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Minhas Aventuras

"After climbing a great hill, one only finds there are many more hills to climb"
Nelson Mandela

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

De profissional atleta para atleta profissional

Uau.... Com tanta coisa para contar, por onde começo esse texto? Faz tempo que não escrevo, os últimos meses foram focados nos treinos e no trabalho para poder sair de férias merecidamente.

Não sei se começo falando do Brasileiro de Maratona, na qual conquistei o título de Campeã Brasileira 2015 depois de uma dura disputa com a segunda colocada (!!!); ou se conto primeiro da Leadville Trail 100 MTB, prova de 100 milhas no Colorado (EUA) há 2 semanas, na qual conquistei um incrível 5º lugar dentre atletas olímpicas, campeã e vice-campeã Mundial (!!!); ou será que faço logo um resumo de 2015, ano especial, de colheita de frutos tanto no âmbito pessoal, profissional e também na carreira esportiva?

Foto: Fabio Piva // Site Redbull
Bem, vou contar um pouco de tudo, pois não cheguei aqui do nada. E vou por partes, pode ser?


Começo respondendo à pergunta que vários me fizeram após a vitória no título no Brasileiro:
Como você se preparou para conquistar esse título (Campeã Brasileira de MTB XCM)?
Bom, eu tenho duas verdades opostas para responder essa pergunta:

A primeira é que eu venho me preparando para esse momento desde o dia em que fiz meu primeiro treino de mountain bike, em fevereiro de 2011, na região de Morungaba (SP), quando comecei a fazer provas de aventura com a equipe Lebreiros. Todos tinham que esperar por mim, eu mal parava em cima da bike, levava muito mais comida do que eu precisava, não sabia trocar marchas e por aí vai. Mas eu olhava os mais experientes com admiração e respeito – eu queria chegar lá! Ou melhor, eu queria ir além... descobrir os limites, ou superá-los. Bem, ainda quero...

Clínica de MTB do Ravelli para iniciantes - 2011
A segunda é que, na verdade, eu não me preparei especificamente para essa prova. Quando me dei conta de que estava bem o suficiente para encarar minha profissionalização no esporte (e isso aconteceu no Brasil Ride Warm Up em Botucatu, em Junho deste ano) e enfrentar um campeonato Brasileiro, adaptei meu calendário e encaixei a ida para Picos – PI (local do Brasileiro de XCM).
Mas mesmo com essa alteração, meu foco se manteria em Leadville Trail 100 MTB, prova de 100 milhas no Colorado – EUA, com a qual venho sonhando desde minha época de corredora a pé, e que aconteceria há exatos 15 dias do Brasileiro.



Sobre a Leadville Trail 100 MTB – Colorado, EUA, Agosto de 2015
A ida para a LT100 MTB se tornou realidade no começo de 2015, quando conheci o Loris Verona Junior, meu namorado e também ciclista, que fez a corrida em 2014 e pretendia voltar para bater seu próprio tempo. Dentre todas as coisas incríveis de compartilhar a vida com alguém parecido com você, destaco que o suporte que um dá ao outro potencializa qualquer força!

Fui então atrás da uma vaga na prova, que é super concorrida. Minha equipe Specialized também é patrocinadora principal do evento, e foram eles que viabilizaram essa parte, assim como meu lugar para largar no pelotão de elite, ao lado de atletas como Annika Langvard, Sally Bigham e Katerina Nasch. Uau...!

A LT100 é uma das maiores e mais tradicionais provas de mountain bike e corrida de montanha dos EUA. Só no evento de MTB, são aproximadamente 1.800 inscritos! Isso, em uma cidade de 3 mil habitantes, localizada a cerca de 3.000 metros do nível do mar e palco de uma das maiores fontes de riqueza mineral dos EUA nos anos 1900, é um evento um tanto quanto inusitado e especial.

Pódio masculino da LT100 MTB 2015
Gente de todos os cantos dos EUA (para não dizer do mundo) se distribuem ao longo do percurso de 50 milhas para torcer para os atletas. E está aí uma curiosidade sobre a LT100: o percurso é ida e volta, e não um loop como estamos acostumados a ver em provas de MTB. Se engana quem acha que isso tira a graça da competição. No caso específico da LT100, esse é o charme, se posso falar assim.

