da minha jornada de auto conhecimento (mérito do meu no esporte) foi reconhecer as facetas que eu mesma criava para me esconder de mim mesma. 

Hoje sei reconhecê-las de longe, e ligo o alerta vermelho para não cair nas piores armadilhas do ego.

Mas voltando à superficie... o que aconteceu foi que uma virose me pegou na semana passada, na véspera do Big Biker Itanhandu. 

Eu estava tão animada para essa prova, adoro a região e o percurso. Adoro estar com os meus amigos depois da exaustão, sentados sem sentir as pernas, imundos, compartilhando as pequenas vitórias e derrotas do dia, as bizarrices e os momentos em que tudo doeu. O plano que deu certo e o outro que não deu. 

Estava (ainda estou, agora está reprimida pelo meu repouso forçado) com muita energia, afim de subir aquela serra do Palmital sem deixar sobrar uma gota de esforço.

Achei que pudesse melhorar a tempo, e planejava melhorar meu tempo. 

Me senti melhor no sábado, mas no domingo... não deu.

No começo da madrugada percebi que as coisas não estavam saindo conforme planejadas, não estava conseguindo dormir. Metade por causa da chuva forte que me atordoou, outra metade por estar suando frio.

Quando o despertador tocou - a tempo de tomar café da manhã tranquila, me arrumar e chegar no local da largada com tempo suficiente para fazer um bom aquecimento - levantei da cama e comecei a arrumar as coisas para voltar pra casa. 

Na hora foi duro, muito duro tomar essa decisão. 

"No physical pain matches the emotional ones" / "Nenhuma dor física supera uma dor emocional". Essa máxima prevalece. 

A dor física me parece mais tangível, visível, mensurável, explicável... já essa outra categoria, emocional, não tem contorno, cor, forma...

É difícil desviar o pensamento do "se eu tivesse", "se eu pudesse", "que droga", "que pena"... mas é possível.

Então, no carro, enquanto todos largavam na prova, e eu largando a prova, aos poucos... pude começar a sentir lá no fundo um pingo de orgulho.

Foi a primeira vez que eu tive coragem de respeitar uma limitação física, e desistir de um desafio. Normalmente eu até gosto quando a aventura ganha uma pitada de superação extra.

Tenho no meu currículo a incrível faceta (estou sendo irônica) de, por duas vezes, competir com ossos quebrados no meu corpo - e em ambas as situações, tive que passar por reparos cirúrgicos. Tenho nessa lista uma Brasil Ride feita praticamente inteira com um ombro luxado / ligamento rompido (no começo da 2a etapa). Tenho outras provas mais curtas nas quais larguei com febre. No Caminho de Santiago de Compostela tive problemas com o fit (o qual eu não havia feito - e nem tinha conhecimento para fazer eu mesma) e meu braço formigava a ponto de não conseguir pentear meu cabelo. Pedalei 6 dias assim. 900km.

Então... me entende? O tamanho dessa conquista? Eu me achava corajosa quando me jogava em uma aventura desconhecida, superava a dor e os grandes desafios... mas estou me achando infinitamente mais corajosa agora, ao poder focar no meu bem estar como um todo. Dar 1 passo atrás, para dar 2 à frente.

Talvez não esteja tão forte fisicamente quanto poderia estar, mas estou com a alma fortalecida, por simplesmente cuidar bem da minha casinha. E isso não tem preço.

O exercício da alma não é na academia... e os títulos são passageiros, momentâneos, coisas que o homem inventou. Já a nossa saúde...

Eu aprendi :)

Obrigada a todos os meus amigos que me apoiam e estão ao meu lado, na saúde e na doença <3

Obrigada Specialized WOMEN pelas palavras no post do face
https://www.facebook.com/specializedwmnbr 
"O que é Your Ride. Your Rules? Às vezes temos que respeitar nossos próprios limites, as nossas adversidades, as nossas regras, e dar um passo atrás hoje para, posteriormente, dar diversos passos a frente. É isso aí, Vivi - Your Ride, Your Rules !!!"
MY RIDE, MY RULES

3 comentários:

  1. Muito bom mesmo Vivi! E deve se orgulhar disso sim!
    Parabéns pela coragem!
    Mais uma vez acho que somos muito parecidas... ;-)
    Abraço de Portugal!

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  2. Fantástico Vivi eu por algumas vezes não larguei pelo mesmo motivo porém por ter a alma e o espírito competitivo muito forte muitas outras vezes larguei e encarei a prova e uma delas foi a Brasil Ride onde fiz a segunda etapa e quase bati as botas no terceiro dia mas por burrice ou por superação pessoal eu larguei hj ñ faria de novo parabéns pelo texto muito bom e tamos juntos sucesso sempre pra vc e melhoras bjoss

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  3. Nada é melhor do que poder levantar no dia seguinte. Sempre há competições a cada semana e elas não devem e não podem prevalecer sobre a nossa inteligência.

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