Mas espera aí, não posso pular etapas, antes de ir para LT100, surgiu a oportunidade de ir para o Brasileiro de XCO, em Petrópolis, a convite da AOO Specialized – imperdível! A princípio iria apenas assistir, porém quando comentei com a minha treinadora Adriana Nascimento, ela me incentivou a participar da prova, pois seria um ótimo treino de intensidade para a Leadville, cabia perfeitamente na periodização. E, além do mais, já que eu estava querendo me profissionalizar, deveria começar a buscar experiências mais maduras. E lá fui eu.
Sobre o Campeonato Brasileiro de MTB XCO – Petrópolis, Julho de 2015
Cross Country não é a minha especialidade. Minha lembrança correndo essa modalidade, até então, era de uma Vivi desengonçada, ansiosa, com potencial para superar bem as partes técnicas, porém com dificuldade de se concentrar quando o coração está na boca (oposto de maratona).

Então o que esperar de um Brasileiro de XCO? “Bom Vivi, já que você sabe seus pontos fracos, trabalhe eles, começando pelo psicológico. Também conheça a pista, mentalize as linhas, e escolha por não se arriscar muito nos obstáculos, pois qualquer machucado poderia estragar o sonho de Leadville” - (conversa minha comigo mesma).

Sinceramente? Fazer isso com todo suporte de uma das maiores (se não a maior) estrutura de equipe de Mountain Bike do Brasil foi moleza! O clima da casa AOO Specialized estava leve, divertido e concentrado ao mesmo tempo. Cada um com seu jeitinho agregou para isso. Raiza, Rubinho, Sofia, Zé Gabriel, Erick, Ellen, Lucas, Loris e Flávio. E me acolheram como uma irmã mais velha (já se foi a época que eu era a Caçulinha J ).

Alinhei para dar o meu melhor, pensando que um Top 7 poderia ser uma meta agressiva, que ficaria feliz se conseguisse tal colocação. Fiz uma largada conservadora deixei outras atletas mais experientes entrarem na minha frente, mas depois de algumas curvas vi que a pessoa que poderia ter como principal adversária estava mais a frente. Busquei e encaixei logo atrás.

O primeiro trecho técnico foi o rock garden. Todas escolheram o “chicken line” e eu arrisquei o obstáculo, pois tinha feito a linha durante o treino. Errei e lá se foram segundos preciosos.
Corri a pé para sair dali e na bike corri atrás do prejuízo, mas no meu ritmo, pois 5 voltas de XCO são mais de 1h30 com o coração no limiar. Dureza.

Depois de uma volta inteira consegui, cheguei naquela adversária. Em um momento em que o percurso me favorecia, subida longa, passei. Estava então em 5o lugar. Nossa!!! Que demais... “Foca Vivi, foca, você está dando o seu melhor? Isso é tudo o que você tem pra agora? Juízo, nem mais nem menos, não exagera nas descidas, cuidado. Foca!!!” – era isso o que passava na minha cabeça, o tempo todo.

Não me lembro ao certo em qual momento alcancei a 4a colocada (e uma pessoa que admiro muito), a Roberta Stopa. Só lembro que disputamos posições, e que os minutos em que andei na roda dela foram os mais legais da prova – principalmente porque ela estava dropando um obstáculo que eu ainda não tinha tido coragem de enfrentar, e, na roda dela, quando vi, já tinha ido. “Caraca, eu fui na sua roda, eu sou suicida!!!” eu falei pra ela, que vibrou junto comigo. Como é bom encontrar gente legal!!! Adversárias não precisam ser oponentes... dou muito valor a essa camaradagem.

Lembro de celebrar cada vez que cruzava a linha de chegada para abrir uma nova volta, com toda equipe Aoo Specialized gritando por mim, e o Flávio Magtaz (manager da equipe) empolgado, informando minha colocação. Não preciso nem dizer que quando terminei na 4ª colocação, foi como se eu tivesse vencido! E o time todo celebrou, tudo junto e misturado. Mágico.

Voltando para Leadville...
Largada
Embarcamos com 11 dias de antecedência. Competir em altitude exige aclimatação. Uma prova dessas merece esse investimento.
E deu tudo certo. Suplementação de ferro, alimentação bem cuidada, hidratação em dia, assessoria da Adriana Nascimento, apoio da CTS (Carmichael Training Systems), torcida organizada (amigos Brazucas e americanos estavam por lá também).
No dia 15/08/2015, às 6:30 da manhã, 10ºC, ao lado do meu namorado Loris, de Christoph Sauser, Todd Wells, Rebecca Rusch, Alban Lakata, outros(as) grandes atletas e de uma das minhas melhores amigas (também ciclista) Ally – não, não vou contar da largada. Vou contar que antes da contagem regressiva tocou uma música que adoramos, e eu e a Ally dançamos. “Shut up and dance with me!” Valia comemorar que estávamos ali, we made it here!! Isso por si só já é um grande feito. E foi dada a largada.
Singletrack legal
Sem qualquer parâmetro do que seria uma boa meta para mim, estipulei que eu poderia ficar feliz se fizesse a prova abaixo de 9 horas. E colei no meu top tube um adesivo com os tempos que deveria passar em cada apoio se fosse fazer a prova em 8:30 (abaixo de 9h, para me estimular, sabe?). Eu gosto de deixar a baliza sempre alta.
Consegui ultrapassar a primeira montanha com sucesso, sem ter que empurrar a bike (pela quantidade de pessoas, acaba afunilando), e cheguei no trecho mais plano com um grupo forte – o que garantiria boa economia de energia até a famosa montanha Columbine, de 16km, onde fazemos a volta (milha 50). Mas tinha me desgarrado do grupo das meninas, que pelos meus cálculos eram umas 10. Elas mandaram ver na primeira subida, e eu resolvi “ficar na minha” quando tudo que via estava bastante embaçado e ficando preto (capicce?).
Quando você sai para fazer uma prova de “vai e vem”, de mais de 165km, você não se apega aos números de quilometragem. As metas eram por partes: 1º apoio, 2º apoio, topo da Columbine (metade da prova), 3º apoio, 4º apoio, topo da Powerline, downhill da primeira montanha, e linha de chegada (que, mesmo com toda essa estratégia de “ir por partes”, não chega nunca!).

A boa notícia é que eu estava conseguindo bater exatamente os tempos para quem faz a prova em 8:30, e cheguei no pé da Columbine prontíssima para encarar aquela escalada – ela que foi, depois percebi, a melhor da minha vida.

Pelotão rumo Columbine
Nela eu ultrapassei dezenas de homens (que tinham me passado naquela primeira serra), e sabia que deveria estar entre as 8 primeiras colocadas. Quando cheguei no 3º apoio, já na volta, alguém me informou que eu estava na 5ª posição.
 
E começou a passar pela minha cabeça tudo o que aquilo significava. Uau.... Mas, mais uma vez, aquela conversa comigo mesma “Foco Vivi, foco. Concentra, ritmo, passo, come, bebe água, foco, concentra, vamos chegar até o próximo apoio defendendo essa colocação”.
Não aconteceu. Pouco antes do 4º apoio fui ultrapassada por uma atleta da Trek em um ritmo excelente. Eu queria ter pulado na roda dela, aproveitado algum vácuo (já estava andando sozinha há horas), mas não deu certo, e vi ela desaparecer na minha frente.

Diferente de outras competições, isso não me abalou. Não é possível encarar Leadville como uma prova normal. Não conseguia enxergar aquela atleta como minha adversária. O cansaço, a falta de ar, a dor nas pernas, nos braços, esses eram meus adversários.

Até 6h de prova eu estava até sorridente. Depois disso foi sobrevivência. Lembrei que encontraria com meu amigo Nat Ross e a estrutura da Oakley na subida da Powerline, e essa passou a ser minha nova meta, chegar lá, sorrir pra eles. E quando cheguei, foi mágico! Foi uma linha de chegada, e uma nova etapa da prova a seguir, com mais 1h de subida íngreme.


O Nat me acompanhou por alguns metros, conversou comigo, palavras de força e motivação. Eu agradeci muito – ele mandou eu ficar quieta, relaxar os ombros, recuperar o máximo possível antes dos 20 e poucos porcento de inclinação – mas eu quis mostrar para ele que tinha colocado seu nome no adesivo especial que fiz para olhar nos momentos difíceis. Ele me chamou de sister. E me deu um último empurrão para aquela subida, ele fez tudo o que ele podia, o resto era comigo. Simbora. Não consegui zerar, tive que caminhar em um pequeno trecho de degraus e pedra, mas logo mais adiante ultrapassei a atleta da Trek (ela empurrando a bike) e nunca mais a vi.

Vento contra e sozinha
5º lugar em Leadville, será que eu vou chegar em 5º lugar? Será que foi isso que o universo preparou para mim hoje? Me belisca? Eu sei que mereço, mas, 5º lugar e bom demais! Não Vivi, foco!!! Foco... foco. Cuidado com o pneu, mantenha-se em cima da bike, solta o freio mas não muito, cair agora não pode. Pedala forte Vivi, não para, mantém o ritmo. Z3 Vivi, Z3... Depois você pensa na colocação.”

Voltando no singletrack legal
A descida da primeira serra foi talvez a descida mais esperada da minha vida. Algo nela que faz  a gente amadurecer. A gente muda depois dela... e o trecho entre ela e a linha de chegada foram as 10 milhas mais longas que já fiz. De tudo dessa prova, a subida da Poweline foi o trecho mais dolorido, mas essas 10 milhas foram ainda piores. É quando você quer acabar, você quer chegar, você quer andar mais pra chegar logo, mas não há nada a fazer além de simplesmente manter o ritmo e “esperar” chegar. Eu olhava para trás com medo de alguém chegar, não via adversárias, mas e se alguém aparecesse esprintando? E se alguém me atacasse? Eu não vou conseguir reagir!!! Cadê a chegada? Será que está depois dessa curva? Asfalto. Curva, subida. Essa é a última subida? Melhor acreditar que não. Meu Deus, é sim, é a última subida. Meu Deus, estou na reta final. MEU DEUS, estão anunciando meu nome, “and in 8 hours and 21minutes, the Brazilian Boom-Boom Viviane Favery Costa, from São Paulo – Brasil”, meu Deus......

Cheguei!

Lembro de abraçar os donos da prova e não querer largar mais. Lembro de receber os cumprimentos do Dave Wiens, lembro do meu pé latejar, doer para pisar no chão, das lágrimas escorrendo, das pessoas me olhando e me parabenizando. Eu era a 5ª colocada, atrás apenas de atletas olímpicas e da campeã e vice campeã mundial.


Sentei e chorei, arranquei as sapatilhas, agradeci a Deus, a minha família, a mim mesma... agradeci por ter sido corajosa, por ter superado os momentos difíceis da vida, por ter me perdoado e aos outros também, porque isso faz parte de todo processo.

Agradeci a minha vida, a minha história, aos meus antepassados. Agradeci ao meu namorado, a toda equipe da Specialized, aos amigos que transformaram essa simples competição em uma experiência de vida inesquecível. Lembrei e agradeci mentalmente a todos que participaram dessa trajetória, desde quando eu era uma menina perdida, buscando rumo na vida.

E sai correndo para esperar a Ally chegar e torcer para ela nos metros finais da corrida. Quando ela chegou, corri junto o quanto deu. Só acabou depois que pude abraça-la e saber que estava tudo bem.

  
  
Agora, rumo ao Brasileiro de maratona!
Sobre o Campeonato Brasileiro de MTB XCM - Picos, Piauí, Agosto de 2015
Só quando passou Leadville que conseguimos planejar a ida para Picos, no Piauí, para o Brasileiro de maratona. O primeiro passo era não sair da altitude, pois ao baixar para mais próximo do nível do mar, em um primeiro momento viria uma sensação boa, de alta performance, mas em um segundo momento, estaria sujeita a uma “baixa”, cansaço e perda de performance. Para postergar essa “baixa”, ficamos o máximo possível a 3.000mts de altitude e voltamos para o Brasil há 4 dias de viajar pro Piauí. O lado ruim é obvio: cansaço, correria.

Domingo, dia 24 de Agosto iniciamos a volta para casa. Mas só consegui mesmo chegar em casa na madrugada de segunda pra terça feira.

Entre terça e quinta precisei lidar com o jetlag da viagem, arrumar a casa, lavar roupa e fazer outra mala, rever familiares e, sinceramente, não sobrou tempo para treinar.

Sexta-feira, 28 de Agosto às 3h da manhã iniciamos a ida de São Paulo até Picos, no Piauí. Chegamos no hotel às 12h30. Exaustão!!!

Sábado fiz meu primeiro treino em 8 das, 1h30 na roda do Loris para acordar as pernas. Foi bom, fizemos o reconhecimento da primeira serra da prova. Pernas pesadas, mas me sentindo bem. É bom puxar o ar e sentir que ele te “abastece” de oxigênio (diferente da sensação em altitude).

O plano para a os 96km do campeonato Brasileiro de MTB Marathon era dar o meu melhor, e ver o que seria.

O calor de 40ºC e a areia seriam os maiores adversários. Bom para mim: tenho uma boa experiência com esse “combo” pelas duas Brasil Rides que tenha na bagagem.

Caprichei no protetor solar (sempre coloco uma camada de protetor com base embaixo do filtro de alto FPS no rosto), e, sabendo dos trechos de empurra bike nos areiões, também besuntei meus pés de Bepantol.

Estava sem quem fizesse apoio, e optei por utilizar isso ao meu favor: estou acostumada a andar autossuficiente, então “vou levar tudo o que preciso, e assim não precisarei parar em momento algum. Será ruim subir a serra com tanto peso, mas a maior serra é bem no começo da prova, pode dar tempo de recuperar nos planos e descidas.”

Na largada percebi que minhas principais adversárias estavam com estratégia oposta (sem camel back, apenas caramanhola na bike), e pensei “ou meu plano vai dar muito certo e eu terei vantagem, ou será o contrário”.

Largamos 1 minuto atrás da elite masculina, e a prova começou mesmo depois do deslocamento de 5km até a estrada de terra. Em um primeiro momento me posicionei atrás das principais atletas do pelotão, Tânia Pickler (campeã Brasileira 2014) e Ana Panini. Mas ao perceber o movimento do pelotão da Sub23 que largou logo atrás, me encaixei e aproveitei o embalo. Depois de um tempo vi que a Tânia me seguiu, e andamos juntas até o início da serra.

Sabendo que subidas são o maior ponto forte dela, abri para que colocasse seu ritmo e tentei acompanhar o quanto pude. Me senti pesada e fazendo mais esforço do que poderia, e tive que diminuir o passo. Aos poucos ela desapareceu da minha frente, parecia que tinha uma âncora me segurando. Tudo bem, vamos em frente, “Vivi, concentra na sua prova, faça seu ritmo. ”

Depois da serra, um singletrack gostoso e fluido até o primeiro trecho de estradão plano. Assim que entrei na estrada percebi a Tânia há uns 300mts. Percebi que meu passo no plano era bom e que poderia alcança-la.

Quietinha cheguei e tentei abrir vantagem. Ela reagiu. Vamos revezar? Ela topou. Fomos uma dupla até a segunda serra (e novamente me vejo disputando posição com alguém que admiro, e que preferiria de fato formar uma dupla do que disputar uma posição!). Na subida, o previsível: lá se foi ela, num giro lindo, voando serra acima. Me contentei com meu ritmo. Dessa vez tentei apenas não perdê-la de vista.

Ao fim da segunda serra, novamente a busca para fechar o gap. Consegui e, logo antes da entrada de um singletrack, dei tudo o que tinha para tentar alguma vantagem. E desse momento até a linha de chegada, foi uma fuga dolorida tentando manter a posição conquistada. Passei batida em todos os apoios, aproveitei o máximo da posição aerodinâmica em cima da minha S-Works Era e dei tudo o que tinha nas subidas. Olhei para trás a cada minuto, e, mesmo na reta final, mal podia acreditar que tinha conseguido manter-me na frente.

Durante 50km da prova, para manter minha motivação, pensava em como eu gostaria de cruzar a linha de chegada, se seria com os braços levantados, se daria um grito, se caminharia com a bike levantada. Mas na hora que isso realmente aconteceu, não consegui segurar o choro, a emoção tomou conta, e eu estava completamente anestesiada.

O abraço apertado do namorado coroou o fim de um grande dia em cima da bike.

Foto: Dasaev Barbosa
Foto: Dasaev Barbosa
Foto: Picos Pró Race

E agora? Brasil Ride!!!
Ainda com os sentimentos a flor da pele (gratidão!!!), preciso me organizar após esse mês de férias, apresentar meu lindo troféu de campeã Brasileira para os colegas do trabalho e me recuperar de todo cansaço.

Tenho 6 semanas até a Brasil Ride, e não consigo segurar o sorriso no rosto toda vez que penso que fiz minha parceira orgulhosa. Eu e a Raiza poderemos usar o uniforme igual, de campeãs Brasileiras. Mal posso esperar para alinhar na largada do prólogo ao lado da minha amiga, e não medir esforços para ajudá-la a conquistar pontos preciosos para representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio 2016!

4 comentários:

  1. Antes de qualquer coisa: parabéns por seus excelentes resultados, Viviane! Sempre busco acompanhar atletas pelas redes sociais para manter a motivação e você é minha mais nova "aquisição". Rsrsrs! Você competiu com Annika! Wooow! Sou mega fã dela e agora de você também :D ! Obrigada por seu relato, muitas vezes escrevemos coisas que nem imaginamos o impacto que pode ter na vida das pessoas, mas tem! Também amo MTB e ver o quanto você evoluiu em 4 anos é realmente motivador. Parabéns mais uma vez e boa sorte no Brasil Ride!

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    1. Um pouco atrasada, mas antes tarde do que nunca: OBRIGADA DAYSE! Bons pedais!

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  2. Oi Vi... foi, realmente, de arrepiar a sua descrição de tudo que passou. Novamente.... Parabéns. ..

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  3. Lindo Vivi! Adorei ler, e vocês merece! Parabénssssssssss mesmo!

